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Economia

30/04/2021

Ambiente de negócios inseguro, instável e anti-inovação trava o empreendedorismo brasileiro, afirma cientista político

Em entrevista ao Canal UM BRASIL, Ricardo Sennes afirma que o País precisa avançar sobretudo na agenda de competitividade com nações mais desenvolvidas

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Ambiente de negócios inseguro, instável e anti-inovação trava o empreendedorismo brasileiro, afirma cientista político

“Nas áreas de TI, pagamentos e e-commerce, o Brasil está muito bem, é um exportador de tecnologia”, comenta Ricardo Sennes
(Crédito: Christian Parente)

As amarras no ambiente de negócios nacional travam os processos de empreendedorismo no País não apenas quanto à abertura de empresas, mas também no desenvolvimento de projetos em vários campos da vida e da economia, afirma Ricardo Sennes, economista, cientista político, e sócio-diretor da Prospectiva Consultoria. 

“O ambiente é muito inseguro, instável e antiempreendedor, inviabilizando obras de infraestrutura complexas no Brasil e os centros de inovação em pesquisa. A dificuldade regulatória para projetos de inovação radical nos campos da ciência e do empreendedorismo empresarial é imensa. Dá-se um primeiro passo aqui e, depois, se leva o projeto para fora, pois não dá para ter cinco órgãos de controle em cima do [projeto] inovador que precisa de regulação aberta.” 

Em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, ele pontua que as reformas macroeconômicas discutidas desde o governo de Fernando Henrique Cardoso tangenciam os problemas do País e são “remendos que surgem depois que o problema está colocado: a Reforma da Previdência veio depois que a Previdência explodiu; a do trabalho, depois de 60 anos sem mexer no modelo trabalhista”, enfatiza. “Isso vem muito mais para remendar do que para nos preparar. A gente só toma decisão quando a situação já está no limite, não antecipamos decisões estratégicas para colocar o Brasil [em outro patamar].” Segundo o economista, a “bala de prata” das reformas seria a agenda da competitividade. 

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Ele pondera que o Brasil já passou da fase do boom econômico de industrialização e urbanização de décadas atrás, de tal forma que o patamar almejado exige políticas e arranjos regulatórios mais sofisticados, encarando nações mais bem desenvolvidas. “Nós não somos mais o país com a mão de obra mais barata do mundo, nem a China é assim. O Brasil não pode concorrer por mão de obra, deve concorrer próximo aos países de desenvolvimento médio para cima. É [focar na] capacidade de empreendimento inovador e eficaz em nichos específicos da economia. É menos escala e mais qualidade, produtividade e inovação. Contudo, estamos presos a agendas negativas de grupos que não topam este jogo e que se prendem a agendas antigas, buscando repetir ganhos do passado.” 

“Nas áreas de Tecnologia da Informação (TI), e-banking, pagamentos e e-commerce, o Brasil está muito bem, é um exportador de tecnologia. Nós temos de onde tirar bases para o próximo passo, só não podemos ter um ambiente que atrapalhe, mas que fomente a geração de valor.” 

Problemas brasileiros evidenciados na pandemia 

Ele também ressalta três pontos cujas deficiências e vulnerabilidades emergiram durante a pandemia: a saúde, como um tema coletivo e parte de uma estratégia para uma nação que queira se desenvolver de forma sustentável; a educação, tendo em vista que está “claro que o Brasil está pouco preparado e desestruturado” para manter este eixo como um pilar fundamental do desenvolvimento econômico e da organização social; e o choque da desigualdade social. 

“Estes três temas ‘bateram fundo’ na sociedade brasileira, que percebe que são obrigatórios em uma agenda por um futuro mais civilizado. Vai ser muito difícil, daqui para a frente, pensar no que será a política do Brasil sem lideranças que não tratem de maneira direta essas três questões”, conclui.

Assista a entrevista na íntegra e se inscreva no canal UM BRASIL.