Negócios

06/06/2018

Comércio atacadista é responsável por mais da metade da movimentação do mercado mercearil

Agentes de distribuição respondem por 53,6% do que é movimentado no setor composto por itens de consumo básico do brasileiro, como alimentos, bebidas, limpeza, higiene e cuidados pessoais

Comércio atacadista é responsável por mais da metade da movimentação do mercado mercearil

Setor é um dos que menos sofre em períodos de crise econômica porque o consumidor consegue substituir os produtos de primeira linha por outros mais baratos 
(Arte: TUTU) 

Os produtos de uso comum das famílias – como alimentos, bebidas, limpeza, higiene e cuidados pessoais – sempre estão presentes nas listas de compras, e isso reflete no resultado do faturamento do segmento atacadista distribuidor.

Em 2017, o segmento atacadista distribuidor cresceu 0,7% em termos reais, atingindo faturamento de R$ 259,8 bilhões. Os dados da pesquisa Abad/Nielsen mostram que o setor ficou com a fatia de 53,6% do mercado mercearil nacional. Este é o 13º ano consecutivo em que a participação do atacado distribuidor nesse mercado permanece superior a 50%.

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Os números confirmam que o Sudeste se destaca (com 38% do setor) em termos de faturamento, seguido pelo Nordeste (25%), pelo Sul (15%), pelo Centro-Oeste (13%) e pelo Norte do País (8%).

O presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Drogas, Medicamentos, Correlatos, Perfumaria, Cosméticos e Artigos de Toucador no Estado de São Paulo (Sincamesp), Reinaldo Mastellaro, diz que o setor mercearil é um dos que menos sofre mesmo em períodos de crise econômica. Isso ocorre porque o consumidor consegue substituir os produtos de primeira linha por outros mais baratos.

O segmento, segundo dados da Abad, responde por 95% do abastecimento dos varejos tradicionais e dos pequenos mercados (um a quatro checkouts), 85% do abastecimento de bares e 45% do que é fornecido aos varejos de farmacosméticos.

O estudo mostra ainda a consolidação do crescimento das empresas de porte médio que atendem apenas a um Estado. Nesse caso, o faturamento nominal chegou a 9,4%, enquanto que as empresas que atendem a mais de um Estado tiveram crescimento de 1%.

“Em decorrência da crise, muitas famílias têm feito compras de abastecimento (maior volume) no ‘atacarejo’ (misto de atacado e varejo), em detrimento do supermercado. Os supermercados de vizinhança, por sua vez, procuram se abastecer no atacado, no qual faz sua compra de acordo com o giro do produto, ou seja, de acordo com a sua demanda”, explica Reinaldo.

O presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores, Emerson Destro, espera que, com o cenário de recuperação econômica, os resultados em 2018 sejam melhores, e o setor cresça entre 2% e 3%.

“Com os níveis de desemprego em queda, aumentam o otimismo e a confiança daqueles que estavam represando o consumo. Sabemos que esse processo será lento e gradativo e dependerá fortemente do empenho de todos os setores, principalmente indústria e comércio, para continuar investindo e contratando, com o objetivo de gerar ainda mais empregos”, destaca.