Sustentabilidade

15/05/2018

Empresas se adaptam à economia de baixo carbono para reduzir impactos ambientais de suas atividades

Medida se faz necessária em razão da alta concentração de dióxido de carbono na atmosfera

Empresas se adaptam à economia de baixo carbono para reduzir impactos ambientais de suas atividades

Neutralização de carbono busca evitar as consequências do desequilíbrio causado pelo efeito estufa
(Arte: TUTU)

Por Priscila Trindade

O excesso de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera afeta negativamente o bem-estar de todos. Em 2017, a concentração média mundial de CO2 alcançou o recorde de 410 partes por milhão (ppm), segundo análise da agência meteorológica do Reino Unido (Met Office). Isso significa que a forma como vivemos tem produzido mais gás carbônico, gerado principalmente pela queima de combustíveis fósseis (carvão, gás natural e petróleo). Esse gás contribui para o desequilíbrio do efeito estufa e o aquecimento global.

Diante desse quadro, é cada vez mais importante que as empresas procurem se adaptar a uma economia de baixo carbono. “Economia de baixo carbono é quando as empresas usam processos em toda a sua operação se preocupando em emitir pouco gás de efeito estufa. Só que para a empresa saber o quanto ela emite, ela precisaria fazer um inventário, uma medição”, diz a assessora técnica do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP Cristiane Cortez.

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Após a medição, calcula-se a quantidade que deve ser reduzida. Depois do cálculo, que pode ser feito por pessoas físicas, empresas e governos, decide-se como neutralizar os impactos gerados. Uma das maneiras é o plantio de árvores. As árvores absorvem o gás carbônico pela fotossíntese. A técnica consiste tanto no plantio como no investimento e administração de áreas de reflorestamento e projetos de conservação.

Outra forma de compensação ambiental está no comércio de crédito de carbono, que consiste na compra e venda de emissões de carbono. Esse mercado surgiu a partir do Protocolo de Kyoto, acordo internacional assinado em 1997, no Japão, que previa a redução da emissão de gases de diversos países.

Nesse sistema, um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2. As empresas que conseguem diminuir a emissão de gases de efeito estufa obtêm créditos, podendo vendê-los nos mercados nacional e internacional. Os créditos são comprados por aqueles que não conseguem reduzir a emissão dos gases de efeito estufa em decorrência da natureza de suas atividades.

“A ideia central é que o comprador da neutralização esteja financiando um projeto que reduza emissões, e que não poderia existir sem esse financiamento de atividades pela venda das reduções certificadas”, explica o sócio-fundador da Neutralize Carbono, empresa especializada na quantificação e neutralização, Felipe Bottini.

Bottini enxerga que parte dos empresários brasileiros se mostram preocupados em se adaptar a uma economia de baixo carbono, mas de forma heterogênea. Para a grande maioria, a questão é vista como um fardo que se manifesta por meio de custos, limitações legais ou restrições ao comércio internacional.

“Outros, dada a vocação de baixo carbono da economia brasileira, principalmente no setor energético, enxergam uma oportunidade de promover negócios sustentáveis em um cenário de crescente demanda por soluções de baixo carbono. Quem não se adaptar a essa realidade perderá espaço rapidamente nos mercados nacionais e internacionais.”

A forma de conscientizar passa por dois aspectos motivadores, segundo ele: regulação e mercado e o engajamento do empresariado depende dessas duas forças. “Se houver pressão regulatória para redução de emissões ou demanda de clientes por produtos e serviços de baixo ou nulo impacto nas emissões, o empresário irá se mover”, afirma Bottini.

Para a assessora da FecomercioSP, existe forte regulação para as indústrias, por isso elas estão mais avançadas nesse aspecto. Elas são alvos de metas para redução da emissão do gás carbônico e monitoradas constantemente por órgãos como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

“A indústria é mais cobrada e monitorada, até porque elas poluem mais e emitem mais gás de efeito estufa que outras formas de negócio. Nas empresas de comércio e serviços, algumas grandes já começaram com isso, mas ainda não é uma prática. Precisa mesmo dessa conscientização”, comenta Cristiane.

Independentemente da quantidade de CO2 produzido, é possível adquirir hábitos que contribuam para a redução do poluente como usar materiais reciclados, fazer reúso da água, usar lâmpadas econômicas, ou diminuir a utilização de papel nas empresas. Essa inovação de processos é um dos desafios do século 21.

“Uma primeira medida seria não emitir, mudar o processo, entregas por veículos serem substituídas por bicicletas que não emitem CO2, por exemplo. Se a empresa muda os processos, ela deixa de emitir aquela quantidade de gás, mas é inviável uma empresa que faça entregas longínquas usar a bicicleta, então, ela faz a contabilidade e escolhe um meio de equilibrar suas ações”, afirma Cristiane.

Eventos
Grandes eventos causam impactos ambientais na mesma proporção. Isso leva a organizadores procurarem mitigar esses efeitos. Esse impacto é resultado do transporte usado por toda a organização do evento e do público (viagens aéreas, transporte terrestre público e privado, energia consumida durante o evento, etc.).

A neutralização é feita depois do inventário de emissões ser feito. Essa pesquisa com todos os participantes do evento mostra a quantidade de créditos que deve ser alocada ou a quantidade de árvores a serem plantadas. Diversas atividades podem ser neutralizadas como shows e festivais, congressos, feiras de negócios.

A edição de 2017 do Lollapalloza Brasil, que ocorreu no Autódromo de Interlagos, zona sul de São Paulo, teve suas emissões de carbono neutralizadas. O evento contabilizou 399 toneladas de CO2 de emissões diretas do evento.

Segundo a Neutralize Carbono, entre as principais fontes de emissão estão os transportes aéreo e terrestre de bandas e músicos, transporte terrestre de staff e de materiais para a infraestrutura do evento, além da queima de combustíveis em fontes estacionárias como geradores de energia.