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10/08/2018

Com hospitais de referência e tratamento de alta complexidade, São Paulo atrai pacientes de outros Estados e países

Estado e capital paulista se destacam na área da saúde ao oferecer aos pacientes nacionais e internacionais tratamentos de qualidade e uma ampla gama de serviços que prezam pelo conforto

Com hospitais de referência e tratamento de alta complexidade, São Paulo atrai pacientes de outros Estados e países

Atender pessoas de outros Estados e países exige boa infraestrutura e ampla gama de serviços
(Arte: TUTU)

Por Priscila Trindade

O Brasil é conhecido mundialmente pelos cenários paradisíacos. Mas, além de destinos exuberantes, o País tem atraído turistas de diversas partes do mundo por ser centro de referência em saúde.

Tratamentos de fertilização e de doenças do coração e cirurgias plásticas estão entre as áreas de destaque da medicina. Estudo da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética (Isaps, em inglês) mostra que o Brasil é o segundo no ranking, atrás apenas dos Estados Unidos. Juntos, eles correspondem por 28% dos procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos feitos no mundo.

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Além de receber estrangeiros para diversos tipos de intervenção, existe uma forte migração de pacientes dentro do território nacional. São moradores que deixam suas casas e seguem para outras cidades ou Estados para fazer exames e realizar tratamentos e cirurgias. 

O comportamento de quem precisa de cuidados médicos e de seu acompanhante fora do seu local de residência é chamado de “turismo de saúde”. Seguindo esse entendimento, o turismo é levado em conta a partir do momento em que a pessoa deixa sua casa e segue para outro destino.

“Quem compra esses serviços não se considera turista. Elas vão estar numa situação mais delicada e dificilmente irão se expor e sair nas ruas para aproveitar a cidade. Pode até ser que ela se organize para fazer um pouco de turismo antes do procedimento médico. Entretanto, o acompanhante costuma comprar alimentos e adquirir remédios para manutenção e conforto de quem está no hospital”, explica a presidente do Conselho de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Mariana Aldrigui.

Em território nacional, parte dos atendimentos está concentrada no Estado de São Paulo, que dispõe da maior rede pública de saúde do Brasil. Segundo o Governo do Estado, a cada 30 minutos é feita a internação de pessoas de outro Estado. Dos 236,6 milhões de casos de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) em 2016, 31,7% foram realizados em São Paulo.

O Hospital de Amor, anteriormente conhecido como “Hospital de Câncer de Barretos”, é uma instituição de saúde filantrópica especializada no tratamento e prevenção de câncer com sede em Barretos, interior do Estado.

São hospitais e unidades de prevenção no interior paulista e nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Pelos locais, passam 6 mil pessoas por dia de todos os municípios. Como o complexo hospitalar é referência em tratamento oncológico, também há pacientes do Paraguai e da Bolívia.

Para atender pessoas de diversos lugares do País e do mundo, é necessário ter uma boa infraestrutura e ampla gama de serviços. Esses itens são facilmente encontrados na capital paulista, que, segundo a SPTuris, comporta 105 hospitais, entre públicos e privados, além de 9 mil clínicas com 50 diferentes especialidades e centenas de laboratórios.

“A região que compreende eixo das avenidas Paulista e 23 de Maio é, por si só, um grande polo de atração de quem busca de tratamento de alto nível. Ainda há as unidades que estão um pouco mais afastadas e que são polos de referência da saúde do Brasil”, destaca Mariana.

De acordo com a pesquisa da SPTuris, em torno de 5% do total de visitantes da cidade em 2015 tiveram como principal motivação questões de saúde. Eles ficaram quase três dias na capital com média de gasto individual de R$ 669 no período.

Na análise de Mariana, o fortalecimento do setor da saúde deve ser trabalhado principalmente pelos complexos hospitalares, clínicas, associações médicas, entre outras instituições. E o segmento tem se esforçado para conseguir reconhecimento pela qualidade de seus serviços. O órgão americano Joint Commission International (JCI), certificador de qualidade de instituições de saúde no mundo, já concedeu o “selo” de qualidade a 63 organizações brasileiras. Desse total, 26 estão na capital paulista. Os atrativos para os estrangeiros são a boa reputação dos profissionais brasileiros e os preços significativamente menores que os praticados nos Estado Unidos e na Europa.

Além de locais com profissionais capacitados e serviços de alta complexidade, acabam sendo protagonistas na área da saúde aqueles que possuem serviços especializados para tornar a estadia do cliente mais confortável.

O Hospital do Coração (HCor), localizado na zona sul da cidade, oferece serviço de relacionamento e concierge – responsável por auxiliar os pacientes internacionais em suas necessidades básicas e especiais –, com funcionários fluentes em espanhol, francês, inglês, alemão, russo, japonês, italiano e árabe.

O hospital é procurado por gente de outras regiões brasileiras e de países como Angola, Peru, Uruguai, Paraguai Bolívia, Guatemala e Portugal, que buscam as especialidades de cardiologias pediátrica e adulta, oncologia e neurologia.

“É oferecido todo um serviço de apoio ao paciente e acompanhante, desde agendamento do hotel a todas as necessidades solicitadas pelos familiares. O HCor é procurado por ser um hospital com tecnologia de ponta e ter um corpo clínico reconhecido mundialmente, além do acolhimento humanizado”, afirma a gerente de relacionamento, Marina Cervantes Castelo Branco Castro.

O Hospital Israelita Albert Einstein, também na zona sul, tem entre os tratamentos mais requisitados os de alta complexidade sustentados por tecnologia, como cirurgias cardíacas e robóticas (DaVinci), além de diagnósticos oncológicos.

Em 2017, o hospital atendeu em torno de 8 mil estrangeiros, aumento de 8% em relação ao ano anterior. A maioria é da América do Sul (Paraguai, Bolívia, Venezuela e Uruguai), mas também americanos e angolanos.

Já atentos ao mercado internacional, o Einstein criou em 1999 o Centro de Apoio ao Paciente Internacional, responsável pelo suporte aos que procuram a unidade desde seu país de origem. O serviço faz o acompanhamento do tratamento até o retorno para casa e oferece serviços como agendamento de consultas (presencial e telemedicina) e exames, apoio no processo de extensão de visto, indicação e reserva em hotéis, verificação de cobertura em seguradoras internacionais e facilitação e apoio nos trâmites financeiros.