Negócios

07/11/2018

Brasil precisa liderar para que Mercosul prospere, comentam palestrantes na FecomercioSP

Em seminário, autoridades ressaltaram que demais membros anseiam por maior abertura da economia brasileira ao comércio exterior

Brasil precisa liderar para que Mercosul prospere, comentam palestrantes na FecomercioSP

Para o vice-presidente da FecomercioSP e presidente do Conselho de Relações Internacionais da Entidade, Rubens Medrano, a iniciativa privada deve participar das discussões sobre a integração regional 
(Foto: Rubens Chiri)

Por Eduardo Vasconcelos

Responsável por 80% do produto interno bruto (PIB) do Mercosul, o Brasil precisa liderar o bloco para que a união aduaneira prospere. Para assumir esse papel, contudo, o País deve abrir a sua economia, tendo em vista que o interesse da Argentina, do Paraguai e do Uruguai é aumentar as exportações para o mercado brasileiro. Esse é um resumo da discussão que norteou o evento “Comércio Intra-Mercosul”, realizada na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), nesta quarta-feira (7).

O cônsul geral da Argentina, Luis Castillo, comentou que a possibilidade de um membro vetar um eventual acordo feito por um dos integrantes com um país que não pertence à união aduaneira se tornou um entrave para o bloco. Com isso, o Brasil fica impedido de fechar tratados bilaterais, o que prejudica o crescimento da maior economia do Mercosul. Segundo Castillo, para resolver esse arranjo, o País precisa abrir o seu mercado.

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“Por que fizemos uma união aduaneira? Porque os três países menores queriam entrar no mercado brasileiro. O Brasil tinha uma ideia diferente com o Mercosul, mais política”, comentou Castillo. “A saída para o bloco é o Brasil crescer 4% ao ano e estar disposto a tomar a liderança. Se o Brasil estivesse aberto, Uruguai e Paraguai não discutiriam eventuais negociações bilaterais com outros países. A Argentina não vai discutir, só quer que funcione. Mas, se o Brasil não lidera, o Mercosul não prospera”, completou.

Em sua fala, o cônsul geral da Argentina também ressaltou que, embora o Mercosul esteja em negociação com a União Europeia, o Canadá, a Coreia do Sul e Singapura, os países-membros precisam fazer reformas internas, além de ter políticas macroeconômicas coordenadas. Do contrário, eventuais acordos não serão solução para o bloco.

“O Tratado de Assunção [protocolo que deu origem ao Mercosul] prevê a coordenação de política macroeconômica. Para isso, as economias precisam estar estáveis e coordenadas. Mas, hoje, a Argentina trabalha com controle monetário, não mais com meta de inflação, regime que vigora no Brasil. A coordenação macroeconômica é imprescindível para o bloco”, salientou Castillo.

O embaixador do Uruguai no Brasil, Gustavo Vanerio Balbela, corroborou esse entendimento com um adendo: “Precisamos harmonizar as políticas regionais e setoriais, investir em infraestrutura nas fronteiras, melhorar o impacto da competitividade sobre toda a cadeia logística. Temos um atraso significativo de integração que pode custar um preço considerável e resultar em uma perda de espaço referencial no mundo”, alertou Balbela.

O vice-presidente da FecomercioSP e presidente do Conselho de Relações Internacionais da Entidade, Rubens Medrano, enfatizou que “ninguém está satisfeito com o Mercosul na atualidade” e que a iniciativa privada deve participar das discussões acerca da integração regional, não a deixando somente nas mãos dos governos. “Faz-se necessárias alterações substanciais do funcionamento do Mercosul em relação a barreiras tarifárias, convergência das normas aduaneiras, entendimento sobre regras de origem”, comentou.

Além disso, Medrano destacou o potencial do bloco e as vantagens que pode trazer para todos os membros. “Sozinho, um país pode ter algumas vantagens, mas muitas desvantagens. Em conjunto, acho que podemos alcançar objetivos que tragam oportunidades a todos. Uma coisa é certa: hoje, nenhum país pode se fechar em suas fronteiras, uma vez que está provado que aqueles que praticaram o multilateralismo cresceram e atingiram níveis de produtividade elevados. Não devemos renunciar ao Mercosul”, destacou.

Promovido pela Fecomercio Internacional, o evento teve o objetivo de discutir as perspectivas e oportunidades no contexto do Mercosul. Também foram apresentados cases empresariais que obtiveram sucesso dentro da união aduaneira. O seminário ainda contou com as presenças do adido comercial do Consulado do Paraguai em São Paulo, Sebastian Bogado; o presidente da Câmara de Comércio Argentino Brasileira, Federico Servideo; o diretor comercial da Santa Helena, Luis Bertella; a diretora comercial da Exel Cosméticos, Sabrina Viana; o CEO da Tea Connection, Ricardo Quiroz; o sócio-diretor da La Tregua, Juan Fontana; e o diretor comercial da MB Maquila, Roberto Dal Medico.

Veja as fotos do evento aqui.