Economia

13/04/2016

Theatro Municipal tem serviço de visitas guiadas gratuitas

Inaugurado em 1911, ponto turístico ainda é desconhecido para grande parte da população

Theatro Municipal tem serviço de visitas guiadas gratuitas

O Theatro tem visitas gratuitas às terças-feiras e às sextas-feiras, sempre às 11h e às 17h e, aos sábados, 12h

Apenas uma pequena parcela dos paulistanos sabe da riqueza cultural que há no Theatro Municipal de São Paulo. Casa de grupos artísticos como a Orquestra Sinfônica Municipal, o Balé da Cidade, o Coro Lírico Municipal, a Orquestra Experimental de Repertório e também a Escola de Dança de São Paulo e a Escola Municipal de Música, o local é aberto para visitas guiadas gratuitas. Foi em uma dessas visitas que conhecemos o mais famoso e importante teatro paulista, juntamente com outros visitantes. 

O teatro surgiu como um grande símbolo das aspirações cosmopolitas do início do século 20. Cada vez mais refinada e com mais recursos provenientes do ciclo do café, a alta sociedade paulistana espelhava-se em valores europeus e desejava uma casa de espetáculos à altura de suas posses. 

Em meados dos anos 1903, influenciado pela arquitetura da Ópera de Paris, iniciou-se o projeto da construção com traços renascentistas e barrocos na fachada, no escritório do engenheiro e arquiteto Ramos de Azevedo. A inauguração foi em 12 de setembro de 1911. 

Educação patrimonial 

Desde 2011, o programa Ação Educativapromove a educação patrimonial com visitas no local. De acordo com a coordenadora Alana Schambakler, em 2015 o programa recebeu 35 mil pessoas. A visita guiada mostra, em detalhes, aspectos muito interessantes das obras de arte, em sua maioria imitativas, mas nem por isso menos expressivas, assim como os costumes que influenciaram a elite de ontem. 

Musas gregas no hall 

A viagem pela história começa diante de duas esculturas de bronze, simbolizando as nove deusas das artes da mitologia greco-romana. A agradável sensação dessa experiência cultural e artística, em pleno corre-corre da babel futurística, é a mesma de quando ouvimos uma boa música, ou assistimos a um bom filme, ou apreciamos um concerto que nos encanta e anestesia as nossas dores, angústias ou quaisquer outros males do século que deixamos “lá fora”. 

No cume da primeira escadaria, que dá para a entrada da Primeira Ordem (as pessoas consideradas mais importantes da sociedade), há uma outra escultura de figuras femininas emoldurando o frontão da entrada das salas que hoje servem ao prefeito, ao governador do Estado, ao Secretário de Cultura e seus amigos e convidados. 

Os acessos de Segunda Ordem eram destinados aos médicos, engenheiros, advogados, arquitetos. E os de Terceira aos professores, estudantes, artistas. 

Mosaicos e marchetaria síria 

Dois enormes mosaicos de vidros coloridos retratam representações do famoso ciclo de quatro óperas épicas Der Ring des Nibelungen (O anel de Nibelungo), do compositor alemão Richard Wagner, cuja obra, por sua vez, também tem o dom de nos transportar e tirar os pesos reais de nossos ombros e mentes, ainda que temporariamente.

A ópera é uma adaptação de sagas da mitologia nórdica. Os Nibelungos eram um povo formado por anões, que habitavam a Terra das Neblinas. 

Mais adiante, na antessala da Primeira Ordem, onde logo nos deparamos com uma raridade de móveis do governo sírio oferecidos ao então presidente Jânio Quadros e doados ao Theatro em 1980. Mesas e assentos de estilo muito refinado trabalhados com a arte milenar da marchetaria, com incrustações de madeira nobre e madrepérolas, formando desenhos. 

No Salão Nobre 

O Salão Nobre do Theatro foi o templo de encontros para socialização da elite paulista e tem decoração inspirada na Galeria dos Espelhos do Château de Versailles, um dos maiores palácios do mundo, onde viveu toda a corte de Luís XIV.

O requintado salão nobre pode ser alugado e utilizado por empresários e políticos para a mesma finalidade de antes, com exceção aos bailes de carnaval. 

No teto, uma obra de um artista brasileiro, o professor e pintor Oscar Pereira da Silva, fundador do núcleo artístico que deu origem à Escola de Belas Artes de São Paulo, em 1897. Ele pintou os três murais: “O teatro na Grécia Antiga”, “A Dança” e “A Música”. 

As visitas acontecem de terça a sexta-feira, às 11h e às 17h e, aos sábados, 12h. Mais informações: (11) 3053-2092.

Confira a reportagem completa, publicada na revista C&S.