Negócios

28/11/2017

Comissão de Relações Internacionais da FecomercioSP discute internacionalização de empresas à luz de acordo entre UE e Mercosul

Coordenada pelo Vice-Presidente da Entidade, Rubens Medrano, a comissão também defendeu medidas de estímulo e facilitação de internacionalização de PMEs vislumbrando o acordo EU-Mercosul

Comissão de Relações Internacionais da FecomercioSP discute internacionalização de empresas à luz de acordo entre UE e Mercosul

FecomercioSP recebe missão empresarial de Portugal
(Foto: Christian Parente)

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP) recebeu, nesta segunda-feira (27), uma missão empresarial de Portugal para discutir possibilidades comerciais para pequenos e grandes empreendedores, sob mediação do vice-presidente e coordenador de Relações Internacionais da FecomercioSP, Rubens Medrano. O encontro faz parte das atividades que buscam tanto aproximar a Entidade de possíveis investidores do país europeu como compreender o mercado português e o cenário internacional para impulsionar as exportações brasileiras. “Uma das grandes virtudes deste ano é que o setor econômico se divorciou do setor político no Brasil”, observou Medrano, no encontro.

Veja também:
Investimento de longo prazo em Portugal é tema de evento na FecomercioSP
Crescimento da economia internacional favorece recuperação brasileira
Internacionalização dos negócios é opção realista e viável para empresários brasileiros

Durante a reunião, empresários portugueses manifestaram a percepção conjunta de que o momento atual é histórico, em decorrência das negociações – e da proximidade de um acordo – entre os blocos econômicos União Europeia (UE), do qual Portugal faz parte; e Mercosul, do qual o Brasil faz parte. Espera-se que na próxima reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), que acontece na capital argentina entre 10 e 13 de dezembro, as partes assinem um acordo político.

“A própria OMC mencionou que o Brasil é o Pais que mais de desburocratizou em 2017. Num momento de internacionalização das empresas brasileiras, isso ajuda a dar dimensão e corpo ao Mercosul”, explicou o vice-presidente executivo da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, José Magro.

Embora os termos deste acordo continuam sendo discutidos, os envolvidos se mostram otimistas, pois ele representa a inserção do bloco latino nas cadeias globais de valor. “Essa inserção vai exigir disseminação de informação para as pequenas e médias empresas brasileiras”, explicou Rubens Medrano. “Essa capacitação das empresas é importante tanto do ponto de vista da relação delas com o exterior como das normas que advêm do acordo, uma vez que ambos os blocos econômicos têm normas às quais os países devem se adaptar", completou.

“Com essas mudanças, teremos demandas novas do mercado dentro da internacionalização da capacitação de mão de obra”, observou Medrano. Sobre o tema, o reitor associado para assuntos internacionais da Universidade Católica Lusitana, Ricardo F. Reis, concordou: “A nova geração é muito preparada para isso. Nós é que estamos tendo que nos adaptar às demandas trazidas pelos jovens”, afirmou Reis.

O assessor econômico da FecomercioSP Fábio Pina fez uma apresentação sobre o cenário econômico nacional e as perspectivas para 2018. Segundo ele, o investimento econômico direto no Brasil deve quase dobrar no próximo ano, se comparado com o esperado para 2017. “Investimentos e privatizações motivam novos investimentos. O problema do aporte estrangeiro é que ele é binário: ou todos decidem investir naquele país ao mesmo tempo, ou ninguém se arrisca, por isso a aprovação da reforma da previdência é de extrema importância para mantermos a confiança do mercado”, disse.

 A Reforma Trabalhista também faz parte do eixo de ações estruturadas pelo governo federal para tornar o País mais atrativo aos olhos de empresários. Durante a reunião, o assessor jurídico da FecomercioSP Leandro Almeida fez uma exposição sobre destaques da nova legislação, vigente desde o último dia 11 de novembro. “A principal mudança é que a nova lei tirou o governo do centro da questão e atribuiu a relação de trabalho para os sindicatos entenderem melhor de que que precisam seus representados, para ao fim atingirem um texto coletivo que prevalecerá sobre a lei”, explicou.

“Precisamos que os setores possam competir no mercado mundial, no qual as regras mudaram. Com as alterações e união dos sindicatos (patronal e trabalhadores) em Portugal, foi possível transformar o setor têxtil português e aumentar seu potencial”, disse o presidente da Associação Empresarial de Portugal, Paulo Nunes de Almeida.