Editorial

02/08/2019

Há o que celebrar no aniversário da Política Nacional de Resíduos Sólidos?, por José Goldemberg e Cristiane Cortez

Presidente do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP comenta em artigo dos benefícios da PNRS

Há o que celebrar no aniversário da Política Nacional de Resíduos Sólidos?, por José Goldemberg e Cristiane Cortez

Ser um ponto de entrega é uma vantagem competitiva, e não pode ser considerado pelo empresário como uma redução do espaço de venda
(Arte: TUTU)

Por José Goldemberg e Cristiane Cortez*

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) completa nove anos! Tempo em que o setor produtivo vem se articulando para que os sistemas de logística reversa de vários produtos que causam significativo impacto ambiental estejam disponíveis para os consumidores domésticos: embalagem plástica de óleos lubrificantes, lâmpada, pilha, bateria, eletroeletrônico, óleo comestível, pneu, entre outros.

O Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP vem trabalhando para que os empresários paulistas que comercializam esses produtos possam participar de sistemas de logística reversa construídos com as entidades representantes dos fabricantes, importadores e os órgãos ambientais, com o menor custo possível.

Veja também:
FecomercioSP apresenta propostas à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente sobre proibição de canudos plásticos
Evite multas: prorrogado para 9 de setembro prazo para cadastro online no sistema de controle de resíduos da Amlurb
Consciência no (pós-) consumo, por José Goldemberg e Cristiane Cortez

Em 2018, o sistema de logística reversa, fruto de um termo de compromisso entre a FecomercioSP e o Instituto Brasileiro de Energia Reciclável (Iber), coletou aproximadamente 54 mil toneladas de baterias inservíveis no Estado de São Paulo, isto é, 80% das baterias colocadas no mercado paulista. É possível reciclar quase a totalidade dos componentes, bem como os rejeitos serem dispostos de forma ambientalmente adequada.

Os sistemas de logística reversa também reduzem os gastos dos municípios com a coleta seletiva e com a disposição de produtos perigosos. E ainda encorajam as empresas a fabricar produtos com cada vez menos materiais nocivos ao meio ambiente, com maior reciclabilidade e menos embalagens. Além de fomentar a economia circular.

Cada elo da cadeia produtiva tem a sua responsabilidade compartilhada e deve participar – incluindo o consumidor. Da mesma forma que escolhe o produto, a marca e a loja na qual efetuará a compra, ele precisa, após o uso, verificar onde está um ponto de entrega específico para o descarte de seu bem.

Assim, ser um ponto de entrega é uma vantagem competitiva, e não pode ser considerado pelo empresário apenas uma redução do espaço de venda ou um custo operacional. O consumidor está cada vez mais preocupado com sua qualidade de vida e da sociedade à sua volta, e isso inclui os impactos ambientais causados.

Ainda há muito a ser feito! Expandir os atuais sistemas de logística reversa a mais municípios, aumentar a quantidade de pontos de entrega, a população fazer a triagem dos resíduos antes do descarte. Contudo, empresários, consumidores e governantes, juntos, têm o poder de pôr a PNRS em prática! E todos ganham.

*José Goldemberg é presidente do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Cristiane Cortez é assessora técnica do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP.
Artigo originalmente publicado no portal Envolverde, em 26 de julho de 2019.