Notamos que você possui
um ad-blocker ativo!

Para acessar todo o conteúdo dessa página (imagens, infográficos, tabelas), por favor, sugerimos que desabilite o recurso.

Economia

02/04/2021

Brasil precisa manter “atitude reformista”, abrir o comércio e desburocratizar o empreendedorismo

Álvaro Pereira, diretor da OCDE, afirma que País pode aumentar a sua importância no mundo “de forma avassaladora”

Ajustar texto: A+A-

Brasil precisa manter “atitude reformista”, abrir o comércio e desburocratizar o empreendedorismo

"Criar um negócio no Brasil ainda é demasiadamente burocrático", avalia Pereira
(Divulgação) 

As reformas realizadas nos últimos anos – Trabalhista, da Previdência e Fiscal (teto de gastos) – ainda vão surtir efeito, mas, para o Brasil crescer de forma contundente após a pandemia, é preciso se abrir ao comércio internacional, reduzir a burocracia sobre o empreendedorismo e investir na economia verde. Nas palavras do diretor de Estudos de Países do Departamento de Economia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Álvaro Santos Pereira, é necessário manter a “atitude reformista”.

Em 2017, o Brasil solicitou formalmente o ingresso na OCDE. A adesão depende de um alinhamento do País às diretrizes da organização. Segundo Pereira, “o Brasil evoluiu muito nas últimas duas décadas”, mas ainda há muito a fazer.

Confira mais entrevistas do UM BRASIL
Sem redução do gasto público, Reforma Tributária tende a aumentar impostos, alerta Felipe Salto
Limitada a futuros servidores, Reforma Administrativa ideal envolveria funcionários públicos atuais
Países com melhores ambientes de negócio são menos afligidos por corrupção

“Por exemplo, as barreiras ao empreendedorismo no Brasil ainda são altíssimas. Criar um negócio no País ainda é demasiadamente burocrático. São esses tipos de reformas que, na recuperação [pós-pandemia], podem ajudar muito”, indica o diretor da OCDE, em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, em parceria com o Columbia Global Centers | Rio de Janeiro e o Center on a Global Economic Governance, ambos braços da Universidade Columbia, em Nova York – fruto do evento Mudança do Papel do Estado: o Brasil na Perspectiva Global.

“Abrir mais o Brasil ao mundo, diminuir as barreiras à concorrência em muitos setores e ao empreendedorismo, isso pode combater a burocracia. Parecem simples, mas são fundamentais para atrair mais investimentos internacionais e nacionais”, acrescenta.

Pereira, ex-ministro da Economia e do Emprego de Portugal (2011-2013), afirma que “o Brasil é uma ilha” deslocada do resto do mundo quando se trata de comércio internacional. De acordo com ele, no século passado, países da Ásia conseguiram crescer e reduzir a pobreza ao diminuir o protecionismo.

“Se o Brasil se abrir, não vai só crescer muito mais, mas vai aumentar a sua importância no mundo de uma forma avassaladora”, assegura.

O economista também conta que “a prioridade total da OCDE nos próximos anos” será alinhar o compromisso com a economia verde de um modo que não afete a competitividade.

“Se vermos o que está acontecendo neste momento na Europa e nos Estados Unidos, nos planos de recuperação pós-pandemia, pelo menos um terço de todos os incentivos é destinado à economia verde. Portanto, o Brasil não pode ficar para trás”, alerta.

Além disso, o diretor da OCDE enfatiza os benefícios da agenda de reformas. “Para o Brasil se tornar um país cada vez próspero, com mais riqueza e mais justo, tem que ter esta atitude reformista que vimos nos anos 1990 e, depois, vimos um pouco nos últimos anos. Tem de ser continuada para o bem do Brasil”, frisa.

Assista a entrevista na íntegra e se inscreva no canal UM BRASIL.