Economia

04/03/2016

Setor de agronegócio se mantém resiliente apesar da crise

Com queda na produção em 2015, área resiste na crise e consegue ampliar participação de 21% para 23% no PIB nacional

Setor de agronegócio se mantém resiliente apesar da crise

Roberto Rodrigues classifica 2016 como um ano de ajustes, no qual os produtores deverão conviver com um mercado doméstico ainda em baixa.
(Arte/TUTU)

Com informações de Guilherme Meirelles

A tempestade que assolou a economia brasileira em 2015 deixou seus impactos no setor do agronegócio – e não poderia ter sido diferente. Mas os efeitos foram bem menos devastadores do que se observou em outras áreas, como no caso da indústria e do comércio, que apresentaram os piores resultados nos últimos anos. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio (produção, insumos, indústria e serviços) fechou 2015 em R$ 1,17 trilhão, volume 0,6% abaixo do registrado em 2014, que ficou na casa de R$ 1,18 trilhão.

A queda pode ser considerada suave se comparada com a performance do PIB nacional, que deve apresentar queda de mais de 3% em relação ao ano anterior. Dentro desse cenário, a participação do agronegócio no PIB passou de 21,4% em 2014 para 23% em 2015, quadro que não deve sofrer significativas alterações em 2016.

A resiliência do setor agropecuário pode ser explicada por três motivos: os fortes investimentos das grandes corporações nacionais e estrangeiras nos últimos anos, resultando em excepcionais índices de produtividade por hectare, os programas governamentais de apoio para modernização de frota e equipamentos e o crédito generoso oferecido pelos agentes financeiros.

No ano passado, colaborou ainda a forte desvalorização do real ante o dólar, que começou janeiro em R$ 2,50 e encerrou ano na casa de R$ 4.

Há mais de 50 anos acompanhando o desenvolvimento do setor agropecuário, o engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura (2003-2006) e atual coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV), classifica 2016 como um ano de ajustes, no qual os produtores deverão conviver com um mercado doméstico ainda em baixa e com uma economia global marcada pela desaceleração da China e pela incerteza no comportamento dos juros nos Estados Unidos. “O agronegócio será obrigado a trabalhar com margens menores de lucro. O abastecimento não será afetado, mas os volumes exportados tendem a cair”, afirma. 

Apesar do fenômeno climático El Niño – alteração na temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico – ter sido o mais rigoroso nos últimos 20 anos, com variações extremas de excesso de chuvas e longas estiagens no Sul e na Região Centro Oeste, as safras nacionais de cereais, leguminosas e oleaginosas registrou recorde histórico de 209,5 milhões de toneladas, superando em 7,7% o volume alcançado em 2014, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A projeção para 2016 é de novo recorde, na faixa de 210,7 milhões de toneladas.

“A contínua aplicação da tecnologia gerou um modelo agrícola sustentável. De 1990 para cá, a área plantada de grãos cresceu 53%, enquanto a produção subiu 251%”, afirma Rodrigues, que destaca também a regulamentação das sementes transgênicas, em 2003, durante sua gestão, como um marco no crescimento da produção, especialmente da soja e do milho.

Recuperação

Além de atrair investidores externos, diz Rodrigues, o Brasil precisa revitalizar setores desgastados nos últimos anos em função de políticas públicas equivocadas, como é o caso do setor sucroalcooleiro. Em função da política de preços administrados da gasolina e do diesel, o setor sucroenergético perdeu força e somente agora emite sinais de recuperação.

Segundo Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), entidade que representa mais de 50% da produção nacional de cana e de 60% de etanol, o ano de 2015 deu um alento ao setor. Com base em janeiro deste ano, a moagem de cana alcançou 594,08 milhões de toneladas, representando alta de 4,58% em relação ao igual período de 2015. No acumulado de abril de 2015 até 1º de janeiro de 2016, as vendas de etanol alcançaram 22,89 bilhões de litros – 21,21 bilhões de litros destinados ao abastecimento doméstico e 1,68 bilhão de litros ao mercado internacional.

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