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Editorial

25/08/2020

Futuro do trabalho: mais ou menos oportunidades?, por Vitor Magnani

Resposta passa pela educação que teremos acesso e a estratégia que adotaremos

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Futuro do trabalho: mais ou menos oportunidades?, por Vitor Magnani

Nesse cenário de rápida transformação, todos vão precisar passar pelo processo de atualização de conhecimentos e habilidades
(Arte: TUTU)

*Por Vitor Magnani

Lançado em 1989, o segundo filme da trilogia “De Volta para o Futuro” foi um sucesso de bilheteria. Os personagens principais viajam para o ano de 2015 para resolver problemas familiares e se deparam com uma sociedade totalmente diferente. Nas cenas é possível ver casas inteligentes, tela plana, videoconferência e pagamento por celular, acontecimentos que só se efetivaram anos depois do lançamento do filme. Já as roupas que se ajustam ao corpo com um toque, drones que passeiam com os cachorros, carros e skates voadores são exemplos de inovações retratadas pela obra que ainda não ocorreram. Não é de hoje que as pessoas tentam adivinhar como serão os próximos anos e o debate relacionado ao futuro do trabalho terá o mesmo destino das previsões do filme: muitos erros e acertos.

Segundo estudo da Accenture, a economia digital já representa 22% do PIB brasileiro e segue em ritmo acelerado de crescimento. Já o Mercado Livre se tornou, neste mês, a maior empresa em valor de mercado da América Latina, superando empresas como Vale e Petrobrás. Não é um exagero prever que em alguns anos as maiores empresas do Brasil serão tecnológicas. Mas o que acontecerá com nosso trabalho? Seremos substituídos por robôs e ferramentas digitais?

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A resposta passa pela educação que teremos acesso e a estratégia que adotaremos, tendo em vista os dados disponíveis. Parafraseando o filósofo Heráclito, a única certeza que temos é a mudança. Com o crescimento da economia digital, novos postos de trabalho serão abertos, mas precisamos nos preparar para eles. Segundo relatório da OCDE, o Brasil tem apenas 17% dos graduados formados nos cursos de ciências, tecnologia, engenharia e matemática, enquanto a média dos países mais ricos é de 24%. Em outro estudo, a Brasscom divulgou que o mercado de tecnologia nacional precisará de aproximadamente 70 mil profissionais ao ano até 2024.

Novas carreiras estão surgindo e outras inimagináveis aparecerão. São profissões como especialistas em proteção de dados, experiência do usuário, telemedicina, big data, gestores de resíduos, biotecnólogos, geneticistas e desenvolvedores. Por outro lado, alguns postos de trabalho podem ser extintos, como aconteceu com o datilógrafo e a telefonista. Quem não se lembra da polêmica que foi implementar caixas eletrônicos nas agências bancárias?

Nesse cenário de rápida e profunda transformação, todos nós vamos precisar passar pelo processo de atualização de nossos conhecimentos e habilidades. Em Wall Street e no Vale do Silício já há enormes ganhos de qualidade na análise das tomadas de decisão por meio de inteligência artificial. Então, até mesmo pessoas em cargos muito bem remunerados serão afetados pelas novas tecnologias.

Mas não é possível afirmar que haverá menos oferta de trabalho do que novas oportunidades. O que determinará essa equação é o quanto o Brasil investirá esforços nessa nova economia, tanto para competir globalmente quanto para gerar benefícios para toda sociedade.

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e pelo avanço das novas tecnologias não podemos olhar somente para o médio e longo prazo sob pena de abandonar muitas pessoas. Longe de proclamar uma nova ordem mundial da tecnologia, nosso país precisa de um plano estratégico que inclua, além da educação para estas novas carreiras, a assistência básica para todos os cidadãos no centro do nosso desenvolvimento. Precisamos de mais liberdade e tempo para estudar e inovar.

Se o futuro é por vezes incerto, são nesses momentos de transformação que devemos caminhar cada vez mais unidos. Se empresas, sociedade civil e governo perseguirem os mesmos objetivos teremos resultados positivos para todos. Não podemos negar o avanço tecnológico, temos que incentivá-lo na medida em que qualificamos e ajudamos quem está mais distante do acesso à educação.

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*Vitor Magnani é coordenador-executivo do Conselho de Comércio Eletrônico da FecomercioSP.
Artigo originalmente publicado no Blog do Jornal O Estado de S.Paulo em 25 de agosto de 2020.