Negócios

21/10/2016

Relato de experiências alavanca turismo de Portugal

Campanha estimulou população e turistas a publicar relatos nas redes sociais de atividades realizadas em terras lusitanas – que vão da gastronomia à prática de esportes como o surfe e o golfe

Relato de experiências alavanca turismo de Portugal

Ao mostrar que pode oferecer diversas atividades para vários tipos de públicos, país conseguiu atrair turistas e alavancar o setor 
(Arte/TUTU)

Mostrar as diversas experiências que podem ser vividas em Portugal – da gastronomia ao surfe – por meio de vídeos e relatos em redes sociais foi uma das estratégias adotadas desde 2013 pelo governo do país para atrair turistas mesmo em tempos de crise. E funcionou. Os meios de hospedagem receberam quase 2 milhões de hóspedes em 2014, expansão de 23% face a 2013, que geraram 4,3 milhões de diárias, alta de 21% sobre o ano anterior. Tamanho movimento gerou 137 milhões de €, crescimento de 14,7% frente a 2013.

Em 2015, a aceleração do setor continuou: foram 2,3 milhões de hóspedes  (+19% face a 2014), que demandaram 5,3 milhões de diárias (+19% na comparação com 2014), gerando 174 milhões de € (+27% do que em 2014). 

“Fizemos uma campanha na qual convidamos os próprios portugueses a fazerem vídeos e compartilhar nas nossas redes sociais. São vídeos com experiências que cada um de nós pode ter lá”, explica o diretor do Turismo de Portugal, Bernardo Cardoso. Segundo ele, o objetivo da campanha – chamada Visit Portugal – era mostrar que o país pode oferecer diversas atividades para vários tipos de públicos, porque não basta apenas convencer o viajante a ir, mas também mostrar o que ele pode fazer por lá. “Nosso objetivo é ter o lado cultural cada vez mais fortalecido, para que os visitantes saiam de lá com sensação de que valeu a pena. Mais de 90% dos viajantes, ao saírem do país, dizem que pretendem voltar e afirmam terem ficado surpreendidos com a visita”, comenta. 

Ele apresentou a iniciativa em evento realizado recentemente pelo Conselho Executivo de Viagens e Eventos Corporativos (Cevec) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), na sede da Entidade. 

A tática adotada na campanha foi deixar de centralizar a comunicação em celebridades portuguesas (como o jogador de futebol Cristiano Ronaldo) e focar mais em quem verdadeiramente pode falar das experiências vividas ali: quem viaja pelo país. Por isso o incentivo à produção de mais e melhor conteúdo focado na riqueza das regiões e diversidade de perfis, além do compartilhamento de ferramentas de avaliação e de monitoramento. 

Como melhorar a imagem do Brasil?
Na análise de Cardoso, falta ao brasileiro o sentimento de orgulho do que é feito aqui e a valorização do patrimônio nacional. “É importante fazer com que as pessoas queiram ouvir e tenham prazer em ouvir sua historia. Quando tiverem esse orgulho, sem monumentos e prédios destruídos, será um começo. Temos isso em Portugal”, alega. E foi justamente isso o que a campanha mostrou: portugueses mostrando o que há de melhor em seu país e sentindo orgulho disso. 

A presidente do Conselho Executivo de Viagens e Eventos Corporativos (Cevec) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Viviânne Martins, concorda: mais do que focar somente em turismo, houve um trabalho de fazer com que os portugueses consumissem seus produtos, gerando o sentimento de orgulho e de pertencimento à uma comunidade. É uma estratégia que pode ser adotada pelos empresários daqui. “Perdemos muito essa coisa de ser brasileiro - somos apenas quando dá tudo certo, como nos Jogos Olímpicos. Se cuidarmos da limpeza urbana, das ruas, dos monumentos, e sentirmos orgulho da nossa terra, é mais fácil convencer as pessoas. Tem tudo a ver com o trabalho de formiguinha, construir aos poucos”, aponta. 

Surfe e golfe
Duas atividades esportivas que despontam em Portugal são o surfe e o golfe. A primeira é destaque em Nazaré, região que neste ano recebeu competições da Liga Mundial de Surfe. Já o golfe tem espaço cativo no Algarve, que concentra mais de 90 campos. É nessa região que estão localizados alguns dos empreendimentos do Grupo André Jordan, que vão de campos de golfe a condomínios residenciais. 

O CEO do grupo, Gilberto Jordan, conta que a região foi designada pelo governo como zona para desenvolvimento turístico no final dos anos 1950. Devido a isso, ganhou um grande aeroporto internacional e começou a atrair turistas – principalmente famílias em férias. “Hoje em dia já recebe cerca de 8 milhões de passageiros, quando no início eram por volta de 55 mil”, comenta. O local tem entre suas características mais fortes as comunidades planejadas junto com os campos de golfe. Um dos empreendimentos do Grupo une esses dois pontos. “A maior parte funciona como segunda residência. São usadas mais de uma vez por ano pelos seus proprietários”, explica Jordan, contando que se trata de uma fidelização ao destino, uma vez que tal modelo implica em escolher antecipadamente, pelo local das férias de verão pelos próximos anos. Há ainda o público que adquire residências visando o momento de aposentadoria.

Segundo o CEO, o que motivou a criação desse empreendimento, na década de 1960, foi aplicar o know how que seu pai adquiriu ao trabalhar anos antes em uma grande empresa norte-americana que já operava algo similar. “Ele procurou por regiões na Espanha e também na França, mas decidiu-se por Portugal, onde já tínhamos negócios. Na época foi algo pioneiro.”

8590_turismo_portugal