Economia

23/08/2015

Índice de confiança do consumidor interrompe trajetória de queda em agosto

São Paulo, 24 de agosto de 2015 – O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) – pesquisa realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) – se manteve praticamente estável, com leve alta de 0,1%, ao passar de 84,5 pontos em julho para 84,7 no mês de agosto.

Ainda que a pontuação tenha sido ligeiramente maior que a do mês anterior, interrompendo um ciclo de cinco quedas consecutivas, o resultado não pode ser considerado positivo, uma vez que permanece na zona do pessimismo (abaixo dos 100 pontos). Na comparação com os 110,5 pontos de agosto de 2014, o indicador mostrou uma retração de 23,4%.

O ICC é composto pelo Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e pelo Índice das Expectativas do Consumidor (IEC), que apresentaram rumos distintos entre julho e agosto. O ICEA revelou queda de 3,2% na comparação mensal, passando de 61,3 para 59,3 pontos (o menor valor desde maio de 1999). O recuo no comparativo anual foi ainda mais acentuado (-46,1%).

Para os economistas da FecomercioSP, essa variação negativa reforça o cenário  de instabilidade decorrente da inflação elevada, dos juros altos e do aumento do desemprego. Tal quadro econômico, ainda segundo os economistas, impacta diretamente a avaliação dos consumidores em relação às suas condições financeiras.

Já o IEC, na contramão desse movimento, apresentou alta de 1,5%, ao passar de 100 pontos em julho para 101,6 em agosto. Para a assessoria econômica da FecomercioSP, diante de um cenário corrente cada vez menos favorável, é natural que o consumidor continue ajustando para baixo suas percepções a respeito do presente e, com isso, incorpore em suas avaliações perspectivas ligeiramente mais otimistas em relação ao futuro.

ICC por idade

Na análise por faixa etária, os consumidores com menos de 35 anos se mostram cada vez menos confiantes nas condições econômicas atuais. A queda do ICEA para esse segmento, entre julho e agosto, foi de 8,4%: passou de 68,4 para 62,6 pontos.

Os consumidores com mais de 35 anos obtiveram o mesmo porcentual (8,4%), porém, em uma variação positiva. Neste caso, o indicar registrou alta, ao sair dos 49,8 em julho para 54 pontos em agosto.

ICC por renda

As famílias paulistanas com renda de até 10 salários mínimos (S.M.) tiveram recuo de 27,2% no índice de confiança na comparação anual. Com relação a julho, a queda do indicador foi de 1,1% e chegou aos 80,7 pontos, o menor valor desde agosto de 2002.

Já entre as famílias que possuem renda acima de 10 S.M., o indicador apontou, no comparativo com agosto do ano passado, uma variação negativa de 15,2%. Por outro lado, a variação mensal foi positiva: passou de 91 para 93,2 pontos – alta de 2,4%.

De acordo com assessoria econômica da Entidade, esse distanciamento entre as famílias de classes mais altas e as de classes mais baixas pode ser explicado, entre outras causas, pelo aumento dos preços de itens essenciais, como energia elétrica e alimentos, que comprometem grande parte do orçamento das camadas mais simples.

Metodologia

O ICC é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados junto a cerca de 2.100 consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta as condições econômicas atuais e as expectativas desses munícipes quanto à situação econômica futura.

Os dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, apresenta-se em: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para a formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.

A metodologia do ICC foi desenvolvida com base no Consumer Confidence Index, índice norte-americano que surgiu em 1950 na Universidade de Michigan. No início da década de 90, a equipe econômica da FecomercioSP adaptou a metodologia da pesquisa norte-americana à realidade brasileira. Atualmente, o índice da Federação é usado como referência nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), responsável pela definição da taxa de juros no País, a exemplo do que ocorre com o aproveitamento do CCI pelo Banco Central.