Sustentabilidade

31/07/2017

Despoluição dos lagos do Ibirapuera será feita com plantas filtrantes nativas

Processo de limpeza das águas será o mesmo utilizado no Rio Sena, em Paris

Despoluição dos lagos do Ibirapuera será feita com plantas filtrantes nativas

Estudos preliminares do projeto foram iniciados em maio e têm previsão de conclusão em até 12 meses (Arte: TUTU)

Parceria entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa francesa Phytorestore fará com que os dois lagos do Parque do Ibirapuera, um dos principais cartões-postais da capital sejam despoluídos. O grande diferencial é que a limpeza das águas será realizada por meio de plantas nativas, em um processo sem agentes químicos, que não gera lodo ou odor. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) destaca que a iniciativa das instituições é excelente, uma vez que a despoluição de rios, córregos e lagos é fundamental para a qualidade de vida da população.

O processo de descontaminação da água, segundo a multinacional, será semelhante ao utilizado no Rio Sena, em Paris. Por meio da biotecnologia, serão criados jardins filtrantes com plantas aquáticas nativas, que irão despoluir a água de forma natural e constante, utilizando as raízes. Durante o processo, não será necessário esvaziar os lagos nem retirar os animais que vivem neles.

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“A técnica que será utilizada é a da fitorremediação, capaz de fazer a despoluição das águas pelas plantas. Embora seja algo inovador para o Brasil, o processo tem mais de 27 anos é muito divulgado e utilizado na Europa e nos Estados Unidos. Agora, começa a ser usado de forma intensa na Ásia”, explicou a diretora-geral da Phytorestore do Brasil, Lilian Hengleng.

Quando concluído, o projeto trará um aumento no valor paisagístico do Ibirapuera, pois as plantas que serão utilizadas florescem em pouco mais de um mês. A Phytorestore ressalta que, apesar da tecnologia ser francesa, ela já foi "tropicalizada" para ser implantada em São Paulo. “Não vamos utilizar nenhuma espécie exótica. Não traremos nenhuma planta de fora. Não haverá plantas flutuando, um medo que as pessoas têm por causa de projetos que não deram certo na década de 1980 aqui no País. No passado, foram feitas experiências com espécies como aguapé e alface-d’água. Elas descontaminam a água, mas geram uma espécie de matéria verde que acaba fechando o corpo hídrico, causando outros tipos de problemas”, pontua a diretora.

A prefeitura afirmou, em nota, que os estudos preliminares do projeto foram iniciados em maio e têm previsão de conclusão em até 12 meses. Entretanto, a elaboração do projeto executivo levará até oito meses para ser concluída a partir da finalização dos estudos preliminares. De acordo com a administração municipal, assim que essas etapas forem finalizadas, a implantação será iniciada. O valor do investimento é de R$ 1,2 milhão e será doado pela própria Phytorestore.

"Nós vamos doar os estudos e o projeto. Após essas etapas, vamos convidar empresas que queiram participar do custeio da obra. Nós já temos algumas empresas interessadas, clientes nossos inclusive, para atuar como parceiros. Já recebemos a doação de 16 mil mudas de plantas", garantiu Lilian, que completou dizendo que a empresa pretende aplicar o mesmo modelo de trabalho em outros cursos d'água de São Paulo. “Temos um estudo semelhante feito para o Rio Pinheiros. É um projeto grande e estamos conversando com os responsáveis.”

A assessora do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP, Cristiane Cortez, acredita que, após a despoluição dos lagos, o volume de visitantes deve aumentar no Ibirapuera. “A limpeza dos lagos tornará o ambiente visualmente mais agradável, contribuindo para o lazer. Entretanto, a poluição com resíduos sólidos também deve ser combatida. Os frequentadores do parque devem ser conscientizados sobre a necessidade de descartar os resíduos nas lixeiras, pois o vento, a chuva, acabam carregando os detritos sólidos para os lagos”, orienta.

Centro de Educação Ambiental

Após a conclusão das obras, o Parque Ibirapuera ganhará um Centro de Educação Ambiental, fomentado por meio de um acordo de cooperação de pesquisa científica entre a França e o Brasil. O local irá promover a troca de informação e tecnologia sobre a água e o uso do solo entre universidades paulistas e francesas.

“A limpeza das águas começa ali, com a coleta adequada dos resíduos sólidos. Cuidar desse passivo ambiental é um dever da nossa geração, é uma conta que não podemos colocar no colo do futuro”, finaliza Lilian Hengleng.

 

Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) lançou a sexta edição do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade, com inscrições abertas até 20 de novembro de 2017.

A nova edição tem como tema os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de uma agenda mundial adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU), com 169 metas a serem atingidas pela humanidade até o ano de 2030. Essas medidas envolvem ações nas áreas de consumo e produção sustentáveis, erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, entre outras.

Serão reconhecidos projetos com foco nos princípios da sustentabilidade. As categorias contempladas são: empresa; indústria; órgão público; academia; reportagem jornalística; e entidades empresariais.

Os finalistas serão anunciados em fevereiro de 2018. Os vencedores receberão títulos de capitalização ou previdência, no valor de R$ 15 mil, e troféu. Os trabalhos classificados em segundo e terceiro lugares também serão reconhecidos.