Economia

04/10/2018

Faturamento do setor de serviços paulistano atinge marca histórica para mês de julho

Tendência para o comportamento do setor até o final do ano se mantém otimista, mas o risco de uma inflação maior pode diminuir o poder de compra dos consumidores

Faturamento do setor de serviços paulistano atinge marca histórica para mês de julho

Faturamento do setor de serviços vem registrando crescimento significativo, consolidando um ciclo de recuperação das vendas
(Arte: TUTU)

O faturamento real do setor de serviços na cidade de São Paulo atingiu R$ 27,7 bilhões em julho, crescimento de 11,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa é a maior cifra já registrada para um mês de julho desde o início da série histórica em 2010 da Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), medida mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). No acumulado do ano, as vendas avançaram 14,9%.

A tendência para o comportamento do setor até o final do ano se mantém otimista, mas o atual período de indecisão do quadro eleitoral reflete no mercado de câmbio e na Bolsa de Valores, o que pode afetar as receitas do setor de serviços até o final do ano. Outro ponto a ser analisado é o crescente aumento do dólar frente ao real, que encarece os preços de determinados produtos e aumenta o risco de uma inflação maior. Tal situação pode diminuir o poder de compra dos consumidores.

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Para se precaver, o empresário deve evitar o endividamento e gerenciar o capital de giro da empresa. A elaboração do planejamento estratégico considerando tal cenário é fundamental para que as pequenas e médias empresas possam otimizar custos.

Em julho, o resultado positivo foi influenciado pelas atividades de mercadologia e comunicação, que tiveram aumento de 109,3% no mês em relação a julho de 2017. Em seguida, estão as atividades jurídicas, econômicas, técnico-administrativas (29,1%); educação (22,8%); técnico-científicas (11,2%); turismo, hospedagem, eventos e assemelhados (9,2%); agenciamento, corretagem e intermediação (8,7%); serviços bancários, financeiros e securitários (5,9%); simples nacional (1,3%); e outros serviços (0,3%).

Cabe destacar que, de modo a manter o indicador sempre atualizado, a partir de fevereiro de 2018 foi adicionado à lista de atividades do setor de serviços, por meio da Instrução Normativa SF-SUREM no. 23, de 22/12/2017 da Secretaria da Fazenda do Município de São Paulo, o código CNAE 02498, relativo a atividade de “Inserção de textos, desenhos e outros materiais de propaganda e publicidade, em qualquer meio (exceto livros, jornais, periódicos e nas modalidades de serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita)”. Por se tratar de uma nova atividade inserida no grupo de “Mercadologia e Comunicação”, os resultados apresentarão variações elevadas nos comparativos anuais até completar o ciclo de 12 meses de adição, em fevereiro de 2019.

Desta forma, excluindo-se do cálculo da pesquisa o novo CNAE, a taxa de crescimento do setor de mercadologia e comunicação registra queda de 18,4% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado. Com esse resultado, o faturamento real total do setor de serviços da cidade de São Paulo registra alta de 8,8%.

Os resultados negativos apurados no comparativo interanual ficaram por conta das seguintes atividades: representação (-26,1%); construção civil (-21,5%); conservação, limpeza e reparação de bens móveis (-4,4%); e saúde (-2,6%). Juntas, essas quatro atividades contribuíram negativamente com 1,7 ponto percentual para o resultado geral.

O faturamento do setor de serviços vem registrando crescimento significativo, consolidando um ciclo de recuperação das vendas. Em contrapartida, algumas atividades continuam registrando resultados negativos, tais como construção civil e conservação, limpeza e reparação de bens móveis. Essas atividades foram fortemente impactadas pela crise econômica do País entre 2014 e 2016, afetando de forma significativa os investimentos públicos e privados e o mercado imobiliário brasileiro. A retomada dessas atividades dependerá da recuperação dos indicadores de emprego e renda.