Economia

25/02/2016

Despesas de janeiro elevam em 23,7% a intenção de empréstimos

Resultado foi motivado pelo aumento de 1,8 ponto porcentual na proporção de consumidores que pretendem contrair financiamentos

Despesas de janeiro elevam em 23,7% a intenção de empréstimos

Contas dos consumidores no início do ano aumentaram a proporção dos que pretendem contrair empréstimos
(Arte TUTU)

Em fevereiro, a intenção das famílias paulistanas de tomar empréstimos cresceu consideravelmente em relação ao mês passado. Após uma série de oscilações entre quedas e elevações leves, o Índice de Intenção de Financiamento registrou crescimento de 23,7% em fevereiro - porém, se comparado ao mesmo mês de 2015, o indicador retraiu 23,3%.

Os dados são da Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Segundo a Entidade, os compromissos assumidos pelos consumidores no início do ano, como IPVA, IPTU, material escolar, entre outros, ajudaram a aumentar a proporção de pessoas que pretendem contrair empréstimos nos próximos três meses, a qual passou de 8,1% para 9,9%.

O índice de segurança de crédito, que mede a capacidade do consumidor de pagar dívidas, também registrou aumento (9,4%) no comparativo com janeiro e passou de 76,7 para 84 pontos. Em relação ao mesmo mês de 2015, a elevação foi de 8,7%. Entre os endividados, a alta mensal foi de 16,1%, enquanto entre os não endividados, o indicador subiu 5%. No comparativo anual, o índice de segurança de crédito dos endividados caiu 9,3%, enquanto o dos não endividados aumentou 27,5%.

Para a FecomercioSP, o aumento da intenção em contrair dívidas pode ser explicado pela necessidade do consumidor de complementar o orçamento doméstico. Quanto ao aumento da segurança de crédito, segundo a Entidade, ainda é cedo para afirmar que essa melhora seja definitiva.

A assessoria econômica da Federação explica essa percepção pelo cenário negativo que se desenha no País, com desemprego - que deve se elevar consideravelmente até a metade do ano -; pela oferta de crédito, que deve continuar restrita; pelo PIB e pelas vendas, que continuarão em queda; e pelos investimentos, que devem permanecer muito baixos. Ainda colaboram para o resultado negativo a falta de um ajuste fiscal (improvável que aconteça no médio prazo) e a inflação, que deve se manter elevada a médio prazo.

Aplicações

A poupança se mantém como a preferida dos entrevistados e, apesar de voltar a crescer após alguns meses de queda, ainda tem perdido espaço relativo para renda fixa, fato que tende a se acentuar em 2016 em razão da inflação e da taxa Selic elevadas. O porcentual de entrevistados que têm como principal aplicação a poupança passou de 67,4% em janeiro para 70,2% em fevereiro, enquanto no mesmo período de 2015 a preferência era de 73,6%.

De acordo com a Federação, a tendência é de que, enquanto os juros se mantiverem altos, haja migração para aplicações de renda fixa, o que reduzirá essa diferença de apostas. A opção pela renda fixa passou de 14,4% em janeiro para 18,6% em fevereiro, um crescimento de 4,2 pontos porcentuais. Em fevereiro de 2015, a aplicação era a principal opção de 11,2% dos paulistanos.

A proporção de entrevistados cuja principal aplicação é a previdência privada, por sua vez, caiu 3,3 pontos porcentuais e passou de 9,3% em janeiro para 6,6% em fevereiro. Em relação ao mesmo mês de 2015, a previdência sofreu queda de 0,2 p.p., quando atingiu 6,8%.