Editorial

19/05/2016

Técnico em segurança do trabalho evita acidentes e melhora qualidade de vida dos funcionários

Presença do profissional é exigida por lei em algumas empresas, de acordo com tamanho e atividade, e garante cumprimento de normas

Técnico em segurança do trabalho evita acidentes e melhora qualidade de vida dos funcionários

Apesar de ser um profissional exigido por lei em algumas empresas, ter o conhecimento técnico bem apurado é diferencial, aponta docente do Senac-SP
(Arte/TUTU)

Por Jamille Niero 

O técnico em segurança do trabalho pode reduzir a taxa de mortalidade e a incidência de acidentes de trabalho, minimizando danos aos trabalhadores, às empresas e ao Orçamento da União. A presença desse profissional é exigida por lei em algumas empresas. Por bons motivos. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, entre 2008 e 2014 ocorreram cerca de 5 milhões de acidentes e doenças no trabalho no Brasil. No mesmo período, o INSS desembolsou mais de R$ 50 bilhões com gastos previdenciários (auxílio-doença ou acidente, pensão por morte e aposentadoria por invalidez). 

“No setor de comércio e serviços, entre os mais comuns estão as lesões por movimentos repetitivos”, diz a técnica em segurança do trabalho e vice-presidente do Sindicato dos Técnicos em Segurança do Trabalho de Guarulhos (SINTESP), Selma Rossana. Cabe ao profissional de segurança do trabalho orientar a empresa a melhorar a ergonomia do ambiente, evitando o risco de o funcionário adquirir esse tipo de doença, por exemplo. 

Segundo ela, muitos consideram gasto desnecessário e não, investimento que pode melhorar a qualidade de vida do funcionário e, consequentemente, aumentar a produtividade da empresa. 

Formação e regulamentação da profissão
A profissão do técnico em segurança do trabalho é regulamentada pela Lei nº 7.410, de 1985, e o profissional compõe a equipe de segurança do trabalho (que é formada por engenheiro, médico, enfermeiro e auxiliar de enfermagem). 

A quantidade dos profissionais da equipe de segurança do trabalho depende do grau de risco e da quantidade de funcionários na empresa, definida pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) previsto na NR nº 4 e que varia de um a quatro (sendo este o maior risco). 

O técnico em segurança do trabalho opera na prevenção dos acidentes do trabalho decorrentes dos fatores de riscos ocupacionais (como o contato com agentes químicos ou biológicos, eletricidade, ferramentas, armazenamento e transporte de materiais). No dia a dia, desenvolve programas de treinamento e procedimentos de segurança que estimulam a preservação física dos funcionários em empresas, construções e instalações industriais a fim de eliminar riscos. Nos casos em que não é obrigatório a empresa ter o profissional em seu quadro fixo de colaboradores, o técnico em segurança do trabalho pode prestar serviço no formato de consultoria ou assessoria. 

“É fundamental ele estar presente para acompanhar as condições, já que incidentes aparecem nas condições laborais do dia a dia”, observa o docente do curso técnico de Segurança do Trabalho no Senac Guarulhos, Luis Antonio Vaiano. 

A unidade de Guarulhos oferece a formação há cerca de 20 anos – Selma Rossana foi uma das primeiras alunas – e, de lá para cá, muita coisa mudou, pontua Vaiano. Desde aspectos tecnológicos até as condições laborais, já que as aulas são fundamentadas na legislação, em normas, portarias e decretos, que mudam com o tempo: “Por isso a reciclagem e atualização é constante”, comenta. 

De acordo com ele, apesar de ser um profissional exigido por lei em algumas empresas – o que torna interessante o mercado de trabalho já que sempre haverá vagas – um diferencial é ter o conhecimento técnico bem apurado: “É importante para aplicar nas avaliações do ambiente de trabalho no dia a dia”, explica o docente. 

Vaiano aponta que a segurança do trabalho em empresas brasileiras evoluiu em algumas décadas. Apesar de hoje ocupar o 4º lugar no ranking da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de países com mais acidentes de trabalho – perde apenas para China, Estados Unidos e Rússia –, essa marca já foi pior: “Na década de 1970, era o primeiro colocado. Imagina o custo para a previdência arcar com essa situação?”, frisa. 

Cada vez mais a atuação do técnico em segurança do trabalho deve ser não só evitar acidentes, mas melhorar a qualidade de trabalho dos funcionários: “É um prevencionista, tem que agir antes dos acidentes.”