Economia

05/02/2016

Número de famílias paulistanas endividadas volta a subir em janeiro

Segundo pesquisa da FecomercioSP, total de famílias com dívidas passou de 1,792 milhão em dezembro para 1,857 milhão em janeiro

Número de famílias paulistanas endividadas volta a subir em janeiro

Pelo segundo mês consecutivo, o número de famílias endividadas aumentou na capital paulista. Em janeiro, 51,8% das famílias paulistanas possuíam dívidas - alta de 1,8 ponto porcentual em relação ao mês passado. Em relação ao mesmo período do ano anterior, quando atingiu 39,3%, a proporção de endividados cresceu em 12,5 pontos porcentuais. Em termos absolutos, o número de famílias endividadas passou de 1,792 milhão em dezembro para 1,857 milhão em janeiro. Na comparação com janeiro de 2015, houve uma alta de 450 mil famílias com dívidas.

Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

De acordo com os assessores econômicos da Entidade, a alta do número de famílias endividadas no primeiro mês de 2016 está relacionada ao aumento de gastos dos consumidores com as festas de fim de ano, que impactam significativamente o orçamento neste inicio de 2016. Além disso, os consumidores endividaram-se em razão do cenário econômico, no qual a alta de preços de bens e serviços essenciais e o encarecimento do crédito pressionaram o orçamento.

A proporção de endividados permanece maior entre as famílias de baixa renda (56,1%, com alta de 2,9 pontos porcentuais em relação a dezembro). Já a proporção de famílias endividadas com renda superior a dez salários mínimos sofreu redução 1,4 ponto porcentual em relação ao mês anterior e atingiu 39,3% em janeiro.

Em relação ao prazo das dívidas, a pesquisa revela que 36,6% dos endividados têm dívidas com prazo superior a um ano; 25,6%, de até três meses; 19,6%, entre três e seis meses; e 16,5%, entre seis meses e um ano.

Inadimplência
Em janeiro, 17,2% das famílias paulistanas disseram estar com as contas em atraso, proporção muito similar à de novembro e dezembro, mas 6,3 pontos porcentuais superior em relação ao mesmo período em 2015 (10,9%). Em números absolutos, o total de famílias com contas atrasadas atingiu 615 mil.

Entre as famílias com contas em atraso, 54,2% têm contas vencidas há mais de 90 dias; 22,9% têm contas atrasadas entre 30 e 90 dias; e 20,5% do total de famílias estão com atrasos de até 30 dias.

Entre as famílias com renda inferior a dez salários mínimos, a proporção de inadimplentes ficou em 20,7% no mês de janeiro, 1 ponto porcentual superior ao valor registrado no mês anterior. Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, as famílias de menor renda são mais dependentes de crédito e sofrem mais com a alta dos preços, especialmente de bens essenciais.

Por outro lado, entre as famílias de renda superior a dez salários mínimos, a proporção de endividadas apresentou melhora e passou de 10,8% em dezembro para 8,8% no início do ano.

Em janeiro, 7,2% das famílias endividadas da capital acreditam que não terão condições de pagar total ou parcialmente suas contas no próximo mês. No mesmo mês em 2015, esse porcentual era de 4,7%. Em números absolutos, esses dados apontam que há 258 mil famílias nessa situação.

Tipos de dívida
O cartão de crédito permaneceu como principal tipo de dívida das famílias paulistanas, citado por 72,6% das famílias endividadas, seguido por carnês (17,3%), financiamento de carro (16,3%), financiamento de casa (12,2%), crédito pessoal (11,2%) e cheque especial (9,8%).

Em janeiro de 2015, apenas 52,4% das famílias endividadas tinham dívida no cartão. Segundo os economistas da Federação, a explicação para o aumento desse tipo de endividamento está no fato de que, com a alta de preços de itens não financiáveis), como alimentos e energia elétrica, a renda disponível no mês para outras despesas fica cada vez mais restrita. Com isso, as famílias buscam no parcelamento do cartão ou no pagamento de apenas uma parcela da fatura uma via de financiamento para compra de itens adicionais.