Economia

06/12/2017

Banco Central acerta ao reduzir Selic para 7% ao ano, aponta FecomercioSP

Segundo a Entidade, há fatores importantes que mantêm as condições para redução de juros, como inflação baixa, desemprego ainda elevado e liquidez internacional

Banco Central acerta ao reduzir Selic para 7% ao ano, aponta FecomercioSP

Os dados do PIB do terceiro trimestre de 2017 indicam que o cenário é de recuperação, mas gradativa e lenta, o que possibilita a manutenção do ritmo de queda de juros 
(Arte:TUTU)

Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Banco Central (BC) acertou ao reduzir a taxa Selic em 0,5 ponto porcentual (p.p.), passando de 7,5% para 7% ao ano. Essa é a oitava redução consecutiva, só possível porque a atividade econômica ainda é mais baixa do que períodos pré-crise e inflação abaixo das expectativas.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano ao redor de 2,8% e há a previsão de que para 2018 fique abaixo de 4% (menos que o centro da meta). Para a assessoria econômica da FecomercioSP, diante dessa constatação, as taxas de juros podem cair mais um pouco e fazer com que em 2018 a média da Selic seja a menor da história. Nesse cenário, com a Selic até abaixo de 7% em média em 2018 e com a inflação a mostrar sinais de convergência para um patamar entre 3,5% e 4%, o Brasil atingirá uma taxa de equilíbrio dos juros reais de 3% a 3,5%, o que é ainda elevado diante de taxas internacionais, porém, muito mais razoável do que ocorria no País ao longo de duas décadas do Plano Real.

Veja também:
Vamos crescer abaixo do potencial pelo menos nos próximos três anos, diz Sérgio Werlang
FecomercioSP apresenta dicas para organizar o orçamento familiar no fim do ano
Em quase cem anos, o ICC criou uma “expertise” em processos para o comércio global, diz Daniel Feffer

Segundo a Federação, o BC tem se pautado em argumentos técnicos, com foco no ambiente político e os seus efeitos sobre a economia e sobre os mercados e faz política monetária olhando não apenas para a inflação presente e acumulada, ou somente para a taxa de desemprego e nível de atividade instantâneo, mas considera também as projeções futuras, os juros do mercado financeiro e o risco percebido pelos investidores. Como mostraram os dados do PIB do terceiro trimestre de 2017, tudo indica que o cenário é de recuperação, mas gradativa e lenta, o que possibilita a manutenção do ritmo de queda de juros sem colocar em risco as metas de inflação deste ano e do próximo.

A Federação ainda ressalta que toda essa expectativa pode ser revertida, dependendo do ambiente político em 2018. O tema mais relevante neste momento é a aprovação da Reforma da Previdência, sem a qual se espera uma deterioração da economia no longo prazo e uma reversão da curva descendente dos juros.