Economia

06/12/2018

Desemprego e inadimplência impedem avanço do consumo das famílias

Intenção de consumo das famílias cresce após as eleições, mas não o suficiente para que o empresário faça projeções animadoras para as vendas

Desemprego e inadimplência impedem avanço do consumo das famílias

Atualmente, 54,4% das famílias paulistanas afirmam consumir menos do que há um ano
(Arte: TUTU)

A falta de geração consistente de empregos e o alto grau de inadimplência das famílias paulistanas limitam os gastos e impedem o aumento do consumo. O empresário deve considerar esses empecilhos enfrentados pelas famílias na hora de planejar as vendas de fim de ano e aproveitar o momento para equilibrar o estoque.

Mesmo diante desse cenário, o resultado das eleições em outubro repercutiu no aumento do Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), medido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O indicador passou para 89,3 pontos em novembro, alta de 2,1% em relação ao mês anterior. Na comparação anual, o aumento foi de 8,2%.

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Cinco dos sete itens analisados pelo ICF registraram crescimento mensal e dois ficaram tecnicamente estáveis. O destaque no mês ficou por conta do item Perspectiva de consumo, que apontou alta de 4,4%, ao passar para 92,7 pontos em novembro. Mesmo com o bom resultado, o índice ainda está abaixo dos 100 pontos, ou seja, no grau de insatisfação.

Em contrapartida, a expectativa para o consumo no atual momento se manteve no patamar de alta insatisfação. O item Nível de consumo atual cresceu 2,4% em relação a outubro e atingiu 60,4 pontos. Atualmente, 54,4% das famílias paulistanas afirmam consumir menos do que há um ano.

O item Acesso a crédito conseguiu se recuperar após sete quedas consecutivas. Em novembro, o índice registrou 88,2 pontos, alta mensal de 4,2%. Agora, 42% dos entrevistados consideram o momento difícil para contrair um empréstimo para compras a prazo.

O item Momento para duráveis, que subiu 3,2% e atingiu 58,4 pontos em novembro, foi o item com pior avaliação do ICF no mês e o que menos evoluiu em relação a novembro do ano passado (2,4%). Isso mostra que 68,1% das famílias analisadas avaliam este como um mau momento para compras de bens duráveis, como televisão, geladeira, fogão etc.

No ICF, os itens que conseguiram uma variação maior estão ligados ao futuro baseado na visão mais positiva em relação ao mercado de trabalho. O item Perspectiva profissional, por exemplo, subiu 1,8% e atingiu, em novembro, 117,6 pontos, o patamar mais elevado desde março de 2015. Foram 55% dos entrevistados que responderam que acham que o responsável pelo domicílio terá alguma melhora profissional nos próximos seis meses – 5,5 pontos a mais do que há um ano.

Os paulistanos também estão satisfeitos com o atual trabalho. O item Emprego atual ficou tecnicamente estável em novembro e se manteve com 110 pontos. Ou seja, a maioria diz que está mais segura no seu emprego em relação ao ano passado.

O item Renda atual permaneceu em 97,8 pontos, próximo do ponto de indiferença (100 pontos), quando se igualam respostas positivas e negativas.

Faixa de renda
Na análise por faixa de renda, o grupo com renda superior a dez salários mínimos é o que mais cresceu. O indicador subiu 2,9%, ao passar para 95,2 pontos em novembro. Para o grupo com renda abaixo de dez salários mínimos, o índice subiu 1,7% e ficou em 87,3 pontos. No entanto, o grupo com renda mais baixa foi o que mais evoluiu na comparação anual, 8,7% contra 6,7%.