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Economia

13/12/2021

Xadrez Eleitoral: presidenciáveis precisam apresentar condições para reverter estagnação econômica

Primeiro ciclo de reuniões do CEEP avalia os pesos da economia, da digitalização e da percepção do eleitor sobre os candidatos nas eleições de 2022

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Xadrez Eleitoral: presidenciáveis precisam apresentar condições para reverter estagnação econômica

Grandes movimentos eleitorais tomam curso a partir de abril, pondera Paulo Delgado
(Arte: TUTU)

Com a proximidade das eleições de 2022, eleitores e setores da indústria, comércio e serviços ainda esperam dos possíveis candidatos à Presidência da República propostas que conjuguem o crescimento econômico, a reforma do Estado e o combate aos problemas sociais que estão agravando a situação de miséria – e que também consigam ir além da solução de problemas de curto prazo, como a inflação –, defende o economista Antonio Lanzana, copresidente do Conselho de Economia Empresarial e Política (CEEP) da FecomercioSP. 

No último dia 06, Lanzana participou da primeira edição do Ciclo de Encontros CEEP 2022: o Xadrez Eleitoral, debate com análises periódicas sobre o ambiente político-eleitoral realizado por especialistas e demais integrantes do conselho. O objetivo deste primeiro encontro foi esclarecer as movimentações dos partidos em direção aos principais cargos eletivos, apresentar levantamentos e dados – com a percepção da sociedade quanto aos nomes de presidenciáveis – e, ainda, “traduzir” como os interesses do setor produtivo têm sido contemplados em discursos e projetos para 2023. 

Lanzana lembrou que, há 40 anos, o Brasil tem apresentado um crescimento menor do que o do mundo, até mesmo em comparação à metade dos países emergentes. “Se tivéssemos acompanhado o mundo nos últimos dez anos, hoje teríamos um PIB [Produto Interno Bruto] 24% maior, mais empregos, mais consumo, mais moradias e mais recursos do que temos hoje para enfrentar a miséria”, ponderou. “Também espero mais propostas de reforma do Estado – que, hoje, tem um papel muito mais concentrador de riqueza do que distribuidor.”

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Incertezas e instabilidade da economia influenciarão o calendário eleitoral 

Já existem vários momentos decisivos do calendário eleitoral em curso, defendeu o sociólogo Paulo Delgado, também copresidente do CEEP. Contudo, o primeiro grande movimento começa em abril de 2022, reunindo três questões fundamentais. 

Naquele mês, haverá o fim do prazo para filiação partidária, em que os candidatos à Presidência, a governos estaduais e ao Congresso terão de decidir quais serão os “rostos” partidários. 

O segundo grande momento será a janela partidária, na qual deputados poderão mudar de legenda sem sofrer penalidade por infidelidade. Com isso, o mês de abril trará uma fotografia da força atual dos candidatos, colhida em 2018, além do potencial para 2022. 

O terceiro episódio de abril será a desincompatibilização de ministros do governo que tenham interesse em concorrer nas eleições. Delgado reforçou que, atualmente, espera-se que ao menos dez vagas de ministros sejam abertas no quarto mês do ano, o que irá provocar um surgimento de membros menos capazes do que os atuais ou, até mesmo, “figurativos”, até janeiro. 

Além disso, é importante se levar em conta que há uma sombra de ilegitimidade sobre o processo eleitoral, o que não ocorre apenas no Brasil, destacou o sociólogo. “Há, no mundo todo, um movimento em que se critica o processo como a melhor forma de se ganhar uma eleição. Critica-se aquilo que se deseja. A política está sendo movida por um eleitor digital mais líquido”, explicou. “Para além disso, o que os eleitores, o comércio e a indústria querem saber qual candidato é mais capaz de sintetizar o binômio ‘economia-democracia’ no Brasil.” 

Como o brasileiro digital se comporta? 

Qual o Brasil que os eleitos encontrarão em 2023? Para o diretor-executivo da empresa especializada em análise de dados Bites, Manoel Fernandes, para além de Brasília, das ressacas da eleição de 2018 e da pandemia, o Brasil real está muito mais ansioso e angustiado. “Em 2021, atingimos nos buscadores o maior patamar de interesse em como tratar ansiedade e depressão. O País que se coloca em 2023 está completamente nesta perspectiva de fragilidade das questões de saúde mental. Entretanto, a classe política não está enxergando isso.” 

Fernandes sinalizou que o brasileiro gasta, em média, dez horas por dia acessando a internet, em comparação a sete horas no restante do mundo. Além disso, a opinião do brasileiro em relação a temas políticos está sendo construída na web. São quase quatro horas diárias nas redes sociais. O diretor frisou que 73% das informações são consumidos online no País, e, como não dá para se aprofundar na leitura pelo celular, a volatilidade das opiniões vai aumentar muito nas proximidades do dia da eleição, de forma que não haverá mais espaço para política analógica, feita fora das redes

Fernandes ainda afirmou que as eleições de 2022 também aprofundarão os usos da Inteligência Artificial (IA), da simulação de voz e dos deep fakes, como forma de se chegar de maneira mais efetiva no eleitorado. “Teremos mais robôs produzindo informação para interagir com o eleitor. Teremos estas experiências nos níveis nacional e estadual. Em 2021, já foram publicadas 83 milhões de notícias online no Brasil. Não é possível controlar isso, controlar o que é fake news. Os ecossistemas de produção de informação alinhados à oposição ou ao governo irão se digladiar, são eles que controlam as ‘narrativas’.” 

Baixo engajamento 

Apesar de diversas pesquisas eleitorais já mostrarem os principais concorrentes presidenciáveis, o fundador e presidente do Idea Big Data, Mauricio Moura, comentou que o engajamento ainda é baixo quando não se apresenta nenhuma alternativa de candidato: quase 50% não conseguem sequer comentar o nome de algum, enfatizou. 

Ademais, a economia terá um papel na eleição que não se via há décadas. “As pessoas mudaram os hábitos de consumo. Trocaram arroz por massa, feijão por ovo, e estão deixando de comer carne. A percepção é de que os preços continuarão aumentando, e há um sentimento de que isso não irá melhorar. A economia terá um papel que não vejo desde 1994, uma combinação rara de desemprego ­­– principalmente na juventude ­–, aumento da pobreza e negócios fechando.”

Saiba mais sobre o Conselho de Economia Empresarial e Política (CEEP) clicando aqui.

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