Economia

19/05/2017

“Democracias precisam dar participação significativa aos cidadãos”, diz Michael Sandel

Filósofo diz que pessoas ao redor do mundo sentem que partidos falharam em oferecer políticas adequadas

“Democracias precisam dar participação significativa aos cidadãos”, diz Michael Sandel

Para Michael Sandel, Brasil deve evitar abrir espaço para soluções extremistas na política
(Tutu)

A polarização entre as opiniões políticas não acontece apenas no Brasil. De acordo com o filósofo e professor de Harvard, Michael Sandel, essa tensão se deve ao problema da falta de participação dos cidadãos nas democracias mundo afora.

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“Isso não é um problema exclusivo do Brasil. As democracias ao redor do mundo enfrentam hoje a questão de como dar aos cidadãos uma participação significativa. Em muitas democracias o que vemos é uma revolta contra as elites e partidos políticos estabelecidos baseada no sentido de que eles falharam em realmente oferecer alternativas significativas na política”, afirma o filósofo em entrevista ao UM BRASIL.

Segundo o autor do livro “Justiça – O que é fazer a coisa certa?”, obra que vendeu mais de 100 mil exemplares no País, a divisão de opiniões deve ser preservada na Democracia, uma vez que o sistema deve proporcionar espaço para que os cidadãos exponham suas ideias.

“As pessoas discordam sobre política, as pessoas discordam sobre valores, mas acho que o que pode ser consensual é a deliberação pública onde todos os cidadãos tenham a oportunidade de expor seus argumentos e defender suas visões sobre o que deve acontecer na política, em suas comunidades e na economia”, ressalta Sandel.

Sobre justiça, que é tema de suas palestras, o filósofo diz que não se trata do desejo da maioria, mas significa “o respeito pela dignidade humana, aos direitos individuais e a liberdade das pessoas decidirem por si mesmas que tipo de vida desejam”.

Na entrevista, Sandel comenta o atual momento político do País. “Acho que é importante olhar o mundo para observar os erros de algumas sociedades democráticas na direção de soluções extremistas, nascidas de raiva e do ressentimento, e tentar resistir a isso, tentar criar um tipo de debate forte o suficiente entre os cidadãos para que o Brasil não seja vítima de soluções extremistas que vemos surgir em algumas outras sociedades democráticas ao redor do mundo”, afirma.

A entrevista faz parte da série “Diálogos que Conectam”, realizada pelo UM BRASIL em parceria com a Brazil Conference – evento realizado anualmente por alunos brasileiros da Harvard University e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.

Confira na íntegra abaixo: