Editorial

22/03/2016

Qualificação é essencial para profissionais da gastronomia

Cursos ultrapassam as lições técnicas e fortalecem a área de gestão

Qualificação é essencial para profissionais da gastronomia

Conhecimento é indispensável para quem quer empreender ou se destacar no mercado de trabalho
(Arte/TUTU) 

Por Jamille Niero

Após trabalhar dez anos como funcionária em uma doçaria, Maria Rosângela Dias Paulino, moradora de Taboão da Serra, decidiu pedir as contas e abrir um negócio próprio. Ter a sua loja facilitaria também para que cuidasse do filho, que havia nascido há pouco tempo. Depois de sete anos (de 1997 a 2004), seu estabelecimento de comercialização de doces caseiros fechou.

“A questão principal foi dinheiro. O aluguel do espaço era caro e eu também não entendia muito sobre manter o negócio. Não tinha curso de nada”, diz ela, que sempre gostou de atuar na produção de alimentos.

A abertura do Senac Taboão da Serra, em 2014, possibilitou que Maria Rosângela adquirisse os conhecimentos  – como doceira e empreendedora – que lhe faltavam. Ela conta que foi uma sobrinha, estudante da unidade na época, que descobriu o curso de doceiro e a matriculou.

“Eu queria aprender a fazer coisas diferentes, e nessa capacitação aprendi muita coisa, como calcular o valor adequado para vender cada doce e também dicas de como fazer os pratos.”

Foi aí que nasceu a Rosa Bicho, inaugurada em agosto de 2015 em Taboão da Serra. Além de atendimento no local, a loja oferece bolos, tortas e docinhos para festas em geral, além de realizar entregas. O faturamento mensal atual da nova empreitada de Maria Rosângela varia de R$ 6 mil a R$ 10 mil.

Animada, a microempresária pretende continuar se capacitando. “Preciso fazer outras aulas e estou pensando nas de confeiteiro. É importante fazer coisas novas para o cliente, que fica curioso e quer provar. Sempre temos coisas diferentes aqui, e as aulas podem ajudar nisso também.” 

Qualificação

Segundo o coordenador da área de gastronomia do Senac Taboão da Serra, Douglas Marçal Rogério, a qualificação para quem deseja abrir um negócio em gastronomia é importante, porque não basta ter apenas o conhecimento técnico da produção de alimentos, é preciso também saber gerir. Ambos os fatores são abordados nos cursos do Senac.

“Focamos em pontos importantes como carreira, mercado de trabalho, empreendedorismo, financeiro e sustentabilidade do negócio. Às vezes, quem quer empreender pensa somente no lado técnico e esquece dos dispositivos legais inerentes a ter uma empresa. O ideal é aliar a técnica à gestão”, explica.

Ele comenta que muitos decidem empreender na área de alimentos após não conseguirem obter emprego no seu campo profissional de origem. Começam com investimento baixo, fazendo bolos em casa, por exemplo, e aos poucos partem para a formalização.

Melhorar suas competências também é importante para o profissional que deseja trabalhar na área, já que as empresas necessitam de mão de obra especializada. De acordo com Rogério, empregados qualificados são difíceis de encontrar nesse setor, por isso a rotatividade no mercado é alta, já que em muitos casos as empresas acabam contratando quem não tem experiência.

“Profissionais precisam de tempo para treinar e adquirir conhecimento. É trabalho que exige paixão do colaborador, e quem busca qualificação geralmente já tem paixão pela profissão, pela área. Ao contrário de quem muitas vezes parte para esse campo por não ter outra opção. O empenho é diferente, e o prazer pelo ofício também.”

A alimentação fora do lar corresponde a aproximadamente 33% dos gastos dos brasileiros com alimentos e bebidas. Nos Estados Unidos, a população investe, em média, 40% da sua renda com alimentos e bebidas – mostrando que no Brasil ainda há espaço para expansão desse segmento.