Economia

08/05/2018

Setor de turismo fecha 207 vagas formais em fevereiro, o terceiro saldo negativo consecutivo

Segundo a FecomercioSP, os segmentos de hospedagem e de eventos foram os principais responsáveis pelo desempenho geral negativo em fevereiro

São Paulo, 08 de maio de 2018 – O mercado de trabalho formal existente em decorrência da demanda dos turistas, a lazer ou a negócios, novamente registrou saldo negativo de empregos. Em fevereiro, 207 postos de trabalho formal foram fechados. Assim, o setor de turismo paulista encerrou o mês com um estoque ativo de 275.488 trabalhadores formais, leve queda de 0,4% em relação a fevereiro de 2017. No acumulado de 12 meses, o segmento de turismo paulista eliminou 1.130 empregos celetistas.

Os dados são da Pesquisa de Emprego do Setor de Turismo no Estado de São Paulo (PESP Turismo), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

No mês, os desempenhos das atividades de hospedagem e de eventos foram determinantes para o resultado geral negativo, eliminando 270 e 229 empregos com carteira assinada, respectivamente.

Entre as sete atividades analisadas, três registraram queda no número total de empregos com carteira assinada, na comparação com fevereiro de 2017, com destaque para transportes (-1,5%) e alimentação (-0,5%). Por outro lado, os segmentos de cultura e lazer (3,4%) e de eventos (2,7%) exibiram as maiores taxas de crescimento do estoque de empregados na mesma base comparativa.

No acumulado dos últimos 12 meses, enquanto o segmento de transportes fechou 1.597 vagas, com destaque para a atividade de transporte aéreo regular de passageiros – que extinguiu 1.008 postos de trabalho – e de operação de aeroportos, que eliminou 629 empregos, o de eventos criou 459 novas vagas, impulsionado pelos serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas (416 vagas), sendo 316 novas vagas apenas na capital paulista.

Para a presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Mariana Aldrigui, "há um movimento de transformação do tipo de vagas e das competências solicitadas aos profissionais de turismo. A combinação de mudanças na legislação trabalhista, o uso frequente de tecnologia como alternativa aos intermediários e a retomada da confiança por parte dos empresários – e famílias, por consequência – interferem nos empregos tradicionais e, possivelmente, será o setor de eventos o grande responsável pela expansão de vagas no Estado, ainda que o desempenho no mês tenha sido negativo".

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, o mercado de trabalho do setor de turismo paulista atravessa, desde meados de 2017, um momento de estabilização, alternando saldos positivos e negativos mês a mês. Com o fim das férias e da alta temporada, é natural que o setor ajuste o seu quadro de funcionários ao longo do primeiro trimestre.

Ainda segundo a Entidade, para 2018 se espera que haja estabilização desse mercado de trabalho. Com a recuperação do poder de compra das famílias e confiança dos empresários, aos poucos o número de viagens se incrementa, exercendo efeito positivo sobre as receitas e, consequentemente, sobre a sua capacidade de empregabilidade.

Nota metodológica
A Pesquisa de Emprego no Setor de Turismo do Estado de São Paulo é elaborada a partir de informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Nela são contempladas 85 atividades de acordo com os respectivos CNAES (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) de subclasse 2.0, divididos em atividades predominantemente turísticas e não predominantemente turísticas.

Para atingir o objetivo de mensurar o mercado de trabalho existente unicamente devido a demanda de viajantes, de lazer ou trabalho, nas atividades não predominantemente turísticas, foram identificados quais dos 645 municípios do Estado de São Paulo possuem mercado de trabalho com média superior de vínculos em comparação a base de referência estadual. Para isso se utilizou o tradicional medidor de vocação locacional, o Quociente Locacional (QL). Como aplicação dele, se permite através de percentuais estimados do estoque ativo de vínculos formais atingir uma projeção do tamanho do mercado de trabalho do setor de turismo da economia paulista.