Negócios

02/06/2017

“Empresário brasileiro ainda copia muito de fora”, diz Oskar Metsavaht

Diretor da Osklen diz que Brasil carece de projeto de Estado para expandir sua cultura no mundo dos negócios

“Empresário brasileiro ainda copia muito de fora”, diz Oskar Metsavaht

Oskar Metsavaht diz que polarização social está fazendo brasileiros desejarem morar fora do País
(Tutu)

Embora reconhecida mundo afora, a cultura das empresas brasileiras ainda não conseguiu se estabilizar nos negócios internacionais. De acordo com Oskar Metsavaht, empresário, artista plástico e diretor de criação e estilo da Osklen, falta ao Brasil um projeto de Estado que propicie a propagação dos valores do País e incentive os empresários a ampliarem o alcance da cultura nacional por meio da oferta de bens e serviços.

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Em entrevista ao UM BRASIL, Metsavaht diz que os empresários brasileiros ainda copiam demais o que é feito nos grandes centros econômicos do mundo.

“O nosso empresário ainda é muito inseguro das nossas qualidades e copia muito de fora”, diz o artista plástico. “A pesquisa do empresário é ir para a Europa, Estados Unidos ou Ásia e copiar as práticas, marcas ou elementos culturais e de estilo desses lugares” em detrimento dos próprios valores brasileiros, completa.

Segundo o diretor da Osklen, o mundo reconhece os valores e a cultura brasileira e, por isso, os cidadãos do País costumam ser bem recebidos em qualquer outra nação. Contudo, o Brasil carece de um projeto que torne esses valores intangíveis em algo que possa ser mensurável e trazer retorno, quase como um selo brasileiro de qualidade.

“Acho que temos que ter um projeto de Estado que identifique quais são esses nossos valores intangíveis e saber onde nós temos a capacidade de prosperar e de que forma podemos tangibilizar esses valores. Como disse, a Europa soube fazer isso. Hoje em dia, se consome o luxo europeu - gastronômico, cosmético, de moda, automóveis. Nós admiramos tudo isso”, diz Metsavaht.

O empresário explica que, para ganhar mercado expondo os valores brasileiros, o País precisa aliar sua cultura à sua produção, criando um projeto de branding brasileiro. “Nós não temos projeto nenhum. Temos projetos internos que variam de acordo com seus governos e seus momentos político-econômicos”, afirma.

Metsavaht também diz que, atualmente, o Brasil vive um momento em que é difícil chegar a um consenso sobre o País que queremos em função da polarização social.

“Essa polarização que vivemos hoje é muito prejudicial. A pior coisa disso tudo é o seguinte: estamos perdendo os nossos filhos. Nossos filhos querem morar fora do Brasil”, explica.

“O pior de tudo é que estamos em um período muito vulnerável e que pode acabar com uma das coisas mais ricas que nós temos, que é o espírito de nação. A chance, se continuar nessa polarização, de destruir nosso espírito de nação não é uma coisa que vai levar 20 ou 30 anos para recuperar economicamente. É uma coisa que leva 100 anos ou mais para recuperar”, ressalta o diretor da Osklen.

A entrevista faz parte da série “Diálogos que Conectam”, realizada pelo UM BRASIL em parceria com a Brazil Conference – evento realizado anualmente por alunos brasileiros da Harvard University e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.

Confira na íntegra abaixo: