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Negócios

28/01/2016

Incorporação de conduta ética é peça-chave da governança corporativa

Para especialistas, empresas precisam sustentar o tripé econômico-financeiro, social e ambiental em uma visão mais ampla

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Incorporação de conduta ética é peça-chave da governança corporativa

Antes muito ligada a questões financeiras, governança engloba, atualmente, responsabilidades ambientais e sociais
(Arte/TUTU)

Com informações de Roberta Prescott

Independentemente do porte, as empresas brasileiras têm procurado adotar práticas de governança para se tornarem mais sustentáveis, baseando suas atividades em transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Antes muito ligada a questões financeiras, a governança corporativa engloba, atualmente, um escopo mais amplo, incorporando responsabilidades ambientais e sociais, e incluindo entre suas atribuições cuidar da ética empresarial.

“As questões de governança corporativa surgem quando o agente pode atuar no seu interesse pessoal em detrimento da companhia”, explica o professor de Governança Corporativa, Gestão de Riscos Corporativos e Compliance da Fundação Instituto de Administração (FIA), Fabio Coimbra.

Para o professor da Fundação Getulio Vargas/Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (FGV/Ebape), Joaquim Rubens Fontes Filho, chega-se a ponto em que a empresa não pode depender apenas das decisões do empreendedor que a construiu. “É preciso criar vida própria. Como fazer essa transição? Criando regras, estabilidade e um conselho consultivo que possa questionar, colocar em xeque as decisões”, explica.

Evolução

Discutidas após a crise de 1929 e na década de 1970, as questões de governança corporativa voltaram aos holofotes quando os Estados Unidos promulgaram, em 2002, a Lei Sarbanes-Oxley, que criou mecanismos de auditoria e segurança nas empresas.

No Brasil, a prática ganhou força com a criação dos segmentos especiais de listagem da BM&FBovespa, como Novo Mercado, Nível 2 e Nível, que pressupõem regras de governança corporativa e vão além das obrigações que as companhias têm perante a Lei das Sociedades por Ações (Lei das S/A).

Diferentemente dos EUA, as regras da Bolsa de Valores brasileira foram uma iniciativa de autorregulação e não capitaneada pelo governo. Elas têm como objetivo melhorar a avaliação das companhias que decidem aderir, voluntariamente, a um desses níveis de listagem.

Ainda que não seja obrigatório listar as ações nesses segmentos, as empresas que abrem capitais têm optado por fazê-lo. A explicação é simples: os investidores valorizam as empresas que possuam altos níveis de governança, uma vez que elas são mais transparentes, refletindo na reputação.

Os especialistas afirmam que vários estudos mostram que o nível de maturidade das empresas no Brasil está mais avançado quando comparado ao de seus pares, como o México e países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). “Se observar as maiores empresas, praticamente todas têm as boas práticas instaladas, pelo menos formalmente. A maioria está bem designada, mas o lado formal é uma parte da história; precisa fortalecer a cultura de governança, principalmente entre os grandes controladores, pois isso beneficiará a todos a longo prazo”, ressalta Joaquim Rubens.

Tendência

O horizonte futuro para a governança corporativa vai além dos resultados financeiros. As empresas atualmente precisam sustentar o tripé econômico-financeiro, social e ambiental em uma visão mais ampla. “Hoje, existem riscos com sistema, funcionários, fornecedores etc. As empresas precisam ter responsabilidade social cada vez maior para inclusive enxergar quem são seus parceiros. Por exemplo, não adianta vender produto bom se usou mão de obra escrava para produzi-lo. Mas esse não é um processo da noite para o dia”, enfatiza Ricardo Cruz, da ESPM.

A mudança no perfil dos investidores também reflete na maior adoção da governança corporativa. Quando se tem investidores de longo prazo, a governança passa a ser chave.

Muito a melhorar

Mesmo empresas que afirmam seguir as boas práticas podem apresentar problemas. Os exemplos estão desde as empresas envolvidas nas investigações da Lava Jato até o recente caso da Volkswagen, que falsificou dados sobre emissões de poluentes.

Em pleno século 21, o acesso à internet facilita a propagação de mensagens desfavoráveis por meio das redes sociais, e quando uma empresa é envolvida em um escândalo, não raramente todo o setor pode ser comprometido, tendo sua imagem afetada negativamente.

O caminho apontado pelos especialistas é a incorporação de código de condutas éticas e a adoção das boas práticas de governança corporativa.

Clique aqui e leia a matéria completa, publicada na revista Conselhos