No entanto, a inadimplência é a maior desde 2007
A quantidade de paulistanos com contas atrasadas (inadimplentes) é a maior desde setembro de 2007. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), 21,8% dos moradores da capital paulista têm contas em atraso em abril, o que equivale a 782,8 mil famílias. Em setembro de 2007, o total de famílias com contas atrasadas era de 23,5%, 1,7 ponto porcentual (p.p.) superior ao registrado no momento.
Por outro lado, o total de famílias endividadas e que não terão condição de pagar total ou parcialmente suas dívidas caiu. A PEIC revela que, em abril, 50,6% dos paulistanos estão endividados, o que equivale a 1,81 milhão de famílias. O número é o 1,6 p.p. menor do que o registrado em março, mas ainda está 2,3 p.p. acima do que o registrado no mesmo mês do ano anterior. Já a quantidade de famílias que não poderão honrar com seus compromissos recuou de 4,8% para 3,9%, o que representa 140,8 mil famílias.
A Assessoria Técnica da FecomercioSP pondera que o recuo no nível de endividados se deve, em grande parte, ao fim de prestações adquiridas no natal. A FecomercioSP aponta, ainda, que parte considerável dos inadimplentes tem suas dívidas atreladas ao financiamento de veículos automotivos, que concentra 10,2% das dívidas das famílias. Segundo dados do Banco Central (BC), o nível de inadimplência para o setor é de 5,52%, o mais alto desde o inicio da série em 2000.
Perfil da dívida
Em abril, 23,1% dos paulistanos afirmaram estarem comprometidos com dívidas por mais de um ano, 52,9% de três a doze meses e 20,6% por menos de três meses. A parcela da população que comprometeu entre 11% e 50% de sua renda mensal é de 56,9%. 22,3% comprometeram menos de 10% da renda familiar e 17,2% comprometeram mais de 50%.
Entre os consumidores com contas em atraso, 46,2% têm atrasos há mais de 90 dias, 19,2% têm contas atrasadas por até 30 dias e 33,1% do total de famílias estão com dívidas atrasadas entre 30 e 90 dias.
O principal meio utilizado para adquirir essas dívidas continua sendo o cartão de crédito, sendo que 76,2% dos paulistanos têm alguma dívida devido às compras pagas dessa maneira. A participação dos carnês caiu de 28,2% para 15,2%, ficando atrás do Crédito Pessoal, segunda forma mais comum de endividamento, que ficou em 19,6%. A Assessoria Técnica da FecomercioSP explica que essa redução se deu, principalmente, porque os consumidores estão quitando as dívidas que usualmente contraem nos carnês durante as promoções de início de ano.