Editorial

26/05/2015

O desafio das empresas diante do cenário econômico

O desafio das empresas diante do cenário econômico

Por Danilo Dupas

A grande concorrência no mercado globalizado fez gestores das empresas refletirem sobre a metodologia de trabalho, principalmente após a crise de 2008, pois não há margens para erros na condução dos negócios. Nesse contexto, a governança corporativa tornou-se fundamental para o desenvolvimento das organizações com o objetivo de buscar a transparência das informações e a descentralização do poder para minimizar os conflitos de interesse dos executivos, antes imperceptível, mas crucial para a longevidade do negócio e para a lucratividade.

É fato que a governança corporativa mudou consideravelmente a condução dos negócios e o fortalecimento dos princípios éticos e morais na atuação das organizações na sociedade. Contudo, a nova ordem econômica, apesar de afetar o governo federal, não surtiu o mesmo efeito de reflexão como na iniciativa privada. Com o pífio crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 e a inquestionável elevada carga tributária existente, o governo federal se superou ao divulgar o pacote econômico que afeta negativamente as atividades das organizações em 2015.

O pessimismo é tanto que não gostaria de reforçá-lo para prever “o fim do mundo”, mas apresentar possíveis ajustes nas empresas para minimizar o impacto das medidas. Não há dúvida de que os empresários devem planejar suas ações considerando o governo como um dos maiores riscos ao negócio.
Apesar de constante análise, reflexão, desenvolvimento e implementação de ajustes nos processos pelo corpo diretivo das organizações para a efetividade no rendimento das empresas perante a competitividade no mercado, o governo exige indiretamente nova readaptação nas operações. O estresse adicional das ações do governo, tanto para criar quanto para tentar arrumar os erros cometidos, impactam negativamente a credibilidade da economia nacional.

A corrupção na Petrobras realça a inexistência de governança corporativa em uma das maiores corporações do mundo com excepcional qualificação técnica na extração de petróleo. Ficou evidente a fragilidade nos processos na área comercial e como a fraqueza nos processos poderá impactar na ruína de uma organização que fomenta a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico.
O cenário econômico pessimista e a fraude na Petrobras poderão fomentar a reavaliação dos processos na área de suprimentos das empresas, que passará por uma readequação metodológica nas negociações e nos controles, pois qualquer economia na aquisição automaticamente será revertida em caixa.
O impacto cultural nas empresas será significativo, pois os gestores de suprimentos resistentes aos ajustes dos processos para propiciar aumento da economia nas negociações com maior transparência certamente desconhecem o real poder de influência da área no resultado operacional das organizações, minando o poder de atuação da área nas decisões táticas e estratégicas.

A relação com fornecedores e prestadores de serviço deverá ser revisada com a possibilidade de buscar eficiência no uso dos recursos alocados na operação. Provavelmente, os fornecedores passarão a ser considerados como parceiros, pois aliança estratégica é fundamental para a sustentabilidade no negócio de ambos.

A crescente informatização dos meios de comunicação facilita o controle da atividade e a redução dos desperdícios, mas requer novas metodologias de trabalho para acelerar a transição das informações com facilidade de absorvê-las. Nesse cenário mutante, o gestor de suprimentos tem a obrigação de informatizar completamente os processos e de integrar a sua rede de suprimentos com as dos parceiros por meio de um sistema eletrônico de negociação (SEN), ferramenta essencial para consolidar o desenvolvimento dos processos e de novos métodos de negociação e de governança.

Enquanto o governo não aperfeiçoa a sua gestão administrativa e posterga as necessidades via aumento da arrecadação, cabe à iniciativa privada brasileira demonstrar o caminho correto: reavaliar profundamente o negócio e reduzir as perdas, pois com a efetividade na operação, a organização se tornará mais competitiva para superar as adversidades no mercado nacional, enfrentar a concorrência externa e ampliar consideravelmente o raio de atuação no mercado.

Lançado o desafio a acionistas e executivos, resta saber quais organizações brasileiras vão superar as adversidades e invadir o mercado internacional.

Danilo Dupas é economista, mestre em Administração com ênfase em Finanças, consultor empresarial e educacional.

Confira aqui o artigo na versão publicada na edição 30 da revista Conselhos.