Negócios

13/05/2016

Identificar pontos fortes e fracos ajuda no sucesso do negócio

Empresários buscam consultorias para aprender a fortalecer marca pessoal; outro ponto importante é aliar a técnica à gestão

Identificar pontos fortes e fracos ajuda no sucesso do negócio

Especialistas destaca que, além dos diversos cursos existentes no mercado, também há conteúdos gratuitos disponíveis na internet
(Arte/TUTU)

Por Jamille Niero 

O empresário Daniel Lima, que há 15 anos tem uma companhia especializada em automação residencial, buscou, em 2016, um curso fora daqueles considerados “tradicionais” para empreendedores. Visando melhorar a operação do seu negócio, ele contratou uma consultoria especializada em branding e participou de um projeto de “ibranding”, focando sua “marca pessoal”. 

Segundo Lima, o trabalho consistiu em identificar seus pontos fortes e fracos e, ao invés de tentar melhorar os últimos, trabalhar os primeiros. “Eu não sou organizado na área financeira, pois é algo que não gosto muito, e identifiquei isso no ibranding”, diz o empresário, relatando que aprendeu também que não precisa gostar dessa área ou nela se desenvolver, mas, sim, monitorá-la. Afinal, como responsável pela companhia, ele necessita saber quais são seus gastos e onde investir mais, por exemplo. 

“Chamamos um consultor financeiro para organizar as coisas. Hoje, ao invés de achar que é algo ruim, tenho relatórios detalhados para saber como o dinheiro entra e de que forma é gasto, mas de maneira sucinta e simples. Melhorei a operação e me sinto mais confortável no gerenciamento, gasto menos tempo com isso, posso focar os clientes, e a casa está mais organizada do que antes”, afirma Lima.   

O principal público de Sabrine Dornelles, consultora contratada por Lima, é composto de pequenos e médios empreendedores dos setores de comércio e serviços, além de diretores e profissionais responsáveis pela decisão estratégica do negócio, sejam proprietários ou funcionários.  

“Tenho todos os perfis de clientes, das companhias mais antigas que precisam se reestruturar a profissionais liberais como arquitetos, dentistas e médicos, que têm clínicas, por exemplo, mas não sabem como cobrar, como se relacionar com o cliente ou treinar a equipe”, comenta Sabrine, que oferece seus serviços com metodologia própria há cerca de dois anos. 

Ela explica que, no caso dos clientes responsáveis por corporações, o trabalho de ibranding é personalizado, desenhado a partir de uma análise dos ideais do empresário. Em seguida, é montada uma estratégia que passa também pela contratação de funcionários que seguem os mesmos princípios, e não apenas de acordo com as competências profissionais, como falar inglês ou ter experiência na área. 

“Em geral, definimos quais são os valores reais,; não os que todos querem ter, mas aqueles que são expressos pelo proprietário. Quem toca o negócio imprime seus ideais. Não adianta colocar algo como valor e trabalhar isso na comunicação se não é algo feito na empresa, porque causa sensação de falsidade. O cliente vê uma coisa linda escrita na parede e na prática vê outra, o que causa desconfiança”, aponta a especialista. 

Em muitos casos, a atuação de Sabrine inclui explicar ao cliente que é preciso contratar advogados e contadores para formular contratos ou cuidar do financeiro. “Ensinamos o básico do básico, o que já gera um impacto absurdo no faturamento”, acrescenta Sabrine.

Competências aliadas 

Segundo Marina Sierra de Camargo, coordenadora da área de empreendedorismo do Senac São Paulo, para que o empresário tenha sucesso, esteja o empreendimento no início ou já em funcionamento, é essencial unir técnica e gestão. “Antigamente, quem empreendia eram pessoas ótimas na governança, mas pouco criativas, modernas ou atualizadas em relação às tendências. Hoje, vemos que o jovem quer ganhar dinheiro rapidamente, mas muitas vezes não está tão capacitado com as ferramentas de trabalho e acaba tendo problemas no gerenciamento. O que mais indicamos é a capacitação na administração, porque não adianta ser bom apenas na técnica”. 

Marina destaca que, além dos diversos cursos existentes no mercado, a exemplo da ampla oferta do Senac São Paulo, também há conteúdos gratuitos disponíveis na internet, como o YouTube.  

Para quem decide abrir um negócio após anos trabalhando como funcionário, a docente frisa a importância de buscar qualificação/certificação/aprimoramento em técnica e gestão. “Não existe a opção de empreender sem conhecer a área na qual está indo atuar, mas só a administração também não adianta. Como lidar com os fornecedores se não conheço a área? Como negociar custo e produto?”.