Cidades

01/02/2016

Descentralização econômica é caminho para a mobilidade urbana, diz Mauricio Broinizi

Para o especialista, é preciso reduzir a emissão de poluentes e investir no transporte coletivo, principalmente sobre trilhos

Descentralização econômica é caminho para a mobilidade urbana, diz Mauricio Broinizi

Broinizi, da Rede Nossa São Paulo, diz que não há como separar mobilidade, saúde e meio ambiente. 
(Arte/TUTU)

Com informações de Rachel Cardoso

A mobilidade urbana é uma questão que desafia toda a sociedade e não será resolvida num passe de mágica mediante a adoção de uma ou outra medida isolada. Somente um conjunto de ações implementadas concomitantemente pode amenizar os entraves em uma metrópole do porte de São Paulo e melhorar a qualidade de vida da população. “Não existem consensos. Temos de construir acordos e promover uma descentralização econômica”, entende o coordenador da Secretaria Executiva da Rede Nossa São Paulo, Mauricio Broinizi.

Ele esteve presente na apresentação da 9ª Pesquisa sobre Mobilidade Urbana, em setembro, feita pelo Ibope Inteligência, a pedido da Rede e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O Ibope ouviu 700 paulistanos, com idade acima de 16 anos.

Na pesquisa, saúde despontou como área mais problemática da cidade, com 55% de citações, seguida por segurança pública (37%), educação (33%), desemprego (33%), trânsito (29%), transporte coletivo (27%), abastecimento de água (21%) e poluição (17%).

O estudo mostra que 59% consideraram a poluição do ar como a mais grave, ante 30% que citaram a da água.  Nos resultados do ano passado, esse porcentual era maior: 70% apontaram a poluição do ar, enquanto 18% escolheram a da água.  Ao todo, 62% dos entrevistados já tiveram problemas de saúde decorrentes da poluição na cidade.

Para o secretário de Saúde da capital paulista, Alexandre Padilha, é preciso alertar também para esse outro lado da questão. Além das doenças desencadeadas pela qualidade do ar cada vez mais precária, ele ressalta os custos relacionados aos índices de acidentes de trânsito.

Os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com reabilitação das vítimas são altíssimos: apenas em 2014, o atendimento de 9,5 mil pacientes na capital paulista custou aos cofres públicos R$ 16 milhões. “E esses cálculos não levam em conta os danos que demandam algum tipo de assistência permanente, pois há pessoas que nunca se recuperam completamente”, afirma Padilha.

Para Broinizi, da Rede Nossa São Paulo, não há como separar mobilidade, saúde e meio ambiente.  “O novo Plano Diretor de São Paulo vai muito nessa direção, ao procurar aproximar emprego e moradia para reequilibrar a cidade”, diz. Mas só isso não basta.  É preciso reduzir a emissão de poluentes e investir no transporte coletivo, principalmente sobre trilhos, para melhorar a qualidade de vida da população, de acordo com o especialista.

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