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Economia

Endividamento das famílias na capital paulista atinge maior nível em três anos

São 3,28 milhões de lares com algum tipo de dívida e 946 mil famílias inadimplentes

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Endividamento das famílias na capital paulista atinge maior nível em três anos
A inadimplência se manteve estável em abril, ao atingir 21% das famílias. Em março, esse número era de 20,9%

O endividamento das famílias paulistas chegou a 72,9% em abril, o maior nível em três anos, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O índice era de 71,1% em março, e de 70,2% em abril do ano passado. São 3,28 milhões de lares na capital com algum tipo de dívida [gráfico 1].

[GRÁFICO 1]

Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC)

12 meses

Fonte: FecomercioSP

 

Segundo a FecomercioSP, a alta reflete o impacto da inflação de março sobre o orçamento familiar. Com os preços de alimentos e combustíveis pressionados e agravados pelo conflito no Oriente Médio, parte dos lares passou a recorrer ao crédito para cobrir despesas do cotidiano. O mercado de trabalho aquecido ainda evita que o quadro se agrave com mais rapidez, mas a pressão sobre as finanças vem crescendo de forma consistente.

Cartão de crédito é o principal fator de endividamento 

O avanço do endividamento foi observado em todas as faixas de renda. Entre as famílias que ganham até dez salários mínimos, o porcentual subiu de 74,5% para 76,3%. Entre as de renda superior a dez salários mínimos, a alta foi de 61,3% para 63,1%. O cartão de crédito segue como a principal modalidade de dívida, presente em 79,6% dos casos, reflexo de que muitas famílias recorrem ao crédito rotativo para manter o consumo do dia a dia [gráfico 2].

[GRÁFICO 2]

Modalidades de dívidas das famílias paulistanas

Abril de 2026

Fonte: FecomercioSP 

A parcela da renda comprometida com dívidas recuou levemente — de 26,7% em março, para 26,5% em abril, número abaixo dos 29,2% registrados no mesmo período de 2025. O prazo médio das dívidas também caiu, de 7,5 para 6,8 meses, na comparação com abril do ano passado. Esse é um indicador de que as famílias estão buscando crédito de prazo mais curto, voltado para despesas imediatas (como alimentação e contas básicas), e não para a aquisição de bens ou projetos de médio e longo prazo. A renda, para muitos lares, não está sendo suficiente para fechar o mês.

O tempo de comprometimento de renda com dívidas no prazo de até três meses subiu para 33,6% em abril, acima dos 32,1% de março e dos 28,1% registrados no mesmo período do ano passado. Esse é um movimento típico do cartão de crédito, modalidade de curto prazo que foi escolhida pelos endividados. Já no prazo de até um ano, o índice recuou levemente (de 35% para 34,3%) e segue bem abaixo dos 41,3% registrados no mesmo período do ano passado — perfil associado a financiamentos de maior duração, como os de imóveis e veículos. 

[GRÁFICO 3]

Tempo de comprometimento com dívida

Abril de 2026

Fonte: FecomercioSP 

946 mil famílias paulistas com contas em atraso 

A inadimplência se manteve estável em abril, ao atingir 21% das famílias. Em março, esse número era de 20,9%, e no mesmo período do ano passado, de 20,6%. São 946 mil famílias com pelo menos uma conta em atraso na capital. Entre o total dos lares, 9,1% declaram não ter condições de quitar as dívidas — em março, o indicador registrava 8,9%. Trata-se de um grupo que dificilmente consegue se recuperar sem algum tipo de renegociação. Na faixa de menor renda, esse porcentual avançou de 11,4% para 11,8%, enquanto entre as de renda mais alta permaneceu estável em 3,3%.

As famílias estão levando mais tempo para regularizar sua situação: o tempo médio de atraso das dívidas subiu de 60 para 66,6 dias, com crescimento nos casos entre 30 e 90 dias. No entanto, a intenção de contrair novo crédito nos próximos três meses também cresceu, passando de 11,4% para 12,2%. Desse grupo, 83,7% pretendem usar os recursos para consumo e compras do cotidiano, e apenas 10% para quitar dívidas existentes, o menor índice desde junho de 2025. O cenário sugere que o ciclo de endividamento tende a se manter nos próximos meses.

A FecomercioSP analisa que, no curto prazo, a tendência é de leve piora da inadimplência. A conjuntura ainda está distante de uma crise, mas a combinação de endividamento em máxima histórica recente, atrasos mais longos, expansão do crédito de curto prazo e pressão inflacionária persistente merece atenção. Qualquer enfraquecimento do mercado de trabalho pode acelerar essa deterioração.

A Entidade avalia que as medidas do Desenrola 2.0 do governo federal têm eficácia limitada, por ser paliativa. Os descontos ajudam quem já tem alguma capacidade de pagamento, mas não resolvem a situação de quem simplesmente não consegue pagar. A eventual liberação do FGTS pode oferecer um alívio pontual, mas não combate o problema na raiz. Segundo a Federação, o caminho mais efetivo passa pela redução dos juros cobrados ao consumidor, pela ampliação da educação financeira e por políticas que garantam a sustentação da renda de forma consistente.

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