Negócios

15/02/2016

Turismo corporativo brasileiro deve ser flexível e não abusar do preço para manter clientes em 2016

Crise econômica e dólar alto dificultam realização de viagens e eventos corporativos no exterior e geram oportunidades para empreendimentos nacionais

Turismo corporativo brasileiro deve ser flexível e não abusar do preço para manter clientes em 2016

 

Por Jamille Niero

A desaceleração da economia brasileira afetou também o mercado de eventos e viagens corporativas, que viu sua receita diminuir em 2015. Segundo dados da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), as vendas das associadas caíram 2,3% no ano passado na comparação com 2014, passando de R$ 11,7 bilhões para R$ 11,4 bilhões. Esse valor considera a venda de passagens aéreas para voos domésticos e internacionais, hotelaria e locação nacionais e internacionais, e serviços diversos como eventos, cruzeiros e assistência à viagem.

Mesmo diante dessa previsão, a Abracorp estima crescimento de 5% em 2016. “Precisamos manter o tom de otimismo e trabalhar bastante os incentivos de eventos, para achar oportunidades de desenvolver o setor”, diz o presidente da associação, Rubens Schwartzmann.

Para o Conselho Executivo de Viagens e Eventos Corporativos (CEVEC) da FecomercioSP, esse segmento deve se preparar para trabalhar num cenário econômico e político de escassez em 2016, a exemplo do que já aconteceu em 2015. A combinação do dólar mais caro com a crise econômica fez com que as empresas apertassem os cintos e olhassem com mais cuidado os gastos com viagens e eventos, tentando enxugar os custos de todos os lados.

“A gestão de viagens corporativas num momento destes trabalha com o que chamamos de demand managment, que é trabalhar a necessidade real da viagem, além das alternativas”, diz a presidente do CEVEC, Viviânne Martins. Por exemplo: se antes o viajante embarcava na classe executiva, a opção passou a ser viajar na classe econômica plus ou mesmo a econômica.

No caso dos eventos, acrescenta Viviânne, a empresa que costumava enviar dois ou três participantes para um congresso, agora envia apenas um. Quando é a própria companhia que organiza, aposta na diminuição do público e busca datas que não coincidam com grandes eventos, e até opta por voos e reservas de hotéis em dias específicos na semana, com opções mais econômicas.

“Os desafios para 2016 continuam similares aos de 2015, com um agravante de maior redução por fatores cumulativos. Os brasileiros desempregados e até os empregados adiarão seus planos de viagens. Ainda há a crise da saúde pública, com o zika vírus, que impacta diretamente no turismo receptivo, em qualquer um dos três segmentos [lazer, corporativos e MICE – meetings, incentive, congress and exhibitions]”, completa Viviânne.

Para Schwartzmann, o dólar acima de R$ 4 encarece as viagens internacionais. Por outro lado, gera oportunidades para os empreendimentos nacionais atraírem esse público, ou seja, muitas empresas que realizavam eventos fora do País agora se enfocam para os atrativos das terras brasileiras.

Por isso, é hora de os estabelecimentos nacionais terem flexibilidade para adaptar seus serviços a essa realidade e criar produtos diferentes. “Em vez de um hotel oferecer só o serviço básico, por exemplo, ele deve criar mais possibilidades e deixar que as agências de eventos possam levar outros fornecedores e empresas para realizar os eventos.”

Outro fator importante para conquistar novos clientes é não abusar dos preços em um momento de crise econômica. “Em datas especiais e feriados, os preços normalmente disparam muito. Se os hotéis no Brasil quiserem subir preços para aproveitar este momento em que viajar para o exterior está mais caro, o mercado vai retrair de novo. Com flexibilidade, é possível viabilizar os negócios da empresa, que é bom para todos”, conclui.