Economia

04/10/2019

Veia empreendedora é sufocada no Brasil, diz CEO da Votorantim

João Miranda comenta em entrevista ao UM BRASIL as reformas e ações com potencial de alavancar a produtividade e criar um espaço mais promissor aos negócios

Veia empreendedora é sufocada no Brasil, diz CEO da Votorantim

Ele ressalta que o foco dessas mudanças, principalmente das que dizem respeito ao papel econômico do Estado, deve ser na produtividade
(Foto: Christian Parente)

O Brasil tem uma veia empreendedora muito grande, mas ela é bastante sufocada por vários aspectos burocráticos que dificultam tanto o planejamento de novos negócios quanto sua execução. Essa avaliação é do executivo João Miranda, CEO do grupo Votorantim, multinacional que completou 100 anos em 2018.

Falando ao cientista político Humberto Dantas em entrevista ao UM BRASIL, uma iniciativa da FecomercioSP, ele explica vários dos elementos que são impeditivos a um espaço mais oportuno aos negócios. Um deles é o ambiente tributário. Para ele, as propostas de Reforma Tributária em debate podem ter um efeito positivo no contexto do relatório Doing Business, principalmente quanto à simplificação do sistema.

“O sistema tributário que temos é de uma complexidade antidemocrática, pois além da burocracia para se criar uma companhia nova, da quantidade de leis e regulações – muitas das quais são complexas e precisam ser interpretadas para aplicação –, inibe a inovação e o empreendedorismo”, critica. Uma mudança urgente neste sentido, pontua, é reformar sem aumentar a regressividade do sistema, de modo a reduzir o peso na pirâmide social.

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Ele acredita que, mesmo com todas essas barreiras burocráticas que dificultam o desenvolvimento dos negócios, as empresas podem compactuar com o desenvolvimento regional estando aliadas ao poder público ou às sociedades organizadas, ajudando, “de forma legítima e positiva”, a melhorar a capacidade da gestão pública municipal com o desenvolvimento de metas e métricas, projetos e também com acompanhamento.

Miranda comenta que uma organização “deve antecipar eventos e buscar ser sempre competitiva, tendo uma lógica empresarial que compartilha e, mais do que só cumprir as leis e regulações, se antecipa às demandas sociais, porque acha que é seu papel dar uma resposta a isso como uma empresa cidadã”.

Outro ponto central dessa conversa é a relevância de reformas que tragam resultados concretos à sociedade. João Miranda aponta como essenciais as reformas administrativa e da infraestrutura nacional.

“Essas duas são fundamentais. A reforma do Estado, para mim, é maior. Eu acredito em um bom programa que leve à privatização de companhias e deixe que o setor privado faça o papel empresarial que hoje, em parte, é feito pelo Estado”, diz. “Outra muito importante é a da infraestrutura. Eu acho que já vimos viadutos suficientes cederem por aí para ter uma conclusão de que precisamos fazer alguma coisa a respeito”.

Ele pontua ainda que o foco dessas mudanças, principalmente das que dizem respeito ao papel econômico do Estado, deve ser na produtividade. “A produtividade do Estado no Brasil vem sendo negativa. O setor público equivale a mais ou menos 40% do PIB – de 100%, 40% anda para trás ou anda devagar demais; fica muito pesado para os outros 60%. É essencial olhar pela ótica da produtividade do setor público nos serviços que ele presta, desde licenciamento até hospitais”, conclui.