Tecnologia

16/02/2016

Uso de biometria cresce e requer reorganização nas empresas

Utilização se expande a nível mundial e, segundo consultorias internacionais, investimentos na tecnologia devem crescer 23% entre os Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul

Uso de biometria cresce e requer reorganização nas empresas

Bancos, financeiras, grandes varejistas e empresas de saúde são as que mais investem em biometria
(Arte TUTU)

Por Deisy de Assis

Nos últimos anos, a leitura biométrica – criação e identificação de códigos com base em padrões individuais extraídos das digitais, veias, íris, face e voz, entre outros – tem despertado maior interesse das empresas que buscam soluções que assegurem dados de consumidores e de companhias. O aumento da procura, segundo especialistas, está relacionado, principalmente, aos avanços tecnológicos e, de outro lado, ao incremento nos riscos de fraudes em ambiente virtual. O desafio é a adaptação dos processos.

Internacionalmente, a biometria não para de crescer. Dados da consultoria internacional Technavio apontam alta de 23% nos investimentos do segmento nos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) até 2019. Outra especialista estrangeira, a Tractica, avalia que o mercado mundial deve sair da movimentação de US$ 2 bilhões em 2015, para US$ 15 bilhões em 2024.

“Antes de 2010, o recurso não tinha estruturação suficiente para ser confiável, ou seja, havia uma limitação tecnológica, que foi superada, deixou de ser o principal desafio e gerou um ‘boom’ no mercado”, argumenta o professor da Escola de Engenharia da Tecnologia da Universidade Anhembi Morumbi, Rafael Matsuyama.

De acordo com o docente, que acompanha pesquisas sobre o recurso para evitar roubo de dados e possui experiência na área de risco operacional de entidades financeiras, a barreira a ser vencida agora está no campo dos processos.

“As empresas buscam reorganização nas práticas internas para utilizar essa tecnologia”, diz o professor. Como exemplo, Matsuyama cita as ações necessárias para transição de um sistema para uma plataforma desconhecida, a alteração no gerenciamento de dados dos clientes e as estratégias para adaptar os usuários costumeiros aos novos recursos.

Mercado

Atualmente, as instituições que mais investem na tecnologia são bancos e outras da área financeira, grandes varejistas e prestadoras de serviços de saúde, além de governos, conforme tem observado o diretor-executivo da Certibio, Igor Rocha.

A companhia entrou no mercado há sete meses, oferecendo o recurso por plataformas que fazem interface com o sistema dos clientes, entre os quais há bancos e comércios. “No varejo, a necessidade veio em decorrência das vendas a prazo e da concessão de crédito”, diz Rocha.

Sem detalhar valores, o diretor menciona que a corporação aposta na continuidade do crescimento do segmento para que todos os investimentos sejam cobertos até agosto de 2017, quando a corporação completa dois anos.

Altos investimentos

Rocha explica que a terceirização chama atenção das empresas pelo custo menor, pois uma infraestrutura própria demanda alto investimento em equipamento e programas, além de profissionais especializados.

De acordo com o professor Matsuyama, a contratação do serviço tem sido a opção de instituições menores. Já as grandes, até por questões estratégicas, optam pela criação de áreas internas exclusivas para a gestão do sistema ou a compra de uma terceirizada.

Os aportes necessários podem variar muito. “O investimento anual aos que optarem pela terceirização pode ser de R$ 10 milhões a R$ 20 milhões. Já para as companhias que decidem instalar infraestrutura, pode chegar a R$ 350 milhões em um período de dez anos, considerando, por exemplo, um banco que fará a substituição gradual de caixas eletrônicos tradicionais por caixas com biometria”, afirma o especialista.

Matsuyama frisa que, apesar do custo ainda inviável para pequenas e médias, a perspectiva é que o acesso seja maior a médio prazo. “Percebemos que até os celulares mais novos já têm o recurso do escaneamento.”

Possibilidades

No caso das empresas de saúde, é um recurso não apenas para comprovar a identidade do cliente, mas para cruzar e unificar informações. “É um meio de agilizar atendimento. Por outro lado, gera um impasse entre planos de saúde e prestadores, uma vez que ao afinar o controle dos processos, a repetição de procedimentos médicos (como exames) é reduzida e, por consequência, a prestação de serviço também recua e causa impactos financeiros no setor”, afirma Matsuyama.

Para as várias instâncias do governo, a biometria é relevante no combate a fraudes como a incidência de funcionários fantasmas e a criação de falsos servidores. “Por isso, tem sido procurado para o recadastramento de servidores públicos”, diz Rocha.