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Sustentabilidade

Empresas apostam nos negócios com móveis de papelão

Produtos são 100% recicláveis e ainda somam praticidade e acessibilidade

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Empresas apostam nos negócios com móveis de papelão

De acordo com Vicente Amato Sobrinho, presidente do Sinapel, filiado à FecomercioSP, os móveis de papelão estão no mercado desde 1960 e ganharam força nos últimos anos por atender aos apelos do “ecodesign”
(Arte TUTU)

Por Deisy de Assis

Os móveis feitos de papelão são uma alternativa sustentável para mobiliar escritórios, ambientes residenciais e espaços de eventos corporativos. A opção também representa oportunidade para empreender nessas diferentes frentes de atendimento. Empresários que fizerem da mobília ecológica um negócio registram resultados positivos, como o crescimento nas vendas e a valorização da marca.

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A microempresa Cartone Design, por exemplo, nasceu em 2012 quando seu fundador, Bruno Pellegatti, que já tinha experiência com a venda de produtos de papelão para animais de estimação, identificou que a demanda por móveis dessa matéria-prima era maior que a oferta no mercado.

Passados cinco anos de atuação, a Cartone já soma mais de 30 itens distribuídos em sete linhas, com preços que vão de R$ 0,99 a R$ 266,70. São mesas, cadeiras, bancos, estantes, entre outros produtos, cuja matéria-prima é o papelão reciclado.

As perspectivas para este ano são de crescimento mesmo com os efeitos da recessão na economia nacional. De acordo com Pellegatti, 2017 deve terminar com alta de 30% nos negócios, 10% a mais do que tem sido observado na média anual (20%) da empresa nos últimos três anos.

“Acreditamos no aquecimento da economia e já identificamos o melhor desempenho dos negócios nos primeiros meses deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Além disso, vamos colocar um produto novo no mercado dentro de 30 dias, o que também será uma estratégia para alavancar as vendas”, afirma Pellegatti.

E essa tática explica o otimismo e os bons índices na empresa. Segundo o empresário, os efeitos da crise econômica em 2016 só não foram mais drásticos, pois foi justamente nesse ano que a empresa lançou um novo produto – uma casinha de brinquedo – e uma loja virtual que foram fundamentais para manter as vendas do ano passado. “A tendência era que encolhêssemos 20%, mas o que houve foi alta de 20%.”

Demanda

“Nosso volume maior, em torno de 60% do faturamento, vem da demanda corporativa, especialmente de eventos. Mas em número de pedidos, vendemos 10 vezes mais no varejo, onde entram os móveis para ambientes residenciais e os brinquedos”, conta o empresário.

Na Crafta Inteligente, outra empresa que apostou nos móveis de papelão, predominam as vendas para a área corporativa. “Estimo que em torno de 80% da nossa demanda é para feiras de negócios e eventos”, afirma a fundadora da companhia, Daniela Bueno.

Ela conta que encontrou nos móveis de papelão uma motivação para empreender nos produtos sustentáveis. “Em uma viagem para a Espanha, nos anos 2000, vi mobílias em papelão e tive a ideia de investir nesse conceito no Brasil.”

Criada em 2009, com o nome de “100’t Inteligente”, a empresa foi reformulada e está em nova fase. Possui mais de 50 itens, entre móveis e objetos de decoração, que custam de R$ 12,00 a R$ 3.000,00. Eles são feito com papelão virgem com um selo verde que garante que sua origem é a madeira de reflorestamento. “No caso dos produtos sanfonados a produção é com papelão reciclado”, menciona Daniela.

Apesar do crescimento médio anual na casa dos 30%, a empresária é conservadora quanto às perspectivas para o desempenho econômico dos negócios este ano. “Não acredito que haverá crescimento já em 2017. Meu foco é manter os índices de 2016.”

Valorização que vem da sustentabilidade

Daniela e Pellegatti concordam que a sustentabilidade dos produtos é fundamental para o reconhecimento e a valorização de suas marcas no mercado. Na opinião de Pellegatti, tais qualidades são somadas ao fato dos móveis serem 100% recicláveis e não se tratarem de produtos descartáveis como uma caixa de papelão – que é utilizada apenas por alguns dias para armazenar mercadorias. “Os móveis possuem resistência e durabilidade”, afirma o empresário, que considera o produto estratégico para o mercado.

De acordo com Vicente Amato Sobrinho, presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Papel, Papelão, Artigos de Escritório e de Papelaria do Estado de São Paulo (Sinapel), filiado à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), os móveis de papelão estão no mercado desde 1960, mas nos últimos anos ganharam força por atender aos apelos do “ecodesign”. “A aceitação se deve ao fato de serem móveis fáceis de montar e desmontar e por evidenciarem o comprometimento com a preservação do meio ambiente, uma vez que são produzidos a partir de matéria-prima renovável (florestas plantadas ou fibras recicladas). É reciclável e biodegradável.”

Na outra ponta, passada a fase do consumo, os móveis de papelão são facilmente absorvidos pela cadeia de reciclagem. Segundo o levantamento do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), realizado no ano passado, 34% dos resíduos coletados no Brasilcorrespondem a papelão. Isso significa que o material movimenta fortemente o setor, gerando emprego e renda.

Uma amostra disso pode ser observada nas estatísticas mais recentes da Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap), que reúne varejistas que comercializam o papelão usado para a indústria, realizando o processo de classificação e estocagem que antecede a reciclagem. O relatório anual da entidade aponta que no Brasil, só em 2015, foram recebidas 4,7 mil toneladas do material, cuja venda gerou receita de aproximadamente R$ 2 milhões. Para isso, os depósitos do segmento mantiveram 36,7 mil empregados.

Desafios

No entanto, apesar das boas perspectivas e crescimento, também há entraves a serem enfrentados no segmento de móveis de papelão. “Ainda é frequente que as pessoas vejam o material como matéria-prima de segunda linha, não se atentando que é um produto cuja fabricação respeita toda a cadeia inerente a uma produção sustentável, que resulta em um papelão de alta qualidade e ainda conta com design”, diz a empresária.

Para a assessora técnica do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP, Cristiane Cortez, essa é uma barreira a ser quebrada em todos os setores. “Entretanto, acredito que os negócios focados na sustentabilidade são uma tendência, não uma moda passageira”, afirma a assessora, que atribui a avaliação à necessidade de competitividade e inovação no mercado, além do atendimento às exigências do consumidor, que tem se mostrado mais consciente em suas escolhas.

Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) lançou a sexta edição do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade, com inscrições abertas até 20 de novembro de 2017.

A nova edição tem como tema os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de uma agenda mundial adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU), com 169 metas a serem atingidas pela humanidade até o ano de 2030. Essas medidas envolvem ações nas áreas de consumo e produção sustentáveis, erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, entre outras.

Serão reconhecidos projetos com foco nos princípios da sustentabilidade. As categorias contempladas são: empresa; indústria; órgão público; academia; reportagem jornalística; e entidades empresariais. Os finalistas serão anunciados em fevereiro de 2018. Os vencedores receberão títulos de capitalização ou previdência, no valor de R$ 15 mil, e troféu. Os trabalhos classificados em segundo e terceiro lugares também serão reconhecidos.

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