Economia

08/06/2018

Paulistanos pretendem gastar menos com presente do Dia dos Namorados, aponta pesquisa FecomercioSP

Segundo a Entidade, valor médio do presente deve ser de R$ 197, 4,4% a menos do que no ano passado; homens pretendem presentear mais

Paulistanos pretendem gastar menos com presente do Dia dos Namorados, aponta pesquisa FecomercioSP

Maioria dos que disseram que não presentearão nesta data está sem condições financeiras ou endividada 
(Arte: TUTU)

O consumidor paulistano pretende investir menos do que no ano passado no presente do Dia dos Namorados, é o que aponta uma sondagem realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que ouviu 1.118 consumidores da capital paulista nos dias 1º, 4 e 5 de junho. O valor médio do presente deve ser de R$ 197, recuo de 4,4% em relação a 2017, que foi de R$ 206. Os homens pretendem gastar um valor médio maior, de R$ 207, contra R$ 184 das mulheres.

A parcela de consumidores que pretendem presentear na data também caiu em relação ao ano passado. Entre os 63% dos consumidores que disseram ter namorado, esposo ou companheiro, 59% pretendem presentear – uma redução de 7 pontos porcentuais em relação a 2017. Na segmentação por gênero, 68% dos homens declararam ter intenção de presentear, enquanto no caso das mulheres, essa parcela foi de 50%.

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Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, os resultados apurados mostram um comportamento mais cauteloso do consumidor neste Dia dos Namorados, motivado pelas incertezas nos cenários político e econômico, ainda que alguns indicadores estejam melhores do que há um ano, como inflação e juros. Ainda segundo o levantamento, entre os que disseram que não presentearão nessa data (37%), a maioria (52%) respondeu que está sem condições financeiras ou endividada, porcentual pouco acima do visto há um ano (49%). Outros 25% responderam que não costumam presentear em datas comemorativas; 7% disseram que estão desempregados; e para "outros motivos", o porcentual foi de 16%. Quando perguntados se comprariam o presente após o dia 12 de junho, para aproveitar uma boa promoção, 52% disseram que sim – estável em comparação a 2017.

Na dúvida entre investir no presente e quitar as dívidas, a FecomercioSP ressalta que os entrevistados parecem estar mais conscientes sobre a importância de sua saúde financeira. Segundo a sondagem, 86% responderam que quitariam uma dívida e não comprariam o presente no Dia dos Namorados. Há um ano, o porcentual foi de 84%. Nessa coleta, apenas 12% disseram que, em uma decisão entre comprar e eliminar a dívida, ficariam com a opção de presentear. Na amostra, as mulheres parecem ser ainda mais responsáveis, pois 94% responderam que quitariam a dívida, e 6% comprariam o presente.

A cautela do consumidor também é demonstrada com a busca pelo melhor preço. A maioria significativa (85%) respondeu que costuma pesquisar antes de comprar, e destes, 44% dizem que vão até três estabelecimentos; 36%, de três a seis lojas; e 17% pesquisam em mais de seis locais. Os 3% restantes não souberam responder.

Assim como no ano passado, a maioria dos consumidores realiza as compras mais próximos da data. Entre a véspera e uma semana antes, a soma dá 81%. Outros 10% costumam comprar com duas semanas de antecedência, e 6%, com prazo superior a três semanas. Os homens tendem a comprar mais na véspera do que as mulheres, 46% contra 36%.

Forma de pagamento
O pagamento à vista (cheque, dinheiro ou cartão de débito) deve liderar, com 75%. A modalidade de cartão de crédito deve ser utilizada por 24%. Entretanto, segundo a Entidade, como já é tradicional nessas sondagens, o consumidor declara ter a intenção de pagar à vista, mas, na hora da compra, acaba optando pelo cartão de crédito, com a opção de parcelar.

Os itens de vestuário, calçados e acessórios são os preferidos na hora de presentear, com 38%, seguidos por perfumes e cosméticos, com 14%. Os demais estão com menos de 10%, como joias e bijuterias, com 5%, e 4%, de um jantar romântico. O porcentual dos que não sabem é alto (21%), mas continua próximo do que foi registrado nos últimos anos.

O quadro é muito parecido quando perguntado o que o entrevistado gostaria de ganhar. Os dois itens que chamam a atenção são: telefone celular, que passa de 2% na intenção para 7% no desejo de ganhar, e viagem, que duplica de 2% para 4%.

Varejo paulista
O faturamento real do comércio varejista no Estado de São Paulo deve crescer 2,4% no mês de junho em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com as projeções da FecomercioSP. A estimativa é que as vendas atinjam R$ 52,1 bilhões, um aumento de R$ 288 milhões em comparação a junho de 2017.

Entre as nove atividades analisadas, as lojas de vestuário, tecidos e calçados são as mais beneficiadas pela data e tendem a mostrar movimento relevante mensal em junho, sendo tradicionalmente o segundo melhor mês do semestre, ficando abaixo apenas do volume de faturamento de maio, em decorrência do Dia das Mães. Neste ano, todavia, a expectativa é de que o segmento registre uma queda de 3% nas vendas em comparação ao mesmo mês de 2017.

Deverá pesar negativamente o momento de instabilidade interna a recente paralisação dos caminhoneiros, que gerou grande impacto sobre todas as atividades internas e algumas pressões de preços inesperadas sobre itens essenciais, ingredientes que certamente tem reflexo direto sobre a confiança dos consumidores, inibindo inclusive a intenção de presentear.