Negócios

26/10/2017

Investimento de longo prazo em Portugal é tema de evento na FecomercioSP

Fórum “Investir em Portugal” reuniu autoridades e empresários para discutir aproximação econômica e trâmites necessários para se tornar residente fiscal no país europeu

Investimento de longo prazo em Portugal é tema de evento na FecomercioSP

Segundo cônsul-geral de Portugal em São Paulo, Paulo Lopes Lourenço, nunca houve uma proximidade tão grande entre os dois países e, por isso, é preciso aproveitar o momento para sintonizar oportunidades de negócios
(Foto: Miguel Schincariol / Perspectiva)


Por Júlia Matravolgyi

O interesse por Portugal não é apenas circunstancial ou uma moda passageira. A opinião é do cônsul-geral de Portugal em São Paulo, Paulo Lopes Lourenço, e do CEO do Grupo André Jordan, Gilberto Jordan, dois dos palestrantes presentes no fórum “Investir em Portugal – atrativos e oportunidades de negócios”, realizado durante a manhã desta quinta-feira (26) na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

No encontro, realizado em parceria com o Consulado Geral de Portugal e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (Aicep), empresários, autoridades e pequenos empreendedores discutiram a consolidação do país europeu como destino favorável a investimentos, bem como as diferenças culturais e quanto à dinâmica de negócios que devem ser consideradas entre investidores de ambos os países.  

“Portugal está nos corações dos brasileiros, mas também em um plano de racionalidade econômica para investidores em potencial. Estamos aqui para uma relação de longo prazo entre os países”, disse Lourenço. Segundo ele, nunca houve uma proximidade tão grande entre as nações e, por isso, é preciso aproveitar o momento para sintonizar oportunidades de negócios. O número de novos residentes fiscais brasileiros em Portugal cresce, em média, 30% ao ano e deve aumentar em 2017 – número que pode estar subestimado pelo grande número de brasileiros que têm dupla cidadania.

Outros dados citados por Lourenço ajudam a comprovar o interesse dos brasileiros em se aproximar do país: durante o ano passado, o Consulado Português em São Paulo concedeu 800 cidadanias mensais. Ao longo deste ano, o órgão chegou a receber 60 novos pedidos diários. Além disso, 25 universidades portuguesas já aceitam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de acesso ao ensino superior. “Esse fenômeno da dupla nacionalidade é importante. Cria fatores de longevidade que são anticíclicos entre Portugal e Brasil. A maior comunidade estrangeira em Portugal atualmente é a brasileira”, destacou o cônsul-geral.

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Gilberto Jordan tem a mesma visão: “Portugal foi descoberto por suas atrações intrínsecas e não por algo artificial. Elas sustentarão os crescimentos turístico e econômico no longo prazo”.

O CEO do Grupo André Jordan acrescentou que o país europeu é pequeno, mas muito capaz hoje em dia. “Ele pode corresponder ao mais alto nível de exigências empresariais”, afirmou.

Os palestrantes concordaram que o perfil do empresário brasileiro é cauteloso e conservador, e é comum que ocorram algumas visitas a Portugal para estudar o ambiente antes que decisões de negócios sejam tomadas.

Competitividade

 Ao apontar algumas das razões que motivam a opção por Portugal, o diretor da Agência de Investimento e Comércio Externo de Portugal (Aicep), Fernando Carvalho, informou que houve 500 medidas implantadas desde 2010 para aumentar a competitividade e o ambiente de negócios. Por causa das mudanças, segundo ele, Portugal se tornou o 25º melhor país do mundo para fazer negócios, de acordo com o ranking Doing Business 2017, publicado pelo Banco Mundial.

Entre as modificações, está a diminuição da burocracia para abrir empresas: em Portugal, começar um negócio demora quatro dias e meio e implica cinco procedimentos. Efetuar um registro predial demora apenas um dia e requer um só processo.

Os especialistas também citam a localização entre as vantagens competitivas de Portugal. “Estamos dentro da União Europeia, no extremo ocidental da Europa, o que nos torna um dos países mais próximos da economia dos Estados Unidos, com três horas de fuso-horário tanto para Brasília quanto para Moscou. Além disso, estamos próximos do continente africano”, lembrou Carvalho. Infraestrutura, logística e qualidade de recursos humanos são outras razões elencadas pelo diretor.

Apesar de ser um país pequeno, disseram os palestrantes, entrar em Portugal representa acessar uma grande quantidade de potenciais clientes. “Os portugueses hoje estão inseridos em um mercado com 500 milhões de habitantes – a União Europeia – e no mercado dos países de língua portuguesa, entre os quais nações africanas como Angola e Moçambique, além de Macau, na Ásia, que, juntos, somam 100 milhões de pessoas”, destacou o presidente da CISA Trading, Antonio Pargana.

Apesar da similaridade do idioma, os palestrantes foram unânimes ao afirmar que a cultura e a dinâmica de negócios entre os dois países são distintos, e esse é um quesito que exige atenção dos empreendedores. “Quando falamos de negócios, temos de ser pragmáticos: o mercado português é mais maduro que o brasileiro, e quanto mais maduro for o mercado, mais no alvo você tem de acertar. Negócios são pessoas”, observou o sócio-fundador da Gbis, Gonçalo da Cunha Ferreira.

“Com sua capacidade criativa e espírito crítico, o brasileiro consegue enxergar em Portugal oportunidades que os portugueses não conseguem ver”, enfatizou o diretor de Relações Institucionais da EDP Brasil e presidente da Federação das Câmeras Portuguesas no Brasil, Nuno Rebelo de Sousa.

Também estiveram presentes no evento a advogada luso-brasileira sócia do DDSA advogados, Leila Pigozzi Alves; a especialista em Direito Tributário brasileiro da DDSA, Cláudia Riedel; e o membro da Associação Empresarial de Portugal, Domingos Meirelles.

Confira as fotos do evento aqui.