Economia

30/01/2017

Destinação adequada de resíduos em supermercados catarinenses chega a 97%

Redes aderem a programa “Lixo Zero” e reduzem em 600 toneladas o volume mensal depositado nos aterros sanitários

Destinação adequada de resíduos em supermercados catarinenses chega a 97%

Estabelecimentos dão destinação correta para diferentes tipos de resíduos, entre os quais estão os orgânicos
( Arte TUTU)

Por Deisy de Assis 

Em Santa Catarina, um programa cujo objetivo é reduzir a quantidade de lixo enviada para aterros sanitários tem excelentes resultados. A destinação adequada de resíduos sólidos chega a 97%.  De acordo com a Associação Catarinense de Supermercados (Acats), criadora do programa “Supermercado Lixo Zero”, a redução no volume encaminhado aos aterros mensalmente é de 600 toneladas. 

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A iniciativa, que surgiu há seis anos, teve projetos-piloto com planos de gestão e manejo implementados nos supermercados Angeloni - com 27 unidades - e Hippo, que tem quatro lojas e detém a marca de 97% de reaproveitamento dos materiais. 

Os números são expressivos, principalmente por ser uma ação setorial realizada em um único Estado. Em todo o País, somente 15% da população conta com programas de coleta seletiva, segundo dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). 

Para se ter uma ideia do cenário nacional, a mais recente radiografia Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil (2016), feita pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), aponta que a geração de resíduos sólidos no Brasil cresceu mais de 26% na última década (2005-2015). 

Do lixo para a horta 

Na opinião do diretor comercial do Hippo, Josiano Saqueti, seja em pequenas ou grandes ações, o desafio está na construção de uma cultura de coleta seletiva. “Nos deparamos com a dificuldade que os colaboradores tinham para ver a importância da coleta seletiva. Quebramos esse paradigma e hoje existe uma cultura muito forte desse ciclo na empresa, que resultou nesse alto índice de tratamento de materiais.” 

Segundo o diretor, só não é reaproveitado o lixo dos banheiros das unidades. “Nossos resíduos orgânicos [como frutas, legumes e outros alimentos] são enviados a uma processadora de material orgânico, onde é feita a compostagem que os transforma em adubo.” 

Saqueti explica que o fertilizante rico em nutrientes possui dois destinos: a horta orgânica que a rede mantém para produzir alimentos, que são comercializados nas lojas; e os clientes, que recebem o adubo em troca de pontos em um programa de fidelidade da empresa. 

Já a recuperação do papelão e do plástico é feita a partir do recolhimento de um representante da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Florianópolis. 

A fim de garantir essas separações e a destinação correta dos itens por categorias, as quatro lojas da rede possuem lixeiras sinalizadas. Os materiais são recolhidos diariamente por empresas parceiras que possuem certificação. 

As iniciativas renderam reconhecimentos à companhia, como o “Certificado Internacional de Reaproveitamento”, em 2011, que comprovou o encaminhamento correto de 97% dos resíduos produzidos em suas unidades. 

Benefícios sociais 

A falta de conhecimento sobre o valor dos resíduos e os danos causados pelo descarte incorreto também foi o entrave enfrentado pelo supermercado Angeloni durante a implementação do programa em suas 27 lojas, em 2012. 

“Dentre os vários desafios, um dos principais foi mudar a cultura dos funcionários, fazendo com que todos entendessem da mesma forma a necessidade e impactos de suas ações”, conta o diretor operacional e de expansão da rede, Atanázio dos Santos Neto. 

Mas os índices de destinação correta da rede sinalizam que a companhia driblou os entraves. “O tratamento de materiais tem um índice médio de 90%”, diz o diretor. 

