Sustentabilidade

29/03/2019

Em 14 anos, mercado livre de energia gera economia de R$ 83 bilhões a consumidores no Brasil

Abertura total desse mercado, incluindo as pequenas empresas, poderia propiciar uma redução de R$ 12 bilhões por ano na conta de eletricidade para mais de 80 milhões de consumidores

Em 14 anos, mercado livre de energia gera economia de R$ 83 bilhões a consumidores no Brasil

Possibilidade de entrar no mercado livre de energia é atrativa para os empresários que buscam economia
(Arte: TUTU)

A energia elétrica, seja de fontes renováveis ou convencionais, é essencial para o funcionamento de qualquer negócio e o valor desse custo mensal pode colocar em risco o equilíbrio financeiro das empresas.

No Brasil, a energia pode ser comprada de duas formas: em ambiente regulado ou livre. No primeiro caso, os consumidores adquirem energia das concessionárias de distribuição, com tarifas reguladas pelo governo. A dinâmica é a mesma usada pelos clientes residenciais e pequenas empresas.

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Já no mercado livre, o consumidor faz a compra diretamente das geradoras ou comercializadoras, podendo negociar preços, volumes e prazos. Embora seja atraente, esse mercado exige um perfil de consumo atualmente preenchido pelas médias e grandes empresas.

Os consumidores do mercado livre são divididos em duas categorias: o “especial”, que é aquele que utiliza de 500 a 3.000 kW (quilowatts) como pequenas e médias indústrias, redes de lojas, shoppings e supermercados, e o consumidor livre, chamado também de “tradicional”, que consome mais que 3.000 kW.

De acordo com a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), a fatura mensal média do consumidor especial é de R$ 150 mil. Esse perfil pode contratar a energia no mercado livre do tipo incentivada, proveniente de fontes renováveis, como Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), eólica, biomassa e solar.

No caso dos que têm demanda de mais de 3.000 kW, a fatura média é de R$ 850 mil. Esse grupo é formado pelas grandes indústrias, como montadoras de veículo e siderúrgicas. Por causa do grande volume, eles podem contratar no mercado livre qualquer tipo de geração de energia.

Economia
A mudança do ambiente regulado para o mercado livre é almejada pelos empresários, principalmente em decorrência dos altos preços da energia no mercado cativo. Esse foi o principal motivo que levou a rede de lojas de materiais de construção Leroy Merlin a incluir todas as 41 unidades espalhadas pelo País no mercado livre.

“O início da migração está previsto para o próximo mês de abril e se dará de forma paulatina, respeitando os contratos de fornecimento de cada loja com a respectiva concessionária. Ainda que os benefícios estejam nos nossos relatórios analíticos, é possível afirmar que os resultados para os próximos anos são relevantes. Dentro das possibilidades de cada concessionária, as novas unidades nascerão nessa modalidade”, afirma o gerente de Patrimônio Imobiliário da Leroy Merlin, Rajko Vojvodic.

Levantamento feito pela Abraceel em 2018 mostra que o mercado livre de energia brasileiro gerou, entre 2003 e 2017, uma economia de R$ 83 bilhões aos seus consumidores. A associação estima que a abertura total do mercado livre de energia poderia propiciar uma redução de R$ 12 bilhões por ano na conta de eletricidade para mais de 80 milhões de consumidores (incluindo pequenas empresas e consumidores residenciais).

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