Negócios

24/09/2014

E-commerce aposta em aplicativos de reconhecimento visual de produtos

A ferramenta permite que o usuário envie foto da mercadoria para realizar a compra e receber o item em casa

E-commerce aposta em aplicativos de reconhecimento visual de produtos

Com o número cada vez maior de brasileiros com acesso aos smartphones, as empresas vislumbraram a oportunidade de oferecer mais facilidades aos clientes por meio de aplicativos para o e-commerce, como o de reconhecimento visual de produtos.

O aplicativo desenvolvido pela startup de tecnologia VTX reconhece o produto por meio de fotografia tirada pelo usuário e permite a compra da mercadoria pela própria ferramenta, conforme sistema definido pela loja que adquiriu o programa para facilitar as vendas aos clientes.

O diferencial do aplicativo da VTX, destaca Eduardo Monteiro, CEO da empresa, é o reconhecimento pela própria imagem do produto, sem a necessidade do código de barras ou o “QR Code” - um código de barras em 2D que, ao ser fotografado pela câmera do celular, passa por uma decodificação e direciona o usuário a um trecho de texto, link ou conteúdo publicado em algum site.

De acordo com ele, a ideia de desenvolver o aplicativo surgiu durante uma passagem dele e dos sócios pela Virginia Tech, o Instituto Politécnico da Universidade Estadual da Virgínia, nos Estados Unidos, em um trabalho com bancos de dados de produtos. “Apresentamos a primeira versão em janeiro de 2013 para a Netshoes, que ficou sabendo da ferramenta e entrou em contato conosco, mas o índice de acerto no reconhecimento dos produtos oscilava entre 30% e 40%. Foi então que criamos um algoritmo de ‘edge detection’, ou detecção de extremidades, e com isso o aplicativo passou a acertar 96% dos produtos, que inicialmente eram tênis”, conta Monteiro.

O aplicativo permite ainda que a loja ofereça aos clientes a opção de escolha de um produto similar ao fotografado, com a sugestão dos itens na tela. Monteiro define o aplicativo criado pela VTX como uma poderosa ferramenta de busca para varejistas do comércio eletrônico que comercializam produtos por dispositivos móveis, com possibilidade de melhora nas vendas.

Em breve, redes varejistas norte-americanas deverão também oferecer esta facilidade aos seus consumidores, conta o executivo, que esteve no país recentemente para negociações. Com isso, a expectativa da empresa é passar dos atuais R$ 200 mil de faturamento mensal para R$ 400 mil mensais em 2015, considerando apenas os clientes brasileiros (hoje são seis). Já as empresas norte-americanas deverão obter faturamento de R$ 150 mil mensais ainda em 2014 e de R$ 450 mil a R$ 500 mil no próximo ano.

Da livraria à farmácia

Não são apenas as redes de vestuário e artigos esportivos que podem oferecer a ferramenta aos seus consumidores. A mais recente varejista a adotar o aplicativo de reconhecimento visual de produtos da VTX foi a Saraiva, que lançou a “Estante Interativa” na 23ª Bienal Internacional de Livros de São Paulo. Por meio do app Saraiva, disponível para os sistemas operacionais Android e iOS, o usuário aponta seu dispositivo na direção do painel com imagens de obras literárias e é redirecionado ao e-commerce, onde pode comprar o produto com um clique e contar com a comodidade de recebê-lo no endereço indicado.

“O inovador lançamento do aplicativo demonstra o compromisso do Grupo Saraiva em proporcionar uma experiência única ao consumidor. Contamos com uma atuação multicanal, ou seja, disponibilidade de produtos e serviços tanto no e-commerce quanto nas lojas físicas”, explica Guilherme Farinelli, diretor de E-Commerce do Grupo Saraiva.

O executivo não divulga quanto a empresa espera que a ferramenta colabore para o aumento das vendas, mas conta que futuramente todos os produtos comercializados pela Saraiva poderão ser adquiridos pelos clientes por meio do aplicativo. Ainda de acordo com ele, a Saraiva realizou reforço na área de user experience (UX) e no Atendimento ao cliente (SAC) para dar suporte aos usuários que tiverem dúvidas no funcionamento da solução.

No ramo farmacêutico, a Netfarma apostou no aplicativo para incrementar as vendas de produtos de saúde e beleza a partir de foto de celular ou tablet. Além da identificação do produto pela imagem, o app também aceita imagens de receita médica, que é automaticamente encaminhada para a equipe de farmacêuticos.

Para divulgar a novidade, em maio deste ano a farmacêutica online colocou prateleiras virtuais nas estações Sumaré e Santos-Imigrantes, na linha verde do Metrô de São Paulo, com fotos de sabonetes, xampus e fraldas, convidando o usuário a baixar o aplicativo, comprar os itens na hora e aguardar a entrega em casa. A ação durou cerca de um mês e resultou em 20 mil downloads do aplicativo.

Como o resultado foi positivo, a ação foi levada para o estande da Netfarma na Beauty Fair, uma das maiores feiras de beleza da América Latina, realizada no início de setembro em São Paulo. De acordo com Edilaine Godoi, diretora de marketing da Netfarma, com a presença na feira, o número de downloads do aplicativo praticamente dobrou.

O próximo passo na divulgação do aplicativo é uma ação em parceria com o laboratório farmacêutico Takeda, dono da marca Neosaldina, que terá banners em 300 locais da capital paulista, como pontos de ônibus e de táxis, com uma explicação sobre o funcionamento da ferramenta. “Mostramos sempre o potencial do aplicativo; a ideia é utilizá-lo na estratégia de longo prazo”, diz Edilaine.

Segundo ela, o percentual das vendas feitas por meio de dispositivos móveis (o que inclui as vendas por meio do aplicativo) passou de 7% do total há três meses para 12% atualmente. A meta é ampliar esse índice para 20% até o fim do ano.

“Para isso, estamos investindo em mídia para divulgar as ferramentas que podem ser utilizadas pelo consumidor para fazer as compras tanto de produtos de beleza quanto medicamentos”, comenta. Por enquanto, as ações estão concentradas em São Paulo, mas a gerente conta que há negociações com empresas de outros estados para ampliar a divulgação.

Tendência

As vendas por meio de dispositivos móveis são uma realidade no Brasil e tendem a crescer cada vez mais. Em janeiro de 2012, apenas 0,8% das vendas no e-commerce brasileiro eram feitas por meio de tablets e smartphones. No mesmo mês, em 2013, o número subiu para 2,5%. Em 2014, a estimativa é de que, até o fim do ano, 10% das compras online sejam realizadas a partir de dispositivos móveis, segundo pesquisa da E-Bit.

O crescimento das vendas por dispositivos móveis acompanha a ampliação do número de smartphones entre os brasileiros. De janeiro a maio de 2014, as vendas de telefones celulares atingiram 28,2 milhões de unidades, conforme dados da IDC, agregados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o que representa crescimento de 8% em relação aos cinco primeiros meses de 2013. Deste total, foram comercializados 8,6 milhões de aparelhos tradicionais, o que significou queda de 41% sobre o mesmo período do ano passado, e 19,5 milhões de smartphones, incremento de 71%.

Com este resultado, os smartphones passaram a representar, no final de maio de 2014, 76% do mercado de celulares. Para 2014, a previsão é de que sejam comercializados cerca de 64,9 milhões de telefones celulares, sendo 46,8 milhões de smartphones e 18 milhões de tradicionais.