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Economia

12/07/2018

Proporção de famílias paulistanas endividadas cai pelo 3º mês seguido em junho, mas inadimplência segue estável

Empresário do varejo que concede crédito deve ficar atento, pois risco de não pagamento aumentou

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Proporção de famílias paulistanas endividadas cai pelo 3º mês seguido em junho, mas inadimplência segue estável

Pesquisa aponta que 1,92 milhão de famílias paulistanas tinham algum tipo de dívida em junho
(Arte/Tutu)

Embora as famílias estejam se endividando menos na cidade de São Paulo, a dificuldade de acertar as contas em atraso permanece. É o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Em junho, a parcela de famílias paulistanas que possuem algum tipo de dívida caiu pelo terceiro mês consecutivo atingindo 49,4%, quedas de 1,7 ponto porcentual em relação a maio (51,1%) e de 0,3 p.p. na comparação com o mesmo mês do ano passado (49,7%). Em termos absolutos, são 1,92 milhão de famílias endividadas.

Apesar da queda, o nível de inadimplência ficou praticamente estável (19,2%) em relação ao mês passado (19,3%) e a junho de 2017 (19%). Com isso, o dado aponta que 750,4 mil famílias não estão conseguindo pagar as dívidas em dia, e o atraso, em grande parte, passa dos 90 dias (51,7%).

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A pesquisa mostra que o porcentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas em atraso no próximo mês, ou seja, permanecerão inadimplentes, caiu de 9% em maio para 8,1% em junho, taxa praticamente igual à do mesmo mês do ano passado (8,2%).

Os dados revelam que, apesar das famílias estarem evitando se comprometer com dívidas, seguem com dificuldades para pagar os compromissos já feitos. Esse quadro é um reflexo das incertezas no cenário econômico do País e, sobretudo, do ritmo lento da geração de empregos, condição que dá segurança para as famílias contraírem crédito.

Com a queda do endividamento e a manutenção da inadimplência, a FecomercioSP ressalta que o empresário do comércio deve ficar atento, uma vez que o risco de não pagamento aumentou. Nesse cenário, uma maneira de diminuir o risco de calote e melhorar o fluxo de caixa é facilitar o pagamento à vista.

Vale destacar que os setores de bens duráveis, cuja comercialização depende de crédito, ainda estão registrando crescimento nas vendas. No primeiro trimestre, as vendas de veículos e eletrodomésticos na capital paulista tiveram altas de 8,2% e 3,4%, respectivamente. Contudo, se persistir o cenário de desemprego elevado e a redução da confiança do consumidor, além de os bancos identificarem um aumento na insegurança no mercado de crédito, pode ocorrer um impacto negativo nas vendas no varejo no segundo semestre deste ano.

Renda e tipo de dívida
Por faixa de renda, a parcela de famílias com contas em atraso que ganha até dez salários mínimos registrou queda de 0,5 p.p. em junho, atingindo 24,5% e se mantendo estável em relação ao mesmo mês do ano passado (24,4%). Por outro lado, a inadimplência das que ganham mais de dez salários mínimos subiu tanto na comparação mensal (passando de 6,7% em maio para 7,4% em junho) como na anual, quando em junho de 2017, 5,8% das famílias não conseguiram quitar as contas até a data de vencimento.

A PEIC também revela que a proporção de famílias com dívidas no cartão de crédito registrou ligeira queda em junho (70,1%) em relação a maio (70,2%), a quinta redução mensal consecutiva da modalidade de endividamento mais utilizada. No mesmo mês de 2017, as operações com cartão representavam 72% das dívidas dos consumidores. Os carnês apareceram na segunda posição, com 16%, e, na sequência, financiamento de carro (13,6%), crédito pessoal (12,7%) e financiamento de casa (10%). Os demais tipos de dívida, como cheque especial, pré-datado e consignado, estão abaixo dos 10%.