Além do viés ambiental, outro ponto valorizado é o social. Isso porque um dos campos de compostagem que recebem os resíduos orgânicos das lojas e os transformam em adubo é em um centro de recuperação de dependentes químicos. “A atividade laboral contribui com a melhora da autoestima das pessoas e propicia reinserção social”, frisa Santos Neto sobre o trabalho, que também gera receita à entidade e ajuda no pagamento de despesas básicas da casa, a partir da venda dos fertilizantes. 

Finalista do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade é exemplo de ação em SP

No Estado de São Paulo, um exemplo de ação que visa à redução do volume recebido nos aterros sanitários é a desenvolvida pelo Supermercado São Vicente, empresa finalista da 3ª edição do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade, em 2013, com seu programa de medidas para o consumo racional de energia elétrica, sacolas plásticas descartáveis, entre outras.

A rede envia todos os meses à reciclagem aproximadamente 120 toneladas de papelão, nove toneladas de plástico, e seis toneladas de outros recicláveis, como metais e vidros. Há ainda projetos especiais que dão destino adequado, mensalmente, a 1,2 mil litros de óleo de cozinha, duas mil unidades de caixas de madeira e pallets e 400 quilogramas de sacaria de babata e cebola.

Outro destaque é a destinação correta de cilindros de gás refrigerantes descartáveis a centrais de regeneração, uma vez que eles contêm gases que prejudicam a camada de ozônio, sendo que alguns podem ainda contribuir para o aumento do aquecimento global.

“No caso das frutas, legumes e verduras, cadastramos instituições que recebem como doação itens que perdem as características para venda, mas que ainda estão em plena condição de aproveitamento”, conta o diretor operacional da empresa, Mauricio Cavicchiolli.

Contribuições

De acordo com a assessora técnica do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Cristiane Cortez, a redução do volume que chega aos aterros é importante, principalmente pelo fato de que a maioria não possui sistemas que impeçam a liberação do metano no meio ambiente.

“É um gás que resulta do processo de decomposição do lixo orgânico na ausência de oxigênio, como ocorre nos aterros, e que é 21 vezes mais nocivo ao meio ambiente do que o dióxido de carbono (CO2), contribuindo fortemente para o aquecimento global”, explica Cristiane.

Segundo o diretor-presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho, um agravante é que mais de 3.300 municípios brasileiros ainda fazem uso de unidades irregulares para destinação do lixo. “Isso representa graves riscos ao meio ambiente e impactos diretos na saúde da população.”

Prêmio FecomercioSP de Sustentabilidade

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) lançou a sexta edição do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade, que acontecerá em março 2018.

A nova edição tem como tema os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de uma agenda mundial adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU), com 169 metas a serem atingidas pela humanidade até o ano de 2030. Essas medidas envolvem ações nas áreas de erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, entre outras.

Serão reconhecidos projetos com foco nos princípios da sustentabilidade. As categorias contempladas são: empresa; indústria; órgão público; academia; reportagem jornalística; e entidades empresariais.

Os finalistas serão anunciados em fevereiro de 2018. Os vencedores receberão títulos de capitalização ou previdência, no valor de R$ 15 mil, e troféu. Os trabalhos classificados em segundo e terceiro lugares também serão reconhecidos. Clique aqui (inserir link para o site do prêmio) e saiba mais.

Veja também:

Supermercados "verdes" incentivam reciclagem e consumo sem desperdício
http://www.fecomercio.com.br/noticia/supermercados-verdes-incentivam-reciclagem-e-consumo-sem-desperdicio

Vidros quebrados viram peças de ecodesign
http://www.fecomercio.com.br/noticia/vidros-quebrados-viram-pecas-de-ecodesign

Programa educacional reforça a coleta seletiva em São José dos Campos
http://www.fecomercio.com.br/noticia/programa-educacional-reforca-coleta-seletiva-em-sao-jose-dos-campos

Gestão especializada permite negócios para pequenos geradores de resíduos
http://www.fecomercio.com.br/noticia/gestao-especializada-permite-negocios-para-pequenos-geradores-de-residuos