Economia

24/09/2018

Investir em ouro e dólar funciona apenas no curto prazo

Ativos protegem o patrimônio durante períodos de incerteza, mas não trazem bons rendimentos no longo prazo

Investir em ouro e dólar funciona apenas no curto prazo

Melhor momento para apostar em moeda estangeira é de três a quatro meses antes da conclusão da eleição
(Arte/Tutu)

Em momentos de incerteza, como a atual conjuntura eleitoral, uma estratégia de investimento volta à moda: apostar em ouro e dólar. Essa prática, ironicamente conhecida como “investimento verde e amarelo”, consiste em proteger o patrimônio com ativos que não estejam sob controle das autoridades nacionais quando há perda de confiança em relação aos rumos do País. Contudo, essa estratégia só faz sentido no curto prazo, podendo, de fato, até ser rentável, desde que o investidor esteja atento à hora de comprar e de vender.

Acontece que, no longo prazo, não faz sentido aplicar em ativos que não se multiplicam. Quem trocar hoje reais por dólares ou por ouro terá, no decorrer dos próximos meses, a mesma quantidade de dólares e de ouro. Não há rendimento efetivo, porque esses ativos não “trabalham” para o investidor. No entanto, quando se trata de avaliar o curto prazo, são opções razoáveis como forma de reduzir os riscos e proteger o patrimônio.

Veja também
Estratégias de investimento se diversificam com cenário eleitoral incerto
Estratégia mais importante para o aplicador é se manter informado
Incerteza eleitoral e déficit fiscal pressionam a desvalorização do real em 2018

Para que a estratégia de comprar ouro ou dólar tenha sucesso – ou ao menos não resulte em perda de patrimônio –, o investidor deve avaliar os momentos de comprar e de vender os ativos, o que não é uma tarefa fácil.

Há dois meses, o dólar estava cotado a R$ 3,70. Há quatro meses, chegou a tocar o piso recente de R$ 3,20. Hoje, ronda o valor de R$ 4,20. Com isso, quem comprou dólares a R$ 3,20 ou mesmo a R$ 3,70 está percebendo uma “rentabilidade” média em reais de 6% a 7% ao mês – o mesmo ocorreu com o ouro, embora seja um ativo um pouco mais complexo de avaliar.

As questões que se colocam para o investidor, agora, é se o dólar continuará subindo mais 6% ou 7% ao mês, até a conclusão das eleições, e se seguirá em alta, dependendo do resultado do pleito presidencial.

Não há como saber. Entretanto, a história brasileira ensina que a aposta em moeda estrangeira deve ser feita de três a quatro meses antes da conclusão de uma eleição marcada por discursos de mudança. Após o pleito, o que se observa, independentemente do candidato vitorioso, é uma acomodação dos ativos, e isso pode ocorrer novamente – não há garantias, apenas indícios.

De todo modo, apostar na compra de dólares ainda pode ser vantajoso, mas apenas nas seguintes condições:

• O investidor deve estar disposto a enfrentar eventuais perdas;
• O investidor deve ficar atento às indicações do mercado e às pesquisas eleitorais para poder adquirir e se desfazer dos ativos rapidamente;
• O investidor precisa acreditar que o resultado das eleições manterá o dólar em alta por um bom tempo.

De forma geral, o melhor momento para comprar dólares ou apostar em barras de ouro já ficou para trás. Mas, a depender das perspectivas de cada um, ainda pode ser uma opção.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) reforça que essa é uma estratégia que funciona no curto prazo, porque, no longo prazo, os investimentos precisam estar relacionados a empresas e negócios que tragam retorno ao investidor.