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30/11/2017

Roubo de cargas no Brasil gera prejuízo de R$ 6 bilhões em cinco anos; número de furtos segue crescendo

Segundo estudo da Firjan, Brasil é oitavo mais perigoso no transporte de cargas entre 57 países

Roubo de cargas no Brasil gera prejuízo de R$ 6 bilhões em cinco anos; número de furtos segue crescendo

*Colaboração de Guilherme Meirelles

Em média, um caminhão foi roubado no Brasil a cada 23 minutos entre 2011 e 2016. De acordo com estimativa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), com base em dados registrados na Superintendência de Seguros Privados (Susep), o prejuízo estimado nesse período é de R$ 6,1 bilhões, com 97.786 ocorrências.

Como os números demonstram, o roubo de cargas nas rodovias e no perímetro urbano das cidades brasileiras é um problema crescente nos últimos anos. Além dos prejuízos para os proprietários dos produtos, o aumento desse tipo de furto gera problemas em toda a cadeia produtiva – como resultado, produtores, transportadoras, seguradoras e até os consumidores e o Estado sofrem com os prejuízos e a necessidade de investimento em segurança.

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“De 2016 para cá, estamos com custos adicionais mensais por volta de R$ 1 milhão, o que representa 7% do nosso faturamento bruto, em ações de prevenções a roubos”, afirma o gerente nacional de Riscos da Braspress, a maior empresa brasileira do setor, o coronel Antonio Marin.

Apenas no ano passado, houve 22.547 ocorrências no País, sendo 87,8% delas nos Estados de São Paulo ou Rio de Janeiro. Durante o ano de 2016, o Rio foi o Estado mais afetado pela criminalidade, o que levou a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) a lançar, no primeiro semestre, o Movimento Nacional Contra o Roubo de Cargas, que já ganhou a adesão de mais de 80 entidades.

Algumas seguradoras, como Argo, Mitsui, Tokio Marine, Mapfre, entre outras, têm se recusado a fazer seguro de certas cargas destinadas ao Estado fluminense. As que aceitam estão aumentando as franquias para as transportadoras em até 50%.

Os principais investimentos das empresas transportadoras têm sido em tecnologia, como softwares que agem como robôs, com comandos que travam remotamente as portas do caminhão ou bloqueiam a ignição caso seja detectada alguma anormalidade. Os investimentos incluem também instalação de iscas (sensores) nas mercadorias, o que permite a localização de eletroeletrônicos e celulares vendidos para receptadores.

Em São Paulo também há problemas: em junho, as ocorrências aumentaram pelo 13º mês consecutivo. De acordo com estudo da Firjan, o Brasil é o oitavo país mais perigoso no transporte de cargas entre 57 pesquisados, atrás apenas de nações que vivem em situação de permanente clima de guerrilha civil, como Afeganistão, Síria, Iêmen, Líbia e Sudão do Sul.

Leia mais sobre o tema em matéria especial na revista Problemas Brasileiros.