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Imprensa

25/01/2015

Seca inflaciona custo da carne bovina

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São Paulo, 26 de janeiro de 2015 – O churrasco do paulistano ficou mais caro em 2014. A forte estiagem que prejudicou os pastos e, consequentemente, a engorda dos animais fez com que o preço da carne bovina aumentasse cerca de 22%, na variação acumulada em 12 meses. Os cortes com a maior inflação no ano foram costela (29,56%), pá (28,74%), acém (27,09%), músculo (22,62%), contrafilé (19,57%), patinho (19,11%), lagarto comum (18,93%) e alcatra (18,53%). No mês de dezembro a variação foi de 2,5%. Os dados são da pesquisa Índice de Custo de Vida por Classe Social (CVCS), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Além disso, o índice geral do CVCS – que reúne nove itens – registrou elevação de 0,74%, em dezembro, contra 0,36% em novembro. Esse aumento foi puxado principalmente pelos acréscimos dos custos com alimentação e bebidas, que subiu 0,69% e com vestuário (1,11%) e transportes (1,87%). Juntos, essas categorias comprometeram cerca de 50% da renda dos paulistanos. 

A elevação dos preços foi percebida principalmente pelas classes D e E. Para esses estratos sociais, as elevações observadas foram de 1,18% e 1,16%, respectivamente. O item com a maior alta mensal nos custos foi transportes, que registrou elevação de 4,86% para a classe D e 4,68% para a classe E. Por outro lado, as classes A e B foram as menos impactadas pelas altas verificadas no último mês do ano. Ambas descreveram variação de 0,48%.

O ano de 2014
O custo de vida do paulistano encerrou o ano de 2014 com alta de 6%, o equivalente a 0,16 (p.p.) acima do resultado obtido no ano passado (5,84%). O grupo alimentação e bebidas foi responsável por aproximadamente 35% de todo o aumento do indicador no ano, seguido por habitação, que representou pouco mais de 18% de todo o resultado no CVCS. Isso significa que apenas dois segmentos representaram 58% de todo o incremento acumulado no ano passado. Os setores encerraram o ano passado com altas acumuladas de 9,61% e 6,73%, respectivamente.

No acumulado de 2014, as classes de renda E e C foram as menos impactadas pelas altas nos preços, já que para esses estratos os acréscimos assinalados foram de 6,01% e 6,02%, simultaneamente . Entretanto, a classe A foi a que constatou a maior variação, encerrando o ano com 6,32%. 

IPV e IPS
A pesquisa da FecomercioSP analisa separadamente a alta de preços de produtos por meio do Índice de Preços do Varejo (IPV), e de serviços por meio do Índice de Preços de Serviços (IPS). Em dezembro, os preços dos produtos subiram 0,54% e fecharam o ano com variação positiva de 5,18%. O principal responsável pela elevação dos preços no ano foi o grupo alimentação e bebidas, que encerrou 2014 com alta de 9,39%. 

No índice que avalia os preços dos serviços, houve alta de 0,94% em dezembro e o ano encerrou com elevação de 6,86%. Entre os itens avaliados ganhou destaque a significativa alta de 50,17% dos preços da passagem aérea, devido a sazonalidade, e de 13,79% no acumulado do ano. O setor de hotéis, com variações de -2,21%, acumulou alta de 13,79%, e o cafezinho (1,94%) teve aumento anual de 12,15%.

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, em 2014 a inflação do CVCS e do IPV ficaram dentro da meta do governo (6,5%). Contudo, o IPS ultrapassou as metas em 0,36 pontos porcentuais, o que reforça a tendência de alta nos serviços, especialmente na região metropolitana de São Paulo.

Além disso, a assessoria ressalta ainda que os primeiros meses de 2015 devem apresentar alta nos preços dos produtos alimentícios, especialmente os in natura, por causa do aumento de chuvas. Os serviços também devem pressionar a inflação, já que houve aumento nas passagens de transporte público e ainda está por vir reajustes na energia elétrica.
 
Metodologia 
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utilizam informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contemplam as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços e o IPV, 181 produtos de consumo.
 
As faixas de renda variam de acordo com os ganhos familiares: até R$ 976,58 (E); de R$ 976,59 a R$ 1.464,87 (D); de R$ 1.464,88 a R$ 7.324,33 (C); de R$ 7.324,34 a R$ 12.207,23 (B); e acima de R$ 12.207,24 (A). Esses valores foram atualizados pelo IPCA de janeiro de 2012. Para cada uma das cinco faixas de renda acompanhadas, os indicadores de preços resultam da soma das variações de preço de cada item, ponderadas de acordo com a participação desses produtos e serviços sobre o orçamento familiar.