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Economia

23/07/2018

Famílias brasileiras gastaram 82 vezes o valor da seleção brasileira para pagar juros em 2017

Montante soma R$ 354,8 bilhões e equivale a 5,4% do PIB

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Famílias brasileiras gastaram 82 vezes o valor da seleção brasileira para pagar juros em 2017

Estudo “Juros e Inadimplência no Brasil 2015-2017” mostra ainda que a taxa de inadimplência das famílias caiu no ano passado
(Arte: TUTU)

As famílias brasileiras pagaram R$ 354,8 bilhões em juros no ano passado, o que corresponde a 82 vezes o valor da seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo na Rússia (R$ 4,3 bilhões) e 8,6 vezes o custo das obras da Olímpiada do Rio de Janeiro (R$ 41 bilhões).

O montante pago em juros foi 17,9% superior, em termos reais, ao gasto realizado em 2016 (R$ 301 bilhões) e representa 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do País e 10,8% da renda anual das famílias, porcentual superior ao de gastos com educação e vestuário, por exemplo.

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Os dados são do estudo “Juros e Inadimplência no Brasil 2015-2017”, realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Com base em informações disponibilizadas pelo Banco Central, a análise procura quantificar o volume de recursos utilizado para pagamento de juros e a evolução dos níveis de inadimplência dos consumidores e das empresas brasileiras.

O estudo mostra que a taxa de inadimplência das famílias caiu para 5,3% no fim do ano passado, após permanecer praticamente estável entre 2015 (6,2%) e 2016 (6,1%).

Por outro lado, apesar do ciclo de reduções contínuas da taxa Selic no decorrer de 2017, os juros médios cobrados das pessoas físicas subiram 4,4%, passando de 64,9% em 2016 para 67,8%. Com isso, a taxa média mensal cobrada dos consumidores ficou em 4,41%, porcentual quase 50% superior à inflação registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2017 (2,95%).

Com a leve melhora da economia no ano passado, o volume de operações de crédito para famílias aumentou 2,2%, atingindo R$ 851,5 bilhões e interrompendo dois anos de contração.

Análise
De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, com o aumento do consumo de bens duráveis, a expansão dos empréstimos no ano passado só não foi maior em função dos juros elevados. Além disso, os dados mostram que o crédito no País impõe um custo alto, retirando dos consumidores quantia expressiva para pagamento de juros, o que inibe a capacidade de consumo.

As altas taxas de juros são consequência direta do descontrole das contas públicas. Por causa de seguidos déficits fiscais, o País convive com uma dívida pública crescente, que acaba financiada diariamente no mercado financeiro com a venda de títulos públicos. Esse processo mitiga a confiança dos agentes econômicos e resulta em uma elevação do risco de financiar o Estado. Com isso, os empréstimos são feitos a juros maiores. Como consequência, o setor público se torna o principal tomador de crédito, colaborando para a fixação de um piso elevado para as demais taxas de juros disponíveis no mercado.

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