Negócios

21/03/2016

Dólar deve fazer atacado de chocolate ter alta 5,7% menor do que em 2015

Variação cambial afeta preços do cacau e do açúcar, que estão entre os principais insumos na Páscoa

Dólar deve fazer atacado de chocolate ter alta 5,7% menor do que em 2015

Atacado do chocolate tenta driblar os impactos da alta do dólar no mercado
(Arte TUTU)

Por Deisy de Assis

Embora seja prevista uma alta nas vendas em 2016, gerada pela demanda de Páscoa, o setor de atacado do chocolate espera uma desaceleração do crescimento em relação ao ano passado, por influência da alta e oscilações do dólar.

Na rede Chocolândia, por exemplo, a perspectiva é que o faturamento em 2016 seja 5,3% maior que o registrado em 2015. A expectativa, que podia parecer positiva no contexto da crise brasileira, não é vista com tanto otimismo. No ano passado, a alta em relação a 2014 foi de 11%, o que mostra que o crescimento deste ano será 5,7% menor.

“Todos os fatores da economia nacional interferem no atacado, também por influenciarem os comportamentos do varejista e o do consumidor final. Por isso, o setor vai perder velocidade no crescimento”, comenta o diretor-proprietário da Chocolândia, Osvaldo Nunes, que ressalta que 65% das vendas nas lojas da rede são feitas na modalidade atacado.

Para o vice-presidente de chocolate da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Ubiracy Fonseca, as crises econômica e política que o Brasil está enfrentando atualmente são negativas para o crescimento do segmento.

De acordo com Fonseca, há uma variação cambial muito grande que afeta o preço do cacau, commodity negociada em dólar nas bolsas de Nova York e Londres. “Além disso, há os insumos como açúcar (que aumentou 30%) e o leite, as contratações temporárias, a distribuição e os impostos, e o aumento de custos de distribuição em virtude do aumento dos combustíveis.”

Levantamento realizado pela FecomercioSP aponta que os chocolates em barra e bombons já tinham subido 12,35% nos últimos 12 meses até fevereiro, ou seja, mais do que a inflação do mesmo período, que, pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) somou 10,36%.

Confiança sazonal

Apesar da desaceleração no setor, a confiança em um índice razoável nas vendas é um ponto positivo para o varejo e, por consequência, para o atacado, do qual o comércio varejista demandará produtos.

“Acreditamos que o consumidor brasileiro valoriza muito esse momento de confraternização, mantendo a tradição de presentear família e amigos com ovos de chocolate”, afirma o gerente de marketing da Nestlé, André Laporta.

Ele considera que o consumidor, em contextos econômicos mais sensíveis, poupa nos itens básicos, mas não nos que lhe proporcionam momentos de prazer, os considerados pequenos “mimos”. “A Páscoa tem essa característica para o brasileiro, de estar em família.”

Diante do cenário, Laporta diz que as ações adotadas para o período se baseiam, principalmente, na oferta de produtos diversos, para atingir diferentes perfis de consumidor, ampliando para o varejista as possibilidades de venda. “Preço, qualidade e conhecimento da marca também são fatores considerados no momento da compra.”