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28/02/2018

Envelhecimento populacional causa mudanças no setor imobiliário

Empreendimentos buscam atender às demandas específicas de idosos que gostam de morar sozinhos

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Envelhecimento populacional causa mudanças no setor imobiliário

Serviços oferecidos nos empreendimentos destinados ao público idoso é importante para facilitar a rotina
(Arte: TUTU)

Por Priscila Trindade

O aumento na expectativa de vida e a previsão do aumento da população idosa no Brasil tem causado mudanças no mercado imobiliário. Para atender a esse público crescente, empresas oferecem unidades habitacionais especializas na chamada “terceira idade”.

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que hoje vivemos em média 75,8 anos – um acréscimo de três meses e 11 dias em relação a 2015. Em Santa Catarina, a média de vida é de 79,1 anos, seguido por Espírito Santo (78,2 anos); Distrito Federal e São Paulo, com 78,1 anos.

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Se em 2010 o Brasil registrou 19,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, em 2050 serão 66,5 milhões, ou seja, 29,3% da população total, ainda segundo o IBGE. Os avanços da medicina e a queda das taxas de mortalidade e natalidade são alguns dos fatores já contribuem para as alterações nos índices.

Levantamento do Grupo ZAP Viva Real aponta que nas regiões mais nobres de São Paulo, a expectativa de vida fica acima de 80 anos. Entre as regiões que se destacam estão Itaim Bibi, Jardins e Pinheiros. Em contraponto, nas áreas mais periféricas há queda.

Interesse
O público com 55 anos ou mais está atento à movimentação do mercado imobiliário, segundo mostra a pesquisa do Grupo ZAP Viva Real. Dezessete por cento da audiência do site na Grande São Paulo é formada por pessoas nessa faixa etária. Em Santos, o número chega a 28%. “Eles continuam ativos e interessados em transações imobiliárias, que vão desde a busca de um imóvel para compra ou locação até colocar o próprio imóvel à disposição”, afirma a gerente de Inteligência de Mercado do Grupo ZAP Viva Real, Cristiane Crisci.

A alta procura por parte desses visitantes esclarece pontos da análise, que constatou que apenas 4% dos entrevistados consideram excelente a infraestrutura que facilita a rotina dos idosos nos locais onde moram. Outros 2% consideram como excelente a oferta de trabalho para idosos.

Para o vice-presidente de Assuntos Turísticos e Imobiliários do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Caio Calfat, os dados indicam um novo nicho de mercado a ser explorado. Ele cita as unidades habitacionais destinadas exclusivamente aos idosos.

“Na verdade, esse tipo de produto seria a evolução do asilo e da casa de repouso para um empreendimento mais estruturado, voltado a esse tipo de público com serviços e profissionais adequados. Eles devem ser uma mistura de prédio residencial com hotel e hospital”, explica.

O modelo já é conhecido nos Estados Unidos e em países europeus e começa a ganhar espaço no Brasil. Por uma questão cultural, esse formato de residência acabou por atrair em território nacional o idoso dependente, sendo que a ideia era atingir outro perfil (semidependente e independente).

“A maioria das famílias decide indicar um lugar para o pai ou a mãe ir morar somente após os primeiros sinais de senilidade e mobilidade reduzida. Por isso que o idoso dependente acaba sendo o público nesse primeiro momento”, avalia.

Ele acredita que na próxima década esse tipo de imóveis seja mais popular, ainda mais porque a população está envelhecendo. “Acredito que com o passar do tempo e a assimilação desse produto pelos mais jovens, o mercado vai começar a conhecer esse tipo de produto e haverá uma mudança significativa”, enfatiza Calfat.

Calfat ressalta que o envelhecimento traz necessidades de moradia específicas e afirma que essas unidades precisam manter uma ligação direta com o hospital mais próximo e o contato com os médicos dos moradores, além de desenvolver uma agenda de atividades para os moradores treinarem muito bem os funcionários e enfermeiros.

Ele dá como exemplo um empreendimento que tem um andar de cada cor, o que auxilia nos casos de esquecimento, situação comum na terceira idade. “O idoso pode esquecer ou confundir o andar onde mora, mas lembra da cor. Coisas assim que são concebidas no projeto facilitam a vida desse morador.”