Sustentabilidade

22/07/2015

Sustentabilidade pode ser diferencial de mercado para vencer crises

Ainda tabu em muitas micros e pequenas empresas, aplicar o conceito no negócio ajuda também a conquistar clientes e diminuir gastos

Sustentabilidade pode ser diferencial de mercado para vencer crises

Por Filipe Lopes

Sustentabilidade empresarial vai além da preservação ambiental e pode ser estratégica para uma companhia crescer e se desenvolver no mercado, oferecendo uma identidade e atraindo pessoas que compartilhem das mesmas intenções.

Segundo o mais atual boletim “Estudos e Pesquisas do Sebrae Nacional, de 2013”, existem no Brasil em torno de 12 milhões de micros e pequenas empresas (MPEs), que empregam 15,6 milhões de trabalhadores. A taxa de sobrevivência desses empreendimentos com até dois anos passou de 73,6% para 75,6%. Apesar da melhora, o setor ainda enfrenta muitas baixas, ou seja, aproximadamente 25% das empresas não conseguem ser autossustentáveis. 

Para o sócio-diretor da iSetor e presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade (Abraps), Marcus Nakagawa, o primeiro passo para tornar a empresa mais sustentável é controlar as finanças e investir na qualificação da mão de obra. “Sustentabilidade é cortar gastos e desperdícios, tornando a empresa mais produtiva. Para isso, as primeiras medidas são cuidar da parte tributária analisar profundamente o negócio, para ver quais materiais estão indo para o lixo, que poderiam ser reaproveitados”, afirma. Ainda de acordo com Nakagawa, alterar processos internos e estruturais é o próximo passo para tornar o DNA da empresa sustentável.

1º obstáculo: conhecimento
Ainda há quem afirme que sustentabilidade é assunto para grandes empresas, que têm capacidade de investir em políticas complexas que ditam diretrizes para funcionários, acionistas, vendedores e consumidores. Entretanto, de acordo com Nakagawa, as MPEs têm totais condições de estabelecer práticas sustentáveis, assim como fazem as grandes. “As pequenas têm a vantagem da maleabilidade para mudar rapidamente os rumos do negócio, que não é possível pela burocracia das grandes”, afirma. Ainda segundo o especialista, os principais desafios que a sustentabilidade enfrenta no País são as questões legais.

Fabricando cultura
Para muitos negócios, sustentabilidade não é questão de escolha, mas uma obrigação legal. A oficina de mecânica Torigoe, com sede no Tatuapé, zona leste de São Paulo, sempre teve preocupação com o descarte correto de resíduos, porém, uma desavença com um vizinho provocou uma série de fiscalizações no estabelecimento, que culminaram na mudança de endereço, depois de mais de 15 anos no mesmo bairro. Como o novo aluguel, a oficina precisava inovar para dar conta das despesas, que em apenas seis meses foram responsáveis pela diminuição de 60% do faturamento. Foi aí que a sócia-proprietária da empresa, Vanessa Martins, resolveu reformar um imóvel que possuía para criar um novo galpão. Nesse local, apesar das dificuldades financeiras, Vanessa fez questão de construir um edifício 100% sustentável. “O novo galpão foi feito do zero, então, aproveitamos a oportunidade para investir em medidas permanentes que dariam uma nova cara ao negócio”, afirma. 

A mudança foi tamanha que até o logotipo da empresa mudou e ganhou as cores verde e branco, que representam o meio ambiente e a nova fase da mecânica. “Sustentabilidade não é apenas investir em ações que respeitam o meio ambiente. O maior desafio é torná-la a cultura da empresa, e, para isso, temos de incorporar essa filosofia para que as práticas não sejam deixadas de lado no futuro”, afirma Vanessa. Com nova roupagem, a oficina ganhou mais clientes e já não contabiliza prejuízos. Mesmo com o atual cenário de crise econômica e as incertezas, a empresa soma aumento de 10% no faturamento mensal. “O cliente observa nossas atitudes de respeito as pessoas e ao meio ambiente, o que gera uma relação de confiança entre as partes”, afirma Vanessa. 

Clique aqui para conferir a matéria na íntegra, publicada na edição 39 da revista C&S.