Economia

07/01/2019

Condições econômicas devem favorecer investimentos em ações em 2019

Perspectiva é de alta do Ibovespa com inflação controlada, juros com tendência de queda e reformas do novo governo

Condições econômicas devem favorecer investimentos em ações em 2019

Caso políticas reformistas se confirmem, é possível que o Ibovespa supere os 110 mil pontos
(Arte/Tutu)

Como 2018 foi um ano instável, para dizer o mínimo, o sucesso na área de investimentos dependeu mais dos momentos de escolha do que do ambiente econômico. Ou seja, as decisões de comprar e vender ações foram determinantes para ganhar dinheiro na Bolsa, uma vez que não havia um direcionamento de longo prazo sobre a economia nacional.

Basta ver que o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, começou o ano pouco acima dos 70 mil pontos. Subiu rapidamente e, de fevereiro a maio, permaneceu ao redor dos 85 mil pontos, antes de cair para o patamar de 70 mil a 75 mil pontos no meio do ano, período já sob influência das perspectivas eleitorais. O índice voltou a subir, oscilando entre 85 mil e 90 mil pontos, quando se consolidou o favoritismo de uma campanha mais liberal vencer o pleito presidencial.

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O que se viu no ano passado, no entanto, é que a renda fixa, apesar da queda dos rendimentos, manteve-se popular. Os juros do CDI renderam, em termos líquidos, em torno de 5%, e a inflação deve ter fechado o ano ao redor de 4%. Dessa forma, os rendimentos reais das apostas em renda fixa ficaram próximos de 1% – ou até menos.

As reduções nominal e real dos retornos, em função da queda dos juros, deveriam ter tornado mais atraentes investimentos em outras opções, como ações. Além de reprimir o interesse em investimentos que passam a render pouco, a queda dos juros tem efeitos práticos sobre a economia: estimula o crescimento de empresas, aumenta o lucro esperado e, assim, eleva o valor dos ativos desses negócios, inclusive as ações.

A perspectiva para este ano é de que a inflação se mantenha controlada – com tendência de queda –, o que abre a possibilidade de os juros caírem ainda mais. Com isso, o cenário esperado é de a taxa Selic ser mantida ao redor de 6%, e a inflação, próxima de 4%. O retorno real dos investimentos em renda fixa, após a incidência de impostos, deve ser de aproximadamente 1%. Em suma, essa opção não deve ser muito mais atrativa do que foi no ano passado.

No campo da renda variável, a taxa de juros baixa é uma condição favorável, mas não suficiente, para que o Ibovespa siga em trajetória ascendente. Os sinais que o governo recém-empossado emitir neste início de ano serão importantes para avaliar os rumos da economia.

Caso uma política reformista e liberal seja posta em prática, a tendência é de as empresas voltarem a investir e contratar funcionários, e o mercado entrar em um ciclo de crescimento sem inflação e com juros baixos.

Nesse hipotético ambiente, investir em ações se mostra uma opção excelente, dadas as condições que diferem das observadas em anos recentes. Com isso, não é impensável que o Ibovespa possa superar 110 mil pontos. De qualquer forma, é importante que o investidor saiba interpretar os sinais da equipe econômica e avaliar as possiblidades de aprovação de eventuais reformas no Congresso.