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18/04/2018

Setor de arquitetura e engenharia consultiva começa a se reerguer após crise econômica

Cenário de instabilidade econômica e paralisação de grandes obras teve impactos no setor, com redução de profissionais ocupados

Setor de arquitetura e engenharia consultiva começa a se reerguer após crise econômica

Estima-se que recuperação do setor se consolide apenas em 2019
(Arte: TUTU)

O setor de arquitetura e engenharia consultiva começou a se reerguer neste ano com a retomada de contratos e novas solicitações de propostas dos clientes. Nos últimos quatro anos, o mercado foi gravemente prejudicado pela crise econômica.

O quadro econômico atingiu em cheio o setor da construção civil e de obras públicas e, como reflexo, houve paralisações e cancelamentos de contratos, alongamento dos cronogramas de desenvolvimento dos trabalhos e também atrasos de pagamento.

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O presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), Carlos Roberto Mingione, afirma que o período é um dos piores enfrentados pelo mercado que reúne empresas dedicadas ao desenvolvimento de estudos, projetos, consultoria, controle tecnológico e gerenciamento de obras. Ele divide a situação em dois momentos.

“Primeiro, as empresas que elaboram projetos não conseguiram renovar os contratos e tiveram que começar a demitir funcionários conforme os contratos encerravam. Em seguida, as companhias com gerenciamento e supervisão de obras, que geralmente têm contratos mais longos, também foram afetadas e, igualmente, começaram a demitir”, lembra.

O ano de 2012 foi marcado pelo aumento de contratos para a Copa do Mundo. Na época, o faturamento do setor cresceu 17,60%, em termos reais, mas, no ano seguinte, o aumento foi de apenas 0,63% e constatou-se queda real do lucro líquido de 33,45% em 2013.

A partir de 2014, o setor passou a enfrentar a redução da demanda de novos serviços e o aumento do número de distratos e de inadimplência. Em 2014 e 2015, o lucro líquido registrou retração real de 9,73% e 15,83%, respectivamente.

Mingione estima que a recuperação do setor se consolide apenas em 2019. “A inadimplência ainda é alta, e os trabalhos que surgem estão com valores de referência muito deprimidos, o que leva a disputas acirradas e pioram ainda mais as condições das contratações. Acredito que, passada a eleição, com um quadro político mais definido, os efeitos benéficos para o setor serão mais significativos”, diz.

Montando o próprio negócio
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados 2017 (Caged) sobre a movimentação do emprego no setor de Arquitetura e Engenharia Consultiva (A&EC) apontam que a área teve o primeiro saldo positivo em três anos, com a criação de 3.644 vagas. Entre 2014 e 2016, 79.537 vagas de trabalho foram fechadas.

Apesar do indício de melhora, o cenário ainda é preocupante, pois o estoque de postos de trabalho de 2017 é o segundo mais baixo da série histórica analisada, com 243.884 vínculos.

A abertura de uma empresa surgiu para muitos da área de arquitetura e engenharia consultiva como alternativa às dificuldades encontradas. Mas, para conseguir se manter competitivo, é ideal, além da formalização, que o empresário tenha conhecimento suficiente do segmento em que deseja atuar. Contar com ferramentas que o auxiliem na administração e no gerenciamento do negócio é outro diferencial.

“É essencial que as gestões financeira e contábil estejam organizadas, porque o empreendedor ganha duas vezes com isso: a pequena empresa fecha as contas no azul, e o empresário ganha mais tempo para focar nos serviços que oferece, no atendimento de seus clientes, na escolha de fornecedores, no treinamento de colaboradores e em tantas outras tarefas importantes”, explica o diretor de produto da plataforma ContaAzul, Joaquim Torres.

Torres ainda complementa que os escritórios de arquitetura e engenharia devem planejar bem os gastos, verificar como estão os prazos dos recebíveis e, caso tenham problemas para fechar as contas, peçam consultoria a um contador, que é um parceiro-chave e a pessoa certa para ajudar a colocar em ordem as situações contábil e fiscal da pequena empresa